De Mappin a Saraiva: relembre gigantes do varejo brasileiro que quebraram

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Fachada da Livraria Saraiva no Morumbi Shopping, em São Paulo (SP)
Fachada da Livraria Saraiva no Morumbi Shopping, em São Paulo (SP) (Saraiva/Divulgação)

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O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia, apresentado no domingo, 16, acrescentou um novo capítulo à história das crises no varejo brasileiro. A companhia pretende renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas e manter suas operações durante o processo.

O pedido envolve dez empresas do grupo, incluindo as responsáveis pelas marcas Casas Bahia e Ponto, pelo comércio eletrônico do Extra e pela fabricante de móveis Bartira. A rede já anunciou o fechamento de 298 lojas e a demissão de aproximadamente 3. 000 funcionários.

A recuperação judicial, no entanto, não significa falência. O mecanismo permite que uma companhia continue funcionando enquanto negocia com seus credores sob supervisão da Justiça. A Casas Bahia afirma que pretende reorganizar as dívidas, preservar o caixa e concentrar recursos nas operações mais rentáveis.

A crise remete à trajetória de outras redes que já dominaram o comércio brasileiro, mas desapareceram ou reduziram drasticamente suas operações. Algumas tiveram a falência decretada; outras fecharam as lojas antes de chegar a essa etapa.

Mappin

Fundado em 1913, o Mappin tornou-se uma referência do comércio de São Paulo. Sua unidade na Praça Ramos de Azevedo, no centro da capital, reunia departamentos de roupas, móveis, eletrodomésticos e outros produtos.

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A rede começou a enfrentar dificuldades financeiras na década de 1990 e foi vendida ao empresário Ricardo Mansur em 1996. Três anos depois, acumulava cerca de R$ 1,2 bilhão em dívidas e mais de 300 pedidos de falência.

A Justiça decretou a falência em julho de 1999. Cerca de 2. 000 funcionários ficaram sem emprego. A marca seria posteriormente comprada pela Marabraz, que tentou relançá-la no comércio eletrônico.

Mesbla

A Mesbla começou a operar no Brasil em 1912 e chegou a ter aproximadamente 180 lojas e mais de 28. 000 funcionários. Durante décadas, foi uma das principais lojas de departamentos do país.

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A empresa entrou em crise após acumular estoques excessivos e perder espaço para concorrentes mais especializados, hipermercados e shopping centers. O fim da inflação elevada após o Plano Real também expôs problemas financeiros que antes eram parcialmente encobertos pelos reajustes frequentes dos preços.

Ricardo Mansur comprou a Mesbla em 1997, quando já controlava o Mappin. A tentativa de unir as duas empresas não prosperou, e ambas tiveram a falência decretada em 1999. A Mesbla devia aproximadamente R$ 1 bilhão.

G. Aronson

Criada em 1944, a G. Aronson ganhou espaço com a venda financiada de móveis e eletrodomésticos. A rede chegou a manter dezenas de unidades e ficou conhecida entre consumidores de menor renda em São Paulo.

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A dependência do crédito também aumentou sua exposição à alta dos juros e à inadimplência. Em 1998, a empresa entrou em concordata, mecanismo anterior à atual recuperação judicial.

Sem recursos para pagar fornecedores e renovar os estoques, a G. Aronson fechou as últimas lojas em junho de 1999. Naquele momento, acumulava cerca de R$ 65 milhões em dívidas.

Lojas Arapuã

Fundada no interior de São Paulo, a Arapuã chegou a ter 265 lojas e esteve entre as maiores redes brasileiras de eletrodomésticos nos anos 1980 e 1990.

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A crise asiática de 1997 levou o governo brasileiro a elevar os juros para conter a saída de recursos do país. A medida atingiu diretamente as empresas dependentes das vendas parceladas. A inadimplência dos clientes da Arapuã aumentou e os créditos em atraso chegaram a cerca de R$ 550 milhões em 1998.

A empresa pediu concordata naquele ano, mas não conseguiu cumprir o acordo com os credores. A falência foi decretada pelo Superior Tribunal de Justiça em 2009. Depois de uma nova disputa judicial, o STJ manteve a quebra da companhia em 2020.

Lojas Brasileiras

Concorrente direta das Lojas Americanas, a Lojas Brasileiras — conhecida como Lobrás — foi fundada em 1944 e chegou a operar em boa parte do país.

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Controlada pela família Goldfarb, dona da Marisa, a empresa acumulou três anos consecutivos de prejuízos. Em 1999, possuía 63 unidades em vinte estados, empregava milhares de pessoas e acumulava cerca de R$ 100 milhões em dívidas.

A família decidiu encerrar a operação para evitar que os prejuízos afetassem a Marisa. Parte dos pontos comerciais foi transferida para a rede de moda. Diferentemente de Mappin e Mesbla, a Lobrás fechou as portas sem ter a falência decretada naquele momento.

Ricardo Eletro

A Ricardo Eletro cresceu rapidamente a partir de Minas Gerais e, depois de uma série de fusões, passou a integrar a Máquina de Vendas, grupo que também reuniu as marcas Insinuante, City Lar, Eletro Shopping e Salfer.

No auge, a companhia teve cerca de 30. 000 funcionários e faturamento anual próximo de R$ 10 bilhões. A expansão, porém, foi acompanhada por um endividamento elevado.

Em agosto de 2020, o grupo pediu recuperação judicial com dívidas de aproximadamente R$ 4 bilhões e fechou centenas de lojas. A falência chegou a ser decretada em 2022, mas foi suspensa e posteriormente revertida. A operação tentou retornar ao varejo físico com o nome Nossa Eletro e permanece vinculada ao processo de recuperação.

Saraiva

Fundada em 1914, a Saraiva tornou-se uma das maiores redes de livrarias do Brasil. A companhia ampliou sua presença ao comprar a Siciliano em 2008, mas passou a enfrentar dificuldades com o avanço do comércio eletrônico, os aluguéis elevados e a retração do mercado editorial.

A empresa pediu recuperação judicial em 2018. Após anos de fechamento de lojas e tentativas de reestruturação, encerrou suas últimas unidades físicas em 2023. A falência foi decretada pela Justiça em outubro daquele ano.

No caso da Casas Bahia, as lojas e os canais digitais continuam funcionando. A empresa ainda deverá apresentar um plano de pagamento, que será analisado pelos credores e pela Justiça.

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