"Os atos graves e frequentes de violência têm de terminar", defendeu o chefe da delegação do CICV para Israel e os Territórios Palestinianos Ocupados, Julien Lerisson, sublinhando que as autoridades israelitas "têm a responsabilidade de proteger a população da violência, mesmo quando esta é perpetrada por colonos" israelitas.
"O Direito Internacional Humanitário tem de ser respeitado no que diz respeito à proteção da propriedade privada e pública e ao acesso da população a serviços essenciais", afirmou o CICV em comunicado de imprensa, lembrando que dezenas de palestinianos foram mortos, centenas ficaram feridos e milhares foram deslocados só este ano.
A organização destacou o impacto humanitário "avassalador da violência" e sublinhou que as restrições de circulação impostas pelas autoridades israelitas impedem o acesso dos doentes a cuidados de saúde, impedem as crianças de frequentar a escola, privam as pessoas das suas casas e meios de subsistência, e levam as famílias e as comunidades a ter "condições de vida intoleráveis".
As autoridades israelitas decretaram uma série de restrições de circulação na Cisjordânia, alegando razões de segurança, dificultando ou mesmo cortando o acesso a locais sagrados, locais de trabalho e escolas.
De acordo com dados monitorizados pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), existem mais de 900 obstáculos físicos ativos que impedem ou limitam a circulação interna e viagens curtas entre cidades vizinhas que habitualmente demorariam minutos estendem-se frequentemente por várias horas.
Além disso, grandes partes do território foram declaradas "zonas militares fechadas", onde os residentes palestinianos enfrentam revistas diárias e restrições rigorosas, enquanto os colonos israelitas circulam sob proteção militar.
Admitindo que Israel "tem o direito de tomar medidas para garantir a sua própria segurança", o CICV sublinhou que Telavive é responsável, enquanto potência ocupante, pela proteção da população palestiniana.
"O respeito pelo Direito Internacional Humanitário e pelas obrigações decorrentes do direito da ocupação são medidas necessárias para restaurar a segurança e a dignidade da população, o que implica proteger a população civil da violência e impedir a expansão dos colonatos civis", concluiu Lerisson.
As operações do exército israelita e os ataques de colonos israelitas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental aumentaram drasticamente desde os ataques de 07 de outubro de 2023, liderados pelo grupo islamita Hamas e que levaram à guerra em Gaza, embora já tivessem sido registados números recorde de mortes nestes territórios durante os primeiros nove meses desse ano.
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