O governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, se emocionou com um discurso do presidente Lula (PT) nesta sexta-feira (17). Durante visita à Fiocruz, o mandatário disse que Couto é "uma chance que Deus está dando a esse povo" .
"Nessa minha fala que, volto a dizer, eu não tenho a caixa política, mas tenho a sensibilidade e às vezes eu me emociono...", disse Couto, que na sequência abraçou o presidente. Após a fala, o público presente no evento puxou um coro de "fica" e pediu que o governador interino permanecesse no cargo.
Lula cita tarifaço dos EUA e diz que quer "guerra da verdade" com Trump Kassab nega ao STF ter indicado emendas como presidente do PSD Planalto vê EUA rever tarifaço só após as eleições
No evento, Lula também exaltou o trabalho que o governador tem feito na área de segurança. Ainda este mês, Couto pediu ao TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) um reforço das forças federais na segurança das eleições deste ano.
"Ricardo Couto não é político, mas quis que ele falasse nos meus dois eventos, falasse como político. Ele está aqui fazendo um favor a todos nós, brasileiros e cariocas. Ele tá fazendo um favor pra ver se a gente consegue se livrar das milícias do Rio de Janeiro", disse o presidente. "Só peço uma coisa para você, faça o que tiver que ser feito."
"Se tem um estado que precisa de uma chance é o Rio de Janeiro. Quem tem que dar a chance são vocês. Eu não posso falar de eleição, mas é preciso que a gente não acredite que colocar uma raposa no galinheiro, ela vai cuidar das galinhas. Certamente elas vão comer as galinhas. Sejam solidários com ele (Couto), ele tem coragem."
Couto assumiu o governo do Rio em março deste ano. Desde então, o desembargador exonerou pelo menos 4.033 servidores, conforme noticiou a CNN, e vem sendo figura presente nas agendas de Lula pelo estado.
Somente em maio, foram dois compromissos em que Lula exaltou o trabalho do governador. Em um deles, Lula incumbiu a missão de "consertar" o estado para Couto. Na semana seguinte, repetiu os mesmos elogios.
"Eu esqueci de dizer que o governador interino está aqui presente. Eu queria pedir uma salva de palmas para esse homem que vai ajudar a consertar o Rio de Janeiro", disse à época.
Couto assumiu o governo fluminense após a saída de Cláudio Castro (PL) do cargo após o TSE apontar que, junto ao deputado estadual afastado Rodrigo Bacellar (PL), teriam se beneficiado da criação de cerca de 27 mil cargos temporários, em estruturas como a Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro), para favorecer a campanha de reeleição de 2022.
Por ter sido afastado, Bacellar, quem assumiria conforme a linha sucessória do cargo, não pode assumir o cargo, enquanto o vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir uma vaga no TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do RJ).
Desde então, o STF (Supremo Tribunal Federal) está como responsável para definir as regras para a sucessão em caso de mandato-tampão no governo do Rio de Janeiro. O caso começou a ser julgado em abril deste ano e discute qual deve ser o formato da eleição suplementar após a vacância dos cargos de governador e vice-governador e deve ser julgado no dia 19 de agosto, a fim de decidir se será feita uma eleição direta ou indireta.
*Sob supervisão de João Ker