Tal conquista, uma prata no lawn bowl, uma modalidade semelhante à bocha, foi um dos primeiros passos do País na construção do caminho que o levou a ser uma potência da Paralímpiada. Não à toa, ficou em quinto lugar em Paris-2024, com 88 pódios: 25 ouros, 25 pratas e 38 bronze.
"Não consigo nem imaginar o que significava ser um atleta paralímpico naquela época, na década de 1970. Lamentavelmente, as pessoas ainda enxergam a pessoa com deficiência de duas formas: ou você é um super-herói ou um coitado", comenta Yohansson Nascimento, vice-presidente do Comitê Paralímpico do Brasil (CPB) e dono de seis medalhas paralímpicas no atletismo.
Nesta quinta-feira, 6, Robson, morto em 1987, e Curtinho, que tem 79 anos e trata quadro de alzheimer, foram homenageados pelo CPB em um evento de celebração do aniversário das medalhas com a presença de familiares, em São Paulo.
"Robson foi um pioneiro em diversas questões no Brasil. Havia uma lacuna na história do esporte brasileiro", comenta Noemia Magalhães de Almeida, 66, sobrinha criada como filha de Robson. "A gente se sente muito honrado por estarem finalmente dando a ele o lugar que ele merece. Ele era muito mais que um atleta para nós", acrescenta Paulo Robson Magalhães de Almeida, 70, sobrinho do paratleta.
O encontro entre os dois homens que iniciaram a história de triunfos do Brasil aconteceu no Clube do Otimismo, instituição fundada por Robson com a verba da indenização recebida em razão do acidente de trabalho. No espaço, administrado por ele e sua família, existia um regime de internato para abrigar pessoas com deficiência que não tinham condições de realizar fisioterapia de outra forma.
O clube foi estruturado com base nos moldes de reabilitação que o paratleta conheceu nos Estados Unidos, os quais eram inspirados por ideias do neurologista alemão Ludwig Guttmann - considerado o pai do esporte paralímpico. Essa metodologia é focada na reabilitação por meio do esporte.