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"Quente e Frio", edição para segunda-feira, 03 de agosto. Eu sou o Nelson Ferreira e comigo está a Filomena Martins. Olá, Filomena.
Olá, Nelson.
Bem dizias tu que ia chover e choveu hoje aqui na região de Lisboa. Acordei com chuva, mas é chuva de pouca dura.
É, isto só um bocadinho pra gente se lembrar que ainda chove. Isto até acabou por ser menos abrangente do que se esperava há apenas dois ou três dias. Algumas regiões chegaram a ter previsão de chuva, como Lisboa. Na prática, o que choveu-
Foi pouco
...foi pouquíssimo.
Uma mofa.
E muitas cidades acabaram por ficar de fora. Foi só fumaça. Ou melhor, foi uma daquelas chuvas molha-parvos, como lhes chamamos.
É verdade.
Mas é um bom exemplo de como basta uma depressão seguir um trajeto um bocadinho diferente, um bocadinho mais acima, para mudar completamente as zonas onde chove. E indo à tua pergunta direta, durante esta terça-feira ainda poderá chover em alguns pontos do Minho, do Douro litoral, até das Beiras. Cidades como Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Ovar, Viseu ainda podem registar alguns aguaceiros, sobretudo durante a manhã e até o início da tarde, mas a chuva depois desaparece ao longo do dia e o tempo estabiliza gradualmente.
As temperaturas baixaram um bocadinho ao longo do dia de hoje, mas vai regressar o calor?
Vai. Na Madeira já chegou e na Madeira a situação merece atenção. O IPMA mantém avisos de tempo quente, laranja para as regiões montanhosas e amarelo para a costa sul e para outras zonas da ilha, devido a essa persistência das temperaturas muito elevadas. No Funchal até só estão 30 graus, mas as zonas mais quentes vão ser temperaturas muito superiores a estas. Já nos Açores, não podemos esquecer dos Açores, já que falamos da Madeira, o cenário é bem diferente e a passagem de depressões atlânticas sucessivas, havemos de falar nisso, por que elas batem sempre nos Açores, vai manter períodos de chuva e vento ao longo dos próximos dias. Por cá, já falamos terça, portanto quarta-feira marca, de fato, o regresso do tempo seco e quente. Começa o calor a ganhar muita força. As temperaturas sobem primeiro no interior, sempre, e entre quinta e sexta-feira muitas localidades do Norte, do Centro e do Alentejo voltam aos 34, 35, 36 graus. E em cidades como Évora, Castelo Branco, Beja, Portalegre e até Bragança, já vamos ali atingir uns valores bem elevados.
Tudo mais no interior, isso quer dizer que junto ao mar continua mais fresquito?
Sim, continua a influência do Atlântico e, portanto, vai ficar, enquanto o interior anda em média nos 35, ali Porto, Aveiro, Viana do Castelo, ficará por uns 24 a 26. Menos no Algarve. O sol vai dominar durante toda a semana e até na próxima semana e as máximas deverão andar entre os 36 e 35. O Algarve é bastante quentinho. E sobretudo no sotavento, as temperaturas mínimas, portanto as noites, continuam acima dos 20 graus, não baixam. Ou seja, estão com noites tropicais que não vão dar tréguas. Está difícil aquilo lá para baixo. Depois, no próximo fim de semana, já estamos vivendo e eu já estou a falar do próximo, porque o calor se vai estender praticamente a todo o país. Praticamente não haverá uma capital de distrito que não esteja acima dos 30 graus. Uma ou outra cidade aqui no Norte, junto ao Atlântico, mais junto à costa. De resto, tudo acima dos 30 e a tendência é prolongar-se, porque os modelos indicam que o calor se vai intensificar novamente na próxima semana e os distritos do interior voltam a estar todos acima dos 35 graus.
Vamos aqui aos fenômenos que trazes sempre ao "Quente e Frio", e já que foi precisamente uma pequena depressão de verão que conseguiu interromper o calor dos últimos dias. Afinal, o que é exatamente uma depressão? Sempre tive ideia que é uma coisa do inverno.
Depressão é aquilo que eu tenho no inverno.
Eu também, todos nós.
Porque detesto, mas nas últimas semanas, de fato, voltamos a ouvir falar várias vezes em depressões. E sim, foi uma delas que trouxe esta breve pausa no calor e alguma chuva no Norte e Centro do país. E uma depressão é simplesmente uma zona de baixa pressão atmosférica, porque o ar sobe, arrefece, forma nuvens e aumenta a probabilidade de chuva e vento. É por isso que as depressões estão normalmente associadas ao tempo mais instável, portanto, mais no inverno. É preciso ter atenção, uma depressão não é sinônimo de temporal, nada disso. Algumas passam perfeitamente despercebidas, provocam apenas alguns chuviscos e uma descida ligeira nas temperaturas. Mas sim, sobretudo no inverno, outras conseguem ganhar muita energia e evoluir pra sistemas muito intensos, capazes de provocar vento forte, chuva persistente, forte agitação marítima. E ouvimos falar muito delas porque o Atlântico está muito mais ativo e também o nosso anticiclone dos Açores muda de posição e ele é uma espécie do nosso chapéu de chuva para estas depressões, tapa ali tudo, e nessa altura não o faz e deixa passar às nossas latitudes e, por vezes, nessa altura, forma-se o tal comboio de depressões, que o ano passado ficou tão conhecido, com vários sistemas a atravessarem o oceano uns atrás dos outros, há quase uma autoestrada pra isso acontecer. E algumas delas podem ser graves. Vimos como é que aconteceu o ano passado. No verão, elas existem, são mais fracas, passam normalmente mais a norte e quando uma consegue descer até a Península Ibérica, como aconteceu agora, é apenas uma breve pausa no calor durante dois ou três dias, antes do anticiclone voltar a reforçar-se.
Também tenho uma curiosidade, que é por que recebem nomes e acho que tem um bocadinho com o sítio onde são identificadas, não é?
Sim, mas nem todas recebem. Apenas as depressões que podem provocar impactos significativos, ou seja, quando elas chegam e se percebe que os impactos que elas vão ter em terra vão ser importantes, vão ser graves, devido a esse vento, chuva, neve ou agitação marítima, elas ganham nomes pelos serviços meteorológicos europeus. Em Portugal, essa decisão é tomada em conjunto pelo IPMA, pela AEMET de Espanha, pelo Météo-France e pelo Serviço Meteorológico do Luxemburgo, que têm uma lista conjunta de nomes que formam, e a época de nomeação é agora entre o 1 de setembro e 31 de agosto do ano seguinte, que acompanha o período em que esses sistemas são mais frequentes. Ou seja, nem todas as depressões são iguais, nem todas recebem nomes e não podemos confundir estas pequenas depressões de verão, que é só para interromper o calor por uns dias, com as grandes depressões do outono e do inverno, essas sim, capazes de provocar verdadeiros temporais.
E depois eles têm esta lista de nomes para atribuir, que vai ser agora definida no início de setembro, e depois vai por ordem alfabética, consoante vão passando.
Com nomes de mulheres.
Exato.
E não, não é só nomes de mulheres.
Não é só, mas são as mais intensas.
São sempre as mais intensas.
É verdade. Olha, vamos a uma curiosidade, porque parece que na Califórnia há uma onda de calor vinda do oceano que está a matar aves.
Sim, é mesmo uma onda de calor que não vem do oceano, está no oceano. O oceano está tão quente, e ali estamos a falar já do El Niño, e nós já falámos das ondas de calor marinho por causa do Mediterrâneo também, e dos seus efeitos que não afetam apenas as pessoas. E esta onda na Califórnia fez com que centenas de pelicanes, mergulhões e os corvos marinhos tenham aparecido ou muito debilitados ou já mortos, devido a uma dessas ondas de calor no mar, porque aqueceu muito acima do normal ou está a aquecer as águas do Pacífico. E isto à primeira vista parece estranho, afinal a água mais quente deveria significar mais vida, mais comida, mas acontece precisamente o contrário. Muitos dos pequenos peixes que andavam ali à borda agora dependem de águas mais profundas e mais frias e vão para outras zonas do oceano mais para diante. E as aves têm de voar imenso para lá chegar, gastam muito mais energia e depois não conseguem recuperar. E depois quando as apanham, elas chegam aos centros de recuperação completamente desnutridas e muitas acabam por morrer. Em vários casos, os veterinários encontram as aves completamente magras e exaustas. E os cientistas estão a alertar que estas ondas de calor marinhas estão a tornar-se mais frequentes e mais intensas e que os impactos que ficam debaixo d'água alteram toda a cadeia alimentar, afetam a pesca, os mamíferos marinhos, as aves, e mostram que o aquecimento dos oceanos pode desequilibrar aqui uma série de ecossistemas inteiros, muito para além daquilo que a gente vê à superfície, e até custamos dar um mergulho.
E é o que está a acontecer, pelos vistos, na Califórnia, com esta curiosidade. Fica por aqui a edição de hoje do "Quente e Frio". Amanhã estamos de novo com a Filomena Martins para saber que tempo faz nos próximos dias. Até amanhã, Filomena.
Até amanhã.