Volkswagen aprova corte de 100 mil empregos - 03/09/2026 - Economia - Folha

O conselho de supervisão da Volkswagen aprovou por unanimidade nesta quinta-feira (3) um plano de transformação que pode incluir o corte de mais 50 mil empregos no grupo.

O plano, a maior reestruturação nos 89 anos de história da empresa, prevê a busca por alternativas para quatro fábricas alemãs que não têm planos concretos de produção para a próxima década.

Isso inclui uma simplificação da estrutura do conglomerado da Volkswagen, bem como limites à influência do conselho de supervisão, no qual sindicatos e o estado da Baixa Saxônia detêm maioria em decisões importantes.

"Este é um forte sinal para o futuro do Grupo Volkswagen. Estamos assumindo a responsabilidade por toda a nossa força de trabalho, por nossos parceiros e pelos empregos industriais em todo o mundo", afirmou o presidente-executivo, Oliver Blume, em comunicado.

O "Plano para o Futuro", apresentado pela diretoria executiva da Volkswagen e aprovado em reunião do conselho, surge enquanto a montadora enfrenta pressões de todos os lados, incluindo tarifas de importação dos Estados Unidos, concorrentes asiáticos e um mercado chinês mais fraco.

A Volkswagen afirmou que é necessário "um novo ajuste fundamental da capacidade global da força de trabalho", explicando que isso inclui uma redução de cerca de 50 mil postos de trabalho em todo o mundo, além da redução de 50 mil empregos já em andamento.

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Blume já havia admitido em julho, em meio a rumores de que mais demissões estavam a caminho, que os cortes na empresa poderiam chegar a 100 mil na Alemanha. Na época, a Volkswagen informou que os planos não se aplicavam às fábricas no Brasil.

Naquele momento, a empresa disse também que seguia com o plano de investir R$ 16 bilhões até 2028 no país e desenvolver 17 novos carros para o mercado nacional, com nove deles já lançados.

A empresa não forneceu mais detalhes sobre o cronograma da redução da força de trabalho nem sobre como os cortes serão distribuídos entre suas marcas e regiões.

O anúncio vem após semanas de negociações tensas que opuseram o conselho e a Porsche, acionista majoritária, aos sindicatos e ao estado da Baixa Saxônia, com a administração considerando a convocação de uma assembleia-geral extraordinária para aprovar suas exigências.

A empresa citou a crescente pressão competitiva global, as mudanças nos padrões de demanda e as transformações tecnológicas no setor automotivo como motivos para as medidas.