Dave Green, de 60 anos, e Andrea Urmston, de 53, deram-se bem desde que se conheceram a trabalhar no Aeroporto de Manchester, no Reino Unido. Apesar de estranhos até àquele momento, davam-se tão bem que até completavam as frases um do outro (o que mais tarde viria a fazer sentido).
A história começa em 2005. Dave era o responsável pela rodoviária do aeroporto e Andrea fazia a manutenção das máquinas de venda automática. Nos dois anos seguintes tornaram-se amigos próximos - trocavam mensagens de texto e telefonemas quando não estavam a trabalhar.
Numa dessas chamadas, em 2007, Dave contou a Andrea algo que nunca tinha dito: era adotado e o seu nome de batismo era Stuart Proudlove. "Congelei e fiquei sem falar um minuto", recorda Andrea à BBC.
É que o seu nome de solteira era Proudlove e sabia que tinha um irmão que tinha sido adotado antes de ela nascer. "Não é um nome muito comum, tinha de ser ele. Além da família, nunca tinha ouvido esse apelido", acrescentou.
Ligou imediatamente à mãe, Susan, para confirmar a data de nascimento do irmão que nunca conheceu: 24 de março de 1966. As datas coincidiam.
Voltou a ligar a Dave e disse-lhe: "Tens de ser tu, tens de ser tu. Temos de nos ver" e foi buscá-lo. Enquanto conduziam para casa da mãe de ambos, Dave percebeu onde estava.
Estavam a percorrer a mesma rota de autocarro que costumava fazer antes de se tornar gerente - o seu antigo trajeto fê-lo passar em frente à casa da mãe e da escola onde Andrea estudou, durante anos, sem nunca saber que estava a passos da família biológica.
Quando conheceu a mãe, que o tinha tido com apenas 15 anos, "houve muitas lágrimas e abraços", lembram. "Não conseguia acreditar que tinha conseguido reunir o meu irmão com a minha mãe. Foi incrível", disse Andrea.
A mãe tinha-lhe contado que tinha um irmão quando era mais nova. Sabia que ele tinha sido dado para adoção e que tinha ficado aos cuidados de uma mulher que não podia ter filhos.
Susan tinha-o tentado encontrar. Mas sem sucesso. "Queria isso desde que me lembro. Prometi-lhe isso", confessou Andrea.
Na lareira da casa da família havia uma fotografia de Dave em bebé, que tinha sido enviada pelos pais adotivos à mãe biológica dias após a adoção. A mesma fotografia estava também na casa dos pais adotivos.
Dave sabia ser adotado desde que tinha 10 anos, porque os pais lhe mostraram os documentos. Mas diz ter tido uma infância muito feliz e que nunca teve desejo de encontrar a mãe biológica, pois não tinha "perguntas sem resposta".
"Passei de uma situação em que não tinha muitas coisas positivas na minha vida, para descobrir que a minha melhor amiga era a minha irmã", assume Dave.
A mãe, Susan, morreu recentemente, mas ambos disseram estar felizes por ter tido oportunidade de se reencontrar com o filho.
"As coisas nunca mais foram as mesmas nos últimos 20 anos e nunca mais serão, porque tenho a única coisa na minha vida que preciso para torná-la especial", rematou Dave.
Apesar de terem crescido em lugares diferentes, os irmãos descobriram que têm gostos surpreendentemente semelhantes, desde o seu amor por motas, à forma como bebem o chá ou o gosto que têm por "tomato sauce butties" (sandes de manteiga e ketchup).
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