Quanto ao resto do país, o eclipse solar é parcial - de 92 por cento a 99 por cento em território continental e entre 74 por cento e 77 por cento nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. O eclipse do sol vai começar perto das 18h30 desta quarta-feira (termina às 20h29) e o ponto alto acontecerá pelas 19h30.
Os astrónomos explicam que, apesar de todos os eclipses solares terem origem no mesmo fenómeno (a Lua passar à frente do Sol), a geometria do sistema Terra-Lua-Sol dá origem a três espetáculos completamente distintos. Há mais de 100 anos (desde 1912) que Portugal não conseguia estar na posição certa para ver um eclipse total do Sol.
A chave está na posição do observador e no tamanho aparente que a Lua apresenta em cada momento da sua órbita.
Cientistas da NASA preparados para observar o eclipse | EPA
O eclipse solar total é o mais espetacular e também o mais raro (os outros dois são o eclipse solar anular e o eclipse solar parcial).
Telejornal | 11 de agosto de 2026
A escuridão total ocorre quando a Lua cobre completamente a fotosfera (a superfície brilhante visível do Sol). Neste caso, só quem estiver dentro de uma estreita faixa denominada "umbra" é que pode ser testemunha do eclipse total. Ou seja, o céu escurece, a temperatura pode descer vários graus e tornam-se visíveis os planetas e as estrelas mais brilhantes.
À Lusa Lina Canas, astrónoma e diretora do Centro Ciência Viva (CCV) de Constância – Parque de Astronomia, no distrito de Santarém – recorda os efeitos do eclipse total que testemunhou em 2016, nas ilhas Molucas, na Indonésia.
Então, o eclipse solar total foi “uma experiência sensorial completamente diferente, capaz de alterar temperatura, vento e comportamento dos animais”. “Nós sentimos a temperatura baixar, sentimos um vento a levantar” enquanto os animais alteraram o seu comportamento. Por exemplo, o regresso das aves aos ninhos com a escuridão a aproximar-se.
Por esta razão, o comportamento animal vai ser estudado durante o eclipse no Parque Natural de Montesinho.
Sendo verdade que nunca é seguro olhar diretamente para o Sol, seja qual for o dia, durante o eclipse os avisos multiplicam-se. Isto porque a escuridão permite o olhar direto e também pode dar uma falsa sensação de segurança ocular.“O tempo de exposição ao Sol necessário para causar danos na retina é de apenas alguns segundos”, destaca a Direção-geral de Saúde (DGS).
De acordo com a DGS, os óculos de sol comuns, radiografias, vidros fumados, lentes ou outros materiais improvisados não oferecem proteção adequada para ver o eclipse, por não serem capazes de filtrar toda a radiação nociva para os olhos.
A exposição pode provocar danos nas células dos olhos e, em situações mais graves, a cegueira. A cegueira “pode ser irreversível” e a perda de visão pode não ser imediatamente aparente.
Foto: Reuters
A DGS já divulgou recomendações para a observação segura do eclipse solar.
- A observação do eclipse deve ser feita exclusivamente com óculos certificados para eclipse solar, em conformidade com a norma ISO 12312-2 e com marcação CE;
- A DGS recomenda cuidados especiais com as crianças, referindo que os bebés e as crianças pequenas não devem olhar diretamente para o Sol, mesmo utilizando óculos para eclipse;
- As crianças que utilizem óculos certificados devem ser sempre acompanhadas por um adulto, que confirme a utilização correta durante toda a observação;
- Sempre que possível, devem ser privilegiadas formas indiretas e seguras de observar o eclipse, como transmissões em direto ou projeções da imagem do Sol.
Se, durante ou após o eclipse, surgirem sintomas como visão turva ou distorcida, manchas ou pontos negros no campo visual, alteração da perceção das cores, diminuição ou perda súbita da visão ou dor ocular intensa, a Direção-geral de Saúde aconselha o contacto imediato para a Linha SNS 24 (808 24 24 24).