Presidente venezuelana diz que reconstrução vai contemplar a vertente humana, em áreas como educação e trabalho, apelando aos venezuelanos para não perderem a fé
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, assegurou esta sexta‑feira que o seu Governo está a trabalhar num "plano‑mestre" para a reconstrução do país, um mês após os sismos que provocaram mais de 5.500 mortos.
"Vocês sabem que estamos a trabalhar num plano‑mestre para a Venezuela, para La Guaira (...), que permita a recuperação integral das infraestruturas e habitações", afirmou a dirigente numa cadeia de oração transmitida pela televisão estatal VTV a partir de La Guaira, o estado mais afetado pelos sismos.
Rodríguez acrescentou que a reconstrução deve também contemplar a vertente humana, em áreas como educação e trabalho, apelando aos venezuelanos para não perderem a fé.
Um grupo de 39 organizações não‑governamentais exigiu igualmente que sejam publicados de forma periódica, acessível e verificável os planos completos de reconstrução. As ONG pediram ainda que sejam incluídos critérios de priorização, cronogramas, orçamentos e mecanismos de prestação de contas, segundo um comunicado de uma das ONG, a Laboratório de Paz.
Especialistas continuam a calcular o valor exato da reconstrução após os sismos desvastores, mas estimam que o custo ultrapasse os 12 mil milhões de dólares (10,9 mil milhões de euros), o equivalente a 10,9% do PIB venezuelano.
Em 24 de junho, dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas.
De acordo com o balanço oficial divulgado esta sexta‑feira, o duplo sismo causou 5.546 mortos, 16.740 feridos e deixou cerca de 18.000 pessoas sem casa.
Entre os mortos, há pelo menos 133 portugueses e lusodescendentes, e outros 21 estão dados como desaparecidos, de acordo com os dados mais recentes do Ministério dos Negócios Estrangeiros português.