Maduro celebra diálogo antes de reunião na Venezuela - 02/08/2026 - Mundo - Folha

O ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, celebrou "toda possibilidade de diálogo" em uma mensagem publicada em suas redes sociais neste domingo (2). Isto acontece antes da primeira reunião, prevista para esta semana, entre representantes do governo interino da Venezuela e da oposição.

Maduro, de 63 anos, e sua mulher, Cilia Flores, de 69, foram capturados em uma operação militar levada a cabo pelos Estados Unidos em janeiro, e estão presos em uma penitenciária no Brooklyn, acusados de tráfico de drogas e de armas de fogo. Ambos negam todas as acusações.

Após a queda do líder de esquerda, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente o poder. Ela governa sob forte pressão de Washington, que quer promover um diálogo político capaz de levar à definição de um calendário eleitoral e à realização de futuras eleições na Venezuela.

"Falar de um renascimento nacional como meta comum é falar de respeito mútuo na diversidade, de inclusão de todos e todas. Saudamos toda possibilidade de diálogo que ajude a consolidar a paz, a convivência e o reencontro entre os venezuelanos", disse a mensagem divulgada na conta de Telegram de Maduro.

"Façamos de agosto um mês de conquistas extraordinárias, solidariedade comprometida, diálogo sincero e renascimento espiritual para a Venezuela", acrescenta o texto publicado na plataforma de mensagens. Diariamente, aparece ali uma contagem dos dias de seu sequestro e também eventuais comentários em datas patrióticas.

Representantes do governo interino de Delcy Rodríguez e um grupo de opositores apoiados por Washington vão sentar, em Caracas, para uma rodada de diálogos. As conversas, no entanto, ocorrerão sem a participação da principal líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado —ela, que está exilada, afirmou que não irá dificultar o processo.

O julgamento de Maduro e de sua mulher nos Estados Unidos começará em 1º de junho de 2027, disse no fim de julho um tribunal federal de Nova York. Maduro, como afirmou em sua primeira audiência perante a Justiça em Manhattan, em janeiro, sustenta que foi sequestrado e se declara "um prisioneiro de guerra".

Em abril, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos autorizou o pagamento dos honorários dos advogados de Maduro e Flores, o que até então era proibido pelas sanções americanas.