O eclipse solar não será o único fenómeno astronómico a marcar esta quarta-feira. Poucas horas depois de a Lua passar em frente ao Sol, o céu volta a dar espetáculo com o pico das Perseidas, uma das chuvas de meteoros mais conhecidas do ano.
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A melhor altura para observar as chamadas “estrelas cadentes” será durante a madrugada de quinta-feira, quando a atividade das Perseidas deverá atingir o máximo. E 2026 traz uma circunstância particularmente favorável: a Lua está em fase de Lua Nova, deixando o céu sem o brilho lunar que, noutros anos, dificulta a observação dos meteoros menos luminosos.
De acordo com a International Meteor Organization (IMO), as Perseidas podem atingir este ano uma taxa zenital horária próxima dos 100 meteoros por hora em condições ideais. Isso não significa, contudo, que seja possível contar 100 estrelas cadentes numa hora a partir de qualquer ponto do país.
Num local rural, com pouca poluição luminosa e boas condições meteorológicas, poderão ser observadas algumas dezenas de meteoros por hora durante o período de maior atividade.
A que horas deve olhar para o céu?
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As Perseidas podem ser observadas ao longo da noite, mas as condições melhoram depois da meia-noite, à medida que o radiante — o ponto do céu de onde os meteoros parecem surgir — ganha altura.
O período mais favorável deverá ocorrer já durante a madrugada de quinta-feira, sobretudo nas últimas horas antes do amanhecer. As previsões apontam para maior atividade aproximadamente entre as 04h00 e as 06h00.
Não é, porém, necessário esperar exatamente por essa janela. As Perseidas estão ativas há várias semanas e os meteoros poderão surgir durante toda a noite.
Segundo a IMO, a chuva de meteoros permanece ativa entre 17 de julho e 24 de agosto.
Lua Nova cria condições especialmente favoráveis
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Um dos fatores que tornam as Perseidas deste ano particularmente interessantes é precisamente a ausência de luar.
A Lua Nova ocorre esta quarta-feira, o que significa que, durante a madrugada do pico, praticamente não haverá luz lunar a interferir com a observação.
A diferença pode ser significativa. Quando a Lua está cheia ou muito iluminada, o seu brilho esconde os meteoros mais fracos e reduz substancialmente o número que é possível observar.
Desta vez, o principal obstáculo deverá ser outro: a poluição luminosa e, dependendo da região, a presença de nebulosidade.
Onde ver as Perseidas em Portugal?
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Para observar a chuva de meteoros, quanto mais longe das grandes cidades, melhor.
Zonas rurais e locais afastados de iluminação artificial oferecem as melhores condições. O Dark Sky Alqueva, no Alentejo, é uma das referências nacionais para observação astronómica, mas existem outras possibilidades no interior do país.
Trás-os-Montes, Serra da Estrela e zonas afastadas dos principais centros urbanos no Minho e no interior Centro são algumas das opções, desde que o céu esteja limpo e exista um horizonte suficientemente aberto.
Não é necessário procurar especificamente a constelação de Perseu. Embora seja dessa região do céu que os meteoros parecem irradiar, podem surgir em praticamente qualquer direção.
Aliás, observar uma área mais afastada do radiante permite muitas vezes acompanhar rastos mais longos.
Não precisa de telescópio
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Ao contrário do eclipse solar, observar as Perseidas não exige qualquer equipamento ou proteção especial.
Telescópios e binóculos também não ajudam: como os meteoros atravessam rapidamente diferentes zonas do céu, a melhor forma de os observar é a olho nu e com o maior campo de visão possível.
É aconselhável permanecer entre 20 e 30 minutos num local escuro para permitir que os olhos se adaptem à falta de luz. Durante esse período, deve evitar-se olhar para o telemóvel ou outras fontes luminosas.
Depois, resta esperar. Os meteoros não aparecem a intervalos regulares: podem surgir vários num curto espaço de tempo e seguir-se alguns minutos sem qualquer atividade visível.
O que são as “estrelas cadentes”?
Apesar do nome popular, não são estrelas.
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As Perseidas são meteoros provocados por pequenas partículas deixadas pelo cometa 109P/Swift-Tuttle. Todos os anos, a Terra atravessa a região da sua órbita onde permanecem esses detritos.
Quando entram na atmosfera terrestre a grande velocidade — no caso das Perseidas, cerca de 59 quilómetros por segundo —, as partículas aquecem e produzem os rápidos traços luminosos observados no céu.
É este fenómeno que cria a chuva de “estrelas cadentes”.
Eclipse e Perseidas com poucas horas de diferença
A coincidência torna esta quarta-feira particularmente invulgar para quem gosta de observar o céu.
Primeiro, o eclipse solar será visível em Portugal de forma parcial, enquanto algumas regiões de Espanha estarão dentro da faixa de totalidade. Depois do anoitecer, as atenções passam para as Perseidas.
E as condições astronómicas dificilmente poderiam ser mais favoráveis: o pico de uma das chuvas de meteoros mais populares do ano coincide praticamente com a Lua Nova.
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Para quem quiser assistir aos dois fenómenos, será uma longa jornada de observação: eclipse ao final do dia e, algumas horas depois, dezenas de “estrelas cadentes” a atravessar o céu.