A declaração foi feita após a presidente da estatal, Magda Chambriard, confirmar a descoberta de petróleo na região, parte da chamada Margem Equatorial, em conferência de imprensa em Oiapoque, no litoral do estado do Amapá, na presença de Lula.
"Isso aqui [petróleo na Foz do Amazonas] pode se chamar passaporte para o futuro desse país", declarou Lula, argumentando que os recursos custearão a transição energética e o desenvolvimento económico do país e do estado do Amapá.
"E quando eu falo passaporte para ao futuro desse país, eu não estou negando a minha luta para que um dia a gente não precise usar mais combustível fóssil", adiantou Lula, cuja autorização ambiental para a Petrobras pesquisar petróleo na região foi criticada.
"O país vai continuar sendo um país rei em biocombustíveis, e muito grande na questão dos combustíveis renováveis", frisou.
O Presidente brasileiro salientou ainda que conheceu hoje uma máquina da Petrobras capaz de "fechar o poço de petróleo" em caso de "incidente", numa comparação com o vazamento de petróleo no Golfo do México, em 2010.
A Margem Equatorial estende-se dos estados do Amapá até o Rio Grande do Norte, na região do Nordeste, e conta com cinco bacias de petróleo: Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.
A exploração de petróleo na bacia da Foz do Amazonas é considerada estratégica pela Petrobras para a ampliação das suas reservas, mas enfrenta críticas de órgãos ambientais e outras entidades.
Organizações ecologistas são contrárias e críticas da exploração de petróleo na região, que consideram de "extrema sensibilidade" por albergar reservas ambientais, territórios indígenas, mangais e recifes de coral, com diversidade marinha incluindo espécies em perigo de extinção.
A exploração de petróleo na Foz do Amazonas é também um ponto sensível no terceiro mandato de Lula da Silva e provocou fissuras entre o Ministério de Minas e Energia e o Ministério do Ambiente e das Mudanças Climáticas.
A Petrobras anunciou na última sexta-feira ter identificado hidrocarbonetos no bloco FZA-M-59, no poço Morpho, a 175 quilómetros do litoral do Amapá, numa profundidade de 2.886 metros.
O anúncio da semana passada, segundo a Petrobras, mostrava apenas indícios de descoberta de petróleo e gás na Foz do Amazonas, o que só foi confirmado hoje.
A presidente da Petrobras disse hoje que a perfuração do poço ainda levará de 15 a 20 dias para terminar e que depois será possível estimar o tamanho da reserva de petróleo.
"Temos petróleo, temos descoberta (...) Ainda precisamos delimitar a descoberta, saber quanto petróleo de fato existe nessa área", declarou.
"Estão previstos mais três poços para perfuração nessa região. Além disso, há outros cinco poços em áreas adjacentes. É esse gigantesco esforço exploratório que vai nos dizer o real potencial da região", completou.
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