De Bale e Kane a Spence e Romero: Como a política de transferências do Tottenham mudou

De Bale e Kane a Spence e Romero: Como a política de transferências do Tottenham mudou
Bale, Kane, Spence e Romero no Tottenham (Fotos: PRiME Media Images, Action Plus e AFLOSPORT/IMAGO; Arte: Trivela)

Cristian Romero e Djed Spence têm sido jogadores muito cobiçados neste mercado de transferências. Ver suas estrelas serem alvo de outros clubes não é incomum para o Tottenham, mas a forma como a diretoria conduz as negociações nestes dois casos é certa novidade por lá.

Os Spurs normalmente não se inclinavam à possibilidade de se despedir de atletas do time. Transações como as de Luka Modric e Gareth Bale (Real Madrid), Kyle Walker (Manchester City) e Harry Kane (Bayern de Munique) foram, por muitos anos, exemplos da postura do clube londrino nas janelas.

O Tottenham gerido por Daniel Levy sabia do alto prestígio destes jogadores e que os times interessados tinham condições de abrir os cofres. Assim, os Merengues desembolsaram 141 milhões de euros no total pela dupla Modric e Bale. Walker custou 51 milhões de euros aos Citizens, enquanto Kane se mudou para a Baviera por mais de 100 milhões de euros.

Agora, Romero pode acertar transferência ao Atlético de Madrid por cerca de 40 milhões de euros e Spence ir à Internazionale caso os italianos paguem 31 milhões de euros aos Spurs. É uma mudança considerável de estratégia no mercado.

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Tottenham sofreu no mercado por ‘condição Gareth Bale’

O reposicionamento do Tottenham talvez seja até tardio. O clube tinha “receio” de abrir mão de atletas por preços mais baixos, conforme destacou o jornalista Jack Pitt-Brooke, do “The Athletic”, e certamente impactou tentativas de reformulação em temporadas anteriores.

Um exemplo disso ocorreu na era Maurício Pochettino, que teve dificuldades em contar com novidades no plantel e dispensar figuras já carimbadas. “Funcionários diziam, de forma privada, que era como uma piscina que precisava de água fresca. Sem mudanças, a água ficaria parada”, ressaltou o jornalista.

E não faltaram chances aos Spurs. O Manchester United quis Eric Dier em 2017 e estava disposto a pagar 50 milhões de libras pelo zagueiro, o mesmo que o Chelsea daria por Danny Rose. Os Red Devils também quiseram Toby Alderweireld na temporada seguinte por valores de cerca de 55 milhões de libras, de acordo com a imprensa inglesa.

Lembra do hat-trick de Lucas Moura sobre o Ajax na semifinal da Champions League 2018/19? O desempenho magistral do brasileiro o colocou na mira do Napoli, que, conforme apurou a imprensa europeia, poderia até envolver o centroavante Arkadiusz Milik no negócio.

Lucas Moura celebra hat-trick pelo Tottenham na Champions
Lucas Moura celebra hat-trick pelo Tottenham na Champions (Foto: IMAGO/ANP)

O Tottenham perdeu o ‘timing‘ das transferências e sofreu por isso. Dier saiu em 2024 por empréstimo junto ao Bayern a uma taxa de 4 milhões de euros. Os alemães o mantiveram no time efetivamente meses depois de graça. A movimentação de Danny Rose foi semelhante. Foi emprestado ao Newcastle em 2020 por 2 milhões de libras e, no ano seguinte, se transferiu gratuitamente ao Watford.

Alderweireld permaneceu no Tottenham Hotspur Stadium até 2021, quando o Al-Duhail, do Catar, concordou em contratá-lo por 13 milhões de euros. Já Lucas não custou nada ao São Paulo para ser repatriado em 2023.

Em quase todos os casos, o Tottenham falhou em vender no momento certo. Eles perderam a oportunidade de transferir jogadores quando estavam no auge e havia um mercado genuíno para eles. Parecia que o Tottenham só venderia sob uma coisa que se pode chamar de ‘condição Gareth Bale’ — afirmou Pitt-Brooke.

A exceção, ressaltou o jornalista, foi a venda de Kieran Trippier ao Atlético de Madrid em 2019. O lateral deixou o clube inglês por cerca de 20 milhões de libras.

Vinai Venkatesham, CEO do Tottenham
Vinai Venkatesham, CEO do Tottenham (Foto: IMAGO/Mark Pain)

O caminho tomado pelos Spurs nas últimas janelas pode fazer com que casos como o de Trippier passem de exceção a regra — e muito em função da mudança no comando. Levy deixou a presidência do clube em setembro de 2025 após 25 anos no comando. Vinai Venkatesham assumiu como CEO e Peter Charrington como presidente não-executivo.

Sob a nova diretoria, Brennan Johnson foi negociado com o Crystal Palace por 35 milhões de libras, acordo que sinalizou pela primeira vez a mudança de posicionamento do clube acerca de transferências.

Esse tipo de estratégia pode ser o que o Tottenham precisava para promover renovação de elenco e fazer as engrenagens se moverem adequadamente. Isso porque, em outras vertentes do mercado, as coisas parecem mais calibradas.

Foram feitos investimentos pesados em contratações nesta temporada — como Sandro Tonali e Mateus Fernandes — e nas políticas de salários com foco em viabilizar renovações como as de Pedro Porro e Micky van de Ven, segundo o “The Athletic”.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes. Se formou em Comunicação Social em 2019.