De campeão brasileiro à XP: como lesões mudaram a vida do ex-atleta Vinícius Freitas

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Vestir a camisa do Cruzeiro campeão brasileiro de 2013, atuar na Itália e ser convocado para a seleção brasileira sub-21 pareciam consolidar um caminho no futebol.

No entanto, uma sequência de lesões reduziu espaço, propostas e salários, até obrigar o lateral-esquerdo com passagem por grandes clubes a reconstruir a própria identidade longe dos gramados.

Vinícius Freitas foi o convidado do episódio 13 da 4ª temporada do programa Mapa Mental, no canal GainCast.

Hoje assessor de investimentos na XP, o ex-jogador contou como o fim precoce da carreira abriu espaço para uma nova missão: melhorar a educação financeira de atletas e ajudá-los a proteger o patrimônio.

A virada de carreira

A virada começou em 2018, quando Freitas retornou ao Brasil para defender a Chapecoense e precisou operar o púbis. A lesão não encerrou sua trajetória, mas abriu um período de limitações que mudaria o rumo da carreira.

“Foi ali onde iniciou, digamos assim, a minha decadência como jogador”, reconhece.

Depois, a pandemia o deixou quase um ano parado, enquanto uma lesão no joelho esquerdo agravou o quadro. Com menos oportunidades, ele percebeu que já não ocupava o mesmo espaço.

“O meu telefone toca, mas não é mais para time de série A, é série B, é série C, então o ticket já vai diminuindo”, relata.

Além da dor física, havia o conflito de aceitar que a mente ainda queria competir, enquanto o corpo já não respondia. Freitas, então, buscou acompanhamento psicológico.

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“Eu procurei ajuda psicológica e isso me ajudou muito, me libertou, digamos assim”, conta Freitas. “Falei coisas ali que nunca falei com a minha mulher, com os meus pais.”

Com o apoio, ele começou a compreender que encerrar a carreira não apagava o caminho construído nem significava fracasso.

A saída dos gramados se tornou parte de uma transformação ampla, que alterou sua identidade profissional. “Foi um período em que eu amadureci muito como pessoa. Hoje eu falo com muito mais tranquilidade, porque foi um período difícil”, diz o ex-atleta.

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Influência do irmão

A aproximação com investimentos havia começado antes da aposentadoria. Desde 2014, o irmão de Freitas organizava sua carteira e compartilhava conhecimentos sobre o mercado.

A convivência plantou a ideia de uma nova profissão justamente quando ele avaliava permanecer no futebol. “O meu irmão montou a minha primeira carteira de investimentos. Então nunca fui leigo no assunto”, recorda.

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Quando precisou escolher o próximo passo, Freitas se dividiu entre usar seus contatos no futebol e ingressar no mercado financeiro. O irmão, já inserido no setor e hoje com ele na XP, ajudou a inclinar a decisão.

“Eu estava na dúvida de ir pro futebol ou ir pro mercado, e meu irmão ali plantando aquela sementinha”, conta.

Mesmo após um curso de gestão de futebol em Roma, o ex-lateral acreditou que poderia gerar mais impacto fora dos gramados. Sua experiência abria acesso a atletas sem orientação financeira especializada.

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“Acho que isso faz sentido, porque quando você procura algo que de fato vai fazer a diferença na vida das pessoas, acho que faz sentido”, explica.

Atualmente, Freitas atua na XP como assessor de investimentos e possui a certificação da Ancord.

Como próximo passo, pretende aprofundar sua formação e conquistar a certificação CFP para se tornar planejador financeiro e ampliar sua atuação no planejamento patrimonial de longo prazo.

“Quero me capacitar, quero ser, quem sabe futuramente um planejador financeiro, um CFP”, projeta.

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Na relação com os clientes, ele afirma que o primeiro compromisso deve ser com a transparência, inclusive quando um ativo não entrega o desempenho esperado.

Para o ex-jogador, antecipar uma notícia negativa demonstra interesse real pelo patrimônio acompanhado. “Eu aprendi na vida a sempre falar a verdade para o cliente”, sustenta.

Nesse trabalho, a experiência como atleta orienta sua assessoria. Freitas procura compreender os objetivos de cada investidor, antecipar notícias ruins e respeitar a palavra final do cliente, mesmo quando ela diverge da estratégia sugerida.

“Quem decide na ponta final é o cliente. A gente tem de fazer sempre a vontade do cliente”, afirma.

A escolha de atender atletas nasceu de uma realidade observada no futebol: salários elevados, carreiras curtas e falta de controle financeiro. Como exemplo, Freitas cita jogadores que recebem até R$ 1,5 milhão e gastam R$ 2 milhões por mês.

“Eu vi na prática que os jogadores eram muito mal assessorados. O jogador ganha R$ 800 mil, R$ 1,5 milhão por mês, mas gasta R$ 2 milhões. Então não tem controle”, alerta.

Por isso, seu propósito é ajudar jogadores a encerrar a carreira com patrimônio estruturado e liberdade para definir o próximo passo.

Embora tenha os atletas como principal nicho, Freitas também pretende atender empresários e celebridades. “Eu vejo que, quando você tem dinheiro, você tem escolha. Sem dinheiro você não tem escolha”, destaca.

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