O presidente da câmara de Nova Iorque, Zohan Mamdani, instou o governo dos Estados Unidos a prender o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, caso o governante visite o país, considerando-o um "criminoso de guerra" e o "arquiteto de um genocídio horrível".
"Benjamin Netanyahu é um criminoso de guerra, o arquiteto de um genocídio horrível contra o povo palestiniano", sublinhou Mamdani num vídeo publicado nas redes sociais, acrescentando que o primeiro-ministro israelita "é responsável pela morte de mais de 73 mil pessoas".
O autarca nova-iorquino acusou também Netanyahu de ser responsável de ser "responsável pela mutilação de dezenas de milhares de crianças", por "ataques a centros neonatais e centros de cuidados maternos", pela deixar "inúmeras pessoas morrer à fome por bloquear a chegada de alimentos e ajuda humanitária" e "pelo abate a tiro de centenas de trabalhadores humanitários e jornalistas".
"Há uma razão para o Tribunal Penal Internacional ter emitido um mandado de captura contra ele. Como seres humanos, passámos gerações a construir um entendimento comum de que existem crimes tão graves que ofendem toda a humanidade. Qualquer pessoa com olhos, com coração e com consciência deve reconhecer a devastação que ele provocou e compreender que o seu lugar é perante um tribunal", sublinhou.
Defendendo que o primeiro-ministro israelita "deve ser detido e julgado pelos seus crimes", Mamdani revelou que a sua admnistração "analisou todas as vias disponíveis, ao abrigo da legislação aplicável, para determinar se a cidade de Nova Iorque poderia executar o mandado de captura do Tribunal Penal Internacional".
"É claro que não dispomos de autoridade jurídica independente para executar esse mandado. O governo federal, porém, dispõe dessa autoridade — e apelo-lhe para que se junte ao Tribunal Penal Internacional e execute esse mandado", afirmou.
"Benjamin Netanyahu não é bem-vindo na cidade de Nova Iorque, nem qualquer outro criminoso de guerra em liberdade. Embora não possamos pôr fim ao genocídio sozinhos, podemos decidir se o nosso silêncio se tornará mais uma arma e podemos analisar todas as ferramentas ao nosso dispor para defender a humanidade e a dignidade de todas as pessoas", atirou.
Benjamin Netanyahu is a war criminal. pic.twitter.com/YRezmW6YVx
— Mayor Zohran Kwame Mamdani (@NYCMayor) July 22, 2026
No domingo, o autarca de Nova Iorque adiantou estar a analisar a possibilidade legal de deter o primeiro-ministro de Israel durante a Assembleia-Geral da ONU em setembro.
"Acredito que o primeiro-ministro [Benjamin] Netanyahu deveria estar em Haia. É um criminoso de guerra sujeito a um mandado de captura do Tribunal Penal Internacional" (TPI), disse Zohran Mamdani ao The New York Times. "O que quer que a lei me permita fazer em Nova Iorque é o que faremos", acrescentou.
Em resposta, na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantiu que "Benjamin Netanyahu não será detido, sob qualquer forma que seja, enquanto se encontrar nos Estados Unidos".
A Assembleia-Geral (AG) das Nações Unidas, o grande encontro anual dos líderes de todo o mundo, realiza-se em setembro na sede da ONU, em Nova Iorque.
O presidente da câmara já tinha prometido enviar a polícia municipal para executar mandados de detenção contra os líderes procurados pelo TPI, nomeadamente Netanyahu e o Presidente russo, Vladimir Putin.
Recorde-se que o TPI, sediado em Haia, emitiu mandados de detenção contra Benjamin Netanyahu por crimes de guerra e contra a humanidade na Faixa de Gaza, no âmbito da ofensiva israelita lançada em retaliação ao ataque do Hamas de 07 de outubro de 2023.

Trump responde a hipótese de Mamdani: "Netanyahu não será detido nos EUA"
Donald Trump garantiu que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, não será detido nos Estados Unidos, após declarações do mayor de Nova Iorque, Zohran Mamdani, sobre essa possibilidade. "Benjamin Netanyahu não será detido, sob qualquer forma que seja, enquanto se encontrar nos Estados Unidos", escreveu na Truth Social.
Notícias ao Minuto com Lusa | 18:52 - 21/07/2026