Os candidatos ao governo de Minas Gerais, Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB) e Mateus Simões (PSD), se enfrentaram pela primeira vez em debate promovido pela TV Bandeirantes neste domingo (16).
Patrus Ananias (PT) foi convidado, mas não compareceu ao debate porque esteve em um evento de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo. Além disso, o programa estava inicialmente previsto para a semana passada e foi adiado diante das indefinições sobre as candidaturas em Minas.
Leia Mais
1º dia de campanha: Lula fala de mulheres; Flávio cita INSS e Lulinha Candidatos a governo começam campanha nos estados; veja as agendas Dados prévios do TSE indicam 20.438 candidaturas
O programa contará com perguntas temáticas feitas pelos mediadores, confrontos diretos entre os debatedores e rodadas de questionamentos conduzidas por jornalistas.
Confira destaques do 1º bloco
Os candidatos começaram respondendo qual seria a sua prioridade nos primeiros 100 dias, caso assumam o cargo, diante do rombo fiscal, no contexto de restrição de caixa e déficit.
Para Alexandre Kalil (PDT), "o que aconteceu com o Propag foi uma agressão a Minas Gerais. Agressão do Senado Federal, que aprovou por unanimidade um pacote pronto que foi colocado na goela de Minas Gerais, que vai gerar um rombo de 175 bilhões de reais. (...)". "Nós vamos para Brasília, por isso não estamos pendurados em presidente da república. Esse assunto só veio à tona quando anunciei minha candidatura. Estão fazendo um estado, em cinco anos, absolutamente ingovernável", completou.
Para Cleitinho Azevedo (Republicanos), é importante o diálogo com o próximo presidente para resolver a questão. "Ter diálogo, independentemente de quem seja o presidente. É ter o diálogo para discutir essa dívida. Tem várias maneiras, tem essa questão de que o governo deu isenção fiscal de quase 26 bilhões. A gente tem que revisar cada contrato de Minas, a gente tem que ver quem sonega. Aquele pequeno produtor tem que ser humilhado para pagar, enquanto os grandes estão sonegando. Cabe a nós ter coragem. Que fique claro que, em 4 anos, vai pagar a dívida; vai estar mentindo."
Na sequência, Flávio Roscoe (PL) citou que o primeiro passo é levar a bancada de parlamentares para Brasília, pressionando pelos interesses de Minas. "Nos primeiros 90 dias, vamos fazer um “pacotaço”, destravando o estado de MG. Há inúmeras amarras para quem quer empreender nesse estado. Para que o inteiro possa prosperar, aumentando o bolo e aumentando a arrecadação."
Gabriel Azevedo (MDB) começou explicando que seu primeiro compromisso é equilibrar as contas, fazendo com que o serviço continue operando pelo bem do mineiro. "O meu primeiro compromisso é equilibrar as contas, fazendo com que o serviço que você precisa, a escola, o hospital, a polícia, continuem operando pelo bem do mineiro. Mas o que mais? Criar uma agência independente para medir aonde vai cada centavo do seu dinheiro. A segunda coisa que eu vou fazer é rever os subsídios. E a terceira coisa que eu vou fazer é não deixar roubar".
Mateus Simões (PSD), o atual governador do estado de Minas Gerais, esclareceu que já pagaram R$ 13 bilhões dessa dívida desde que chegou ao cargo.
"Infelizmente, ela era mesmo impagável. Hoje ela está dentro do que o caixa do estado aguenta, mas com muito sofrimento. E é por isso que o próximo passo no próximo mandato do próximo presidente – espero que seja outro para que a gente não seja prejudicado de novo – é dizer que, se ele quer receber, que pelo menos ele gaste em Minas o que ele está recebendo. Porque os 600 milhões de reais que a gente está entregando ao governo não estão voltando a Minas. Queremos que o governo reconheça a colaboração de Minas para a economia nacional. Falta sensibilidade."
Na sequência, os candidatos poderiam abordar entre 10 temas, que foram enviados previamente a cada um; são eles:
Foram escolhidos os seguintes temas para debate no primeiro bloco:
Feminicídio
Para dar início à nova rodada, o candidato Mateus Simões (PSD) escolheu Alexandre Kalil (PDT) para abordar o tema feminicídio. Para isso, citou uma entrevista do candidato do PDT em 2022, em que, segundo ele, Kalil citou que o feminicídio era muito complexo e não era problema do estado.
Em resposta, o candidato mencionou: "Faltam 7 mil policiais no efetivo da polícia; é a polícia mais mal paga do país. Quando eu fui prefeito, eu criei a 'Casa Sempre Viva', que era de acolhimento da mulher. Pus a polícia feminina. Quem tem que falar de feminicídio é o governo, que há 13 anos está sucateando e liquidando. O senhor liquidou a polícia militar, que precisava de respeito. O que o senhor fez com a polícia militar de MG foi um desrespeito. Estamos falando de um governo que fechou 126 delegacias de mulheres".
Dívida do Estado
Na sequência, Kalil escolheu o candidato Cleitinho Azevedo (Republicanos) para voltar a falar sobre a dívida do Estado. Em sua pergunta, o candidato do PDT relembrou que Cleitinho era do Senado e aprovou o Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), o programa federal de renegociação de dívidas que permitiu a Minas Gerais refinanciar um débito de cerca de R$ 179 bilhões com a União por 30 anos.
"Eu li sim, como todos os senadores, mas infelizmente o Propag é um mal necessário. Igual a uma quimioterapia para combater um câncer", citou, resgatando o que disse no começo do debate sobre a importância do diálogo com o futuro presidente. "A gente precisa dialogar com o governo federal; não adianta brigar com o governo federal, não adianta apontar o dedo e ficar brigando. Cabe a quem for governador aqui, no primeiro dia de governo, fazer isso", acrescentou.
"Aqui em MG a gente tem que acabar com essas isenções. Cabe ao governador rever a receita estadual, quem está sonegando. A gente precisa aumentar a receita do estado e deixar de roubar também", acrescentou o candidato do Republicanos. "Essa dívida veio e eu não era nem político, e essa dívida agora explodiu. Na reeleição de Zema, em vez de ele se preocupar com a dívida do estado, acabou indo fazer campanha presencial. Se Zema tivesse sentado com Lula, isso não teria chegado ao lugar que chegou", acrescentou em resposta a Kalil.
Privatização da Cemig
Dando continuidade, Cleitinho escolheu o candidato Gabriel Azevedo (MDB) para questionar se o seu oponente era a favor ou contra a privatização da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais).
"É fundamental dizer que a Cemig já está sendo privatizada", inicia Gabriel. Na sequência, o candidato diz que a Cemig virou "um feudo de indicação política" e acrescenta: "A Cemig comigo não será dessa forma. Aqui é um candidato livre de Vorcaro – ao contrário do governo atual".
Em réplica, o candidato do Republicanos menciona que não sente vontade de privatizar a empresa, porque ela dá lucro de 5 bilhões de reais, no entanto, complementa: "Mas a companhia virou cabide de emprego e negociação política".
Gabriel Azevedo acrescenta: "O atual governo tem profundos escândalos de corrupção. Tem corrupção na mineração, na educação, no esporte, e são muitas denúncias na Cemig".
Mineração
Logo depois, Gabriel Azevedo perguntou ao candidato Flávio Roscoe (PL) sobre mineração. Para formular sua pergunta, o candidato do MDB diz que não é a favor da mineração na Serra do Curral, que ele considera um símbolo mineiro. "A Operação Rejeito mostrou que, no coração do coração de Minas, tinha corrupção em conjunto com o governo federal. Após isso, ele pergunta ao oponente como proteger o meio-ambiente e evitar a corrupção.
Em resposta, Flávio menciona que a mineração legal é vital para Minas Gerais. "Nós dependemos desse setor, que é muito importante (...) e sempre defendi a mineração sustentável. Nunca defendi e nem aprovo mineração irregular. A mineração irregular deve ser punida com força da lei". Ele ainda acrescenta: "A Serra do Curral é patrimônio dos mineiros, é tombada e deve ser preservada; sempre foi uma defesa nossa, do setor produtivo. Acredito sim no poder da transformação mineral e defendo, com veemência, que aqueles que não cumprem a lei sejam punidos e que todos os fatos sejam esclarecidos."
Em réplica, Gabriel mencionou algumas propostas que prevê em seu governo, caso seja eleito, entre elas o Parque Metropolitano da Serra do Curral, sem mineração na região. Ele ainda menciona a criação de um fundo que faz com que regiões em que a mineração está muito presente possam se desenvolver também. Por fim, ele cita que é contra a utilização de caminhões para portar minério pesado e deixar buracos nas estradas. "O dinheiro da mineração vai servir para a gente fazer ferrovia. Quero ser o governador que retoma esse tema. Vamos ter linha de trem em Minas Gerais."
"Devemos tirar o excesso de burocracia que existe na regulamentação dos empreendimentos de mineração em Minas Gerais. Ela gera um excesso de corrupção. Além disso, o setor de mineração sustenta o nosso estado, e seria um erro combatê-lo como se todos fossem culpados. Concordo também com a criação de fundo", acrescentou o candidato do PL em sua tréplica.
Rodovias estaduais
Para encerrar o 1º bloco, Flávio Roscoe perguntou ao candidato Mateus Simões (PSD) como ele previa mudar o cenário trágico das estradas de Minas Gerais.
O atual governador citou que as estradas não são apenas sobre desenvolvimento, mas também sobre a vida das pessoas, e explicou que perdeu um irmão e os pais em acidentes nas estradas de Minas. "Eu e Zema coordenamos o maior volume de investimentos em mais de três décadas em recuperação asfáltica, mas não foi suficiente ainda. Só conseguimos rever 10 mil dos 24 mil quilômetros de estrada do estado."
"Para completar o projeto, precisamos de investimentos. A ideia é fazer um ciclo de melhoria de renda, para que o cidadão possa viver melhor, consumir mais e trazer mais dinheiro para o governo do estado, para que a gente possa corrigir esse que é o nosso maior déficit de investimentos (..) Hoje investimos 2 bilhões de reais por ano. O ideal seriam 4 bilhões", acrescenta.
Em réplica, o candidato do PL mencionou que apenas com gestão e priorizando os investimentos necessários se transforma um estado. "Hoje, em muitos casos, os pedágios foram aplicados em estradas que não têm um grande volume e, com isso, os custos dos pedágios ficaram muito caros. A gente precisa tratar esse problema urgentemente."
Nos blocos seguintes, os candidatos confrontaram diretamente entre si com temas livres e, posteriormente, responderam a perguntas de jornalistas da Band Minas.