Diversas falhas agravaram devastação dos incêndios em Los Angeles em 2025

A análise do Fire Safety Research Institute, do UL Research Institutes, divulgada hoje, conclui que a devastação provocada pelos incêndios ocorridos em janeiro do ano passado que destruíram milhares de estruturas não se deve a um erro pontual.

O relatório de 723 páginas, encomendado pelo governador da Califórnia, Gavin Newsom, expõe fragilidades nos programas de prevenção, comunicação, evacuação, coordenação e resposta que, combinadas com condições meteorológicas extremas, permitiram que as chamas se propagassem rapidamente, destruindo mais de 16.200 estruturas e danificando outras 2.100.

Os autores alertaram que, embora a Califórnia tenha avançado nos códigos de construção, mapas de risco e programas de prevenção, estas medidas nem sempre se traduzem numa redução efetiva do perigo para as casas, bairros e comunidades.

Entre os principais problemas apontados estão as falhas nos sistemas de alerta e a falta de coordenação entre os organismos responsáveis pela resposta à emergência, bem como a ausência de uma resposta atempada por parte de agências como o Corpo de Bombeiros de Los Angeles.

As falhas afetaram de forma particular pessoas com mobilidade reduzida, problemas de visão ou audição, inquilinos e residentes que não falavam inglês.

Os autores do relatório concluíram que a proteção de uma residência individualmente não garante que esta sobreviva ao fogo e que a prevenção deve ser um esforço comunitário.

Steve Kerber, vice-presidente e diretor executivo dos UL Research Institutes, referiu em comunicado que os incêndios no sul da Califórnia e em comunidades de todos os Estados Unidos demonstram que estamos a entrar numa "nova era" de grandes incêndios.

"As conclusões e recomendações deste relatório transcendem o âmbito da Califórnia e demonstram que uma resiliência eficaz face aos incêndios florestais depende do fortalecimento de todo o sistema, e não de um único programa, política ou organização", acrescentou.

O estudo baseou-se em entrevistas a centenas de autoridades, residentes e representantes de vários organismos, bem como numa análise de comunicações e registos operacionais dos incêndios que destruíram milhares de estruturas.

Leia Também: Helicóptero de estação televisiva despenha-se em Los Angeles. Há 3 mortos