Dilma Bolada nega autoria de fake news sobre Nossa Senhora - 26/09/2026 - Política - Folha

O publicitário Jeferson Monteiro, 36, criador da página de humor na internet Dilma Bolada, negou na noite deste sábado (26) ser o autor de uma notícia falsa de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) pretende tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. "Tentativa de construir uma narrativa e manipular esse debate", disse Monteiro à Folha. "Nunca daria uma declaração falsa", afirmou.

A campanha de Flávio apontou a conta de Monteiro na rede social X como responsável por publicar primeiro o boato. A equipe do candidato do PL na eleição presidencial disse, porém, que desconhecia o dono do perfil. Em nota distribuída à imprensa, o senador informa ter denunciado o caso ao Ministério Público Eleitoral.

Monteiro confirma que é dele a conta no X citada na nota do PL, mas nega ter publicado informação falsa contra Flávio. O publicitário diz ter feito uma publicação na qual declara que católicos não devem votar em candidatos que ameacem a democracia. "Ou seja, católico não deve votar em nenhum Bolsonaro", disse, reproduzindo parte da própria publicação.

Ele acrescentou que suas manifestações contra a suposta retirada do título da padroeira do Brasil eram direcionadas a projetos fomentados pela "extrema direita no passado" e que "hoje encontram respaldo em diversas vertentes extremistas".

A origem do boato estaria em um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli (MT), que foi assessor especial da Presidência da República no governo de Jair Bolsonaro (PL), e arquivado no ano seguinte.

A notícia falsa de que Flávio retomaria a proposta ganhou tração depois que a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, apontou "um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos" que estaria tentando destituir Aparecida da condição de padroeira.

Horas depois, a GloboNews fez uma retratação e afirmou que a informação se baseava em um projeto de lei que, na verdade, foi arquivado quase 20 anos atrás.

Um trecho de um vídeo gravado por Flávio em 23 de agosto também passou a ser usado nas redes sociais para reforçar a tese de que o projeto seria retomado, em caso de vitória.

Na gravação, feita para justificar a decisão de faltar ao debate da TV Bandeirantes, Flávio dizia querer debater com quem não acreditava em Deus. "Quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo", disse o candidato.

A desinformação virou munição de rivais e abriu uma disputa religiosa com aliados de Lula (PT), explorada inclusive pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e pela primeira-dama Janja.

Dilma Bolada ganhou destaque durante gestão da ex-presidente petista

Dilma Bolada foi uma das páginas de humor e paródia política mais populares das redes sociais brasileiras no Facebook e Twitter (atual X). Criado no final de 2011, o perfil apresentava uma versão fictícia e caricata da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A personagem utilizava um tom irônico para comentar o cotidiano político e rebater críticos.

A página levou o criador, o carioca Jeferson Monteiro, a se encontrar pessoalmente com a própria presidente no Palácio do Planalto em 2013.

Em março de 2023, no terceiro e atual mandato de Lula, Monteiro foi nomeado para um cargo na Empresa Brasil de Comunicação, estatal federal de comunicação. Ele permaneceu por cinco meses na função.

Monteiro faz diversas postagens nas redes em apoio ao PT. Ele não é, entretanto, filiado ao partido.