A semana em 30 segundos
- Os bancos centrais vão continuar em foco, com a Reserva Federal (Fed) e o Banco do Japão prestes a imitarem o Banco Central Europeu (BCE) com aumentos de 25 pontos base nas taxas de juro. As palavras de Kevin Warsh e Kazuo Ueda sobre os próximos passos vão ser seguidas com máxima atenção nos mercados, numa semana em que o Banco de Inglaterra irá contrariar a tendência e ‘congelar’ o custo da libra.
- Os preços do petróleo rondam os 100 dólares, impulsionados pelas guerras na Europa e no Médio Oriente. Esses conflitos deverão também marcar o discurso de Ursula von der Leyen sobre o Estado da União Europeia, com a presidente da Comissão a focar também em temas de competitividade, economia digital e alterações climáticas após um verão de ondas de calor extremas e grandes incêndios em vários países.
- O Parlamento português ‘reabriu’ na semana passada para debater (e chumbar) a moção de censura do Chega ao Governo, mas o programado ‘rearranque’ formal dos trabalhos é esta terça-feira. Os deputados regressam com vários dossiês em mãos, incluindo os lucros das petrolíferas, à licença parental, a nova lei do Tribunal de Contas e a Lei de Enquadramento Orçamental.
Segunda-feira, 14 de setembro

Membros do Conselho do BCE discursam pós-subida das taxas
- Porque é importante e o que esperar:
O Banco Central Europeu subiu, na quinta-feira, as taxas de juro em 25 pontos base pela primeira vez desde junho numa decisão que Christine Lagarde descreveu como “unânime” e “óbvia” tendo em conta as subidas dos custos da energia com o prolongar e a escalada da guerra no Médio Oriente. Na conferência de imprensa, a presidente do banco central tentou demonstrar cautela, mas acabou por dar azo a um reforço nos mercados na aposta em mais uma subida até ao final do ano. Segundo o ECB Watch, ferramenta do BCE para divulgar as probabilidades implícitas no mercado relativamente às decisões sobre as taxas de juro, há uma chance de 62% de uma subida de 25 pontos base, com a da facilidade de depósito a ascender aos 2,75% já em outubro.
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EscolherNeste contexto, os analistas e investidores estarão atentos a pistas dos decisores e terão esta segunda-feira a oportunidade de ouvir três membros do Conselho: Isabel Schnabel (10h15, em Berlim), Piero Cipollone (14h00 em Bruxelas) e a própria Lagarde (às 16h15 em Viena). No sábado, em entrevista ao Financial Times, Martin Kocher, Governador do Banco da Áustria, sinalizou que se os preços do petróleo se mantiverem perto de 100 dólares por barril até ao final do ano o BCE terá de agir com mais aumentos no custo do euro.
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Ibersol fecha contas do primeiro semestre no PSI
- Porque é importante e o que esperar:
O grupo de restauração anuncia após o encerramento da bolsa os resultados do primeiro semestre, fechando assim as contas das 16 cotadas que compõem o índice PSI. Nos primeiros três meses do ano, a Ibersol registou prejuízos de 2,5 milhões de euros, melhorando em perto de um milhão de euros em relação a igual período de 2025, com o volume de negócios de 121,3 milhões de euros a representar um aumento de 4,7% em termos homólogos. No primeiro semestre de 2025 a empresa apresentou lucros de 5,1 milhões.
O primeiro semestre foi um período em que as empresas da bolsa portuguesa conseguiram fechar a primeira metade do ano com mais um conjunto de resultados histórico. As cotadas do PSI fecharam o semestre com lucros acima de 3,6 mil milhões de euros, um resultado sustentado pelos ganhos da energia e da banca, que juntas valem 62% dos lucros e mais que compensaram a perda de rentabilidade das exportadoras e a estagnação da Jerónimo Martins.
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Terça-feira, 15 de setembro

Parlamento reinicia trabalhos após pausa do Verão
- Porque é importante e o que esperar:
O animado debate e votação da moção de censura do Chega ao Governo acabou por antecipar o regresso dos deputados ao plenário na passada terça-feira e ofereceu novidades sobre a redução do IRS e o suplemento para os pensionistas, mas o arranque efetivo dos trabalhos regulares ocorre esta terça-feira, numa sessão legislativa na qual há uma panóplia de temas que prometem agitar as águas.
Além, claro, do Orçamento do Estado para 2027 que tem de ser apresentado pelo Governo até 10 de outubro, a taxa sobre os lucros das petrolíferas, à licença parental, passando pela nova lei do Tribunal de Contas e pela Lei de Enquadramento Orçamental, não deixando de lado os exames, o ‘caso das fragatas’ e o INEM, são vários os temas em cima da mesa dos deputados.
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Quarta-feira, 16 de setembro:

Fed decide subida de taxas de juro (19h00)
- Porque é importante e o que esperar:
É um dos eventos mais esperados da semana e deve resultar no primeiro aumento nas taxas de juro este ano pela Reserva Federal (Fed). “A inflação global e subjacente nos EUA situaram-se bem acima da taxa de tendência mensal de 0,17% necessária para reduzir a taxa anual para a meta de 2% da Fed”, resumiu James Knightley, chief international economist, do banco de investimento neerlandês ING: “Tendo em conta a postura hawkish do presidente da Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole, este irá pressionar no sentido de um aumento das taxas e é provável que a maioria do FOMC [Comité Federal do Mercado Aberto] concorde com essa medida“.
Segundo o site CME FedWatch Tool, que monitoriza a negociação dos futuros das taxas de juro, esta sexta-feira a probabilidade de a Fed aumentar o custo do dólar em 25 pontos base para o intervalo atual de 3,75%-4% era subiu para 87,3% dos cerca de 70% antes do Bureau of Labor Statistics anunciar que taxa de inflação homóloga manteve-se nos 3,4% em agosto. Com a subida das Federal Funds Rates praticamente certa, os analistas dividem-se sobre se será apenas uma recalibração com apenas uma mexida para proteger contra a teimosia da inflação ou se será o início de um ciclo. Kevin Warsh, embora normalmente avesso a transmitir forward guidance, será questionado sobre os próximos passos.
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Discurso de Von der Leyen e debate do Estado da União (08h00)
- Porque é importante e o que esperar:
Será o segundo discurso do Estado da União Europeia de Ursula von der Leyen desde que foi reeleita presidente da Comissão Europeia em 2024 e a lista de temas a abordar (e depois debater com os eurodeputados) é maior do que no primeiro. “À medida que as negociações com os Estados-Membros sobre o orçamento a longo prazo da UE para o período de 2028 a 2034 entram em fase decisiva, “é provável que o debate se centre principalmente nas futuras áreas prioritárias de despesa da UE e em potenciais novas fontes de receitas”, refere o site do Parlamento Europeu.
A competitividade do bloco e as formas de impulsionar a economia digital da Europa, tirar o máximo partido das oportunidades oferecidas pela inteligência artificial serão temas em destaque, enquanto a presidente da Comissão irá também ser questionada sobre a política climática após um verão pleno de ondas de calor extremas e incêndios florestais de proporções recorde. O ambiente geopolítico volátil e a necessidade de investir na defesa e na segurança também deverão ser abordados, no contexto da guerra na Ucrânia e da crise energética provocada pela guerra entre a coligação EUA-Israel e o Irão e o encerramento do Estreito de Ormuz.
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Quinta-feira, 17 de setembro:

Banco de Inglaterra mantém cautela nos juros (12h00)
- Porque é importante e o que esperar:
Ao contrário do BCE, da Fed, e do Banco do Japão, o Banco de Inglaterra (BoE) tem margem para congelar as taxas de juro enquanto avalia o impacto da volatilidade geopolítica. “Tal como a Fed, o Banco de Inglaterra tem vindo a sofrer com um longo período de inflação acima da meta, mas, ao contrário da Fed, tem mantido uma política monetária manifestamente restritiva, de tal forma que o crescimento do emprego estagnou, os salários abrandaram e a inflação ficou
abaixo das projeções da primavera do Banco de Inglaterra”, referiu Sean Shepley, senior economist da gestora da Allianz Global Investors. “Isto deu ao banco central tempo para observar o comportamento da economia”.
Numa sondagem da Reuters publicada a 8 de setembro, os 65 economistas consultados foram unânimes sobre a manutenção da Bank of England Rate nos 3,75% esta quinta-feira, enquanto 90% acreditam que o banco central liderado por Andrew Bailey não irá alterar esse nível até ao final do ano. A decisão não deverá ser, contudo, consensual no comité de política monetária, dizem os analistas do Lloyds, prevendo uma repetição do resultado 6-3 de julho, com a minoria vencida a pretender uma subida de 25 pontos base.
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Sexta-feira, 18 de setembro:

INE divulga taxas de juro no crédito à habitação (11h00)
- Porque é importante e o que esperar:
Numa altura em que a nova subida das taxas de juro pelo BCE intensifica o debate sobre o custo do crédito à habitação em Portugal, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulga os números das taxas de juro implícita nos contratos em agosto.
Em julho, os juros dos empréstimos para compra de casa aumentaram para 3,135% no sétimo mês deste ano, traduzindo-se numa subida de 3,4 pontos base em relação ao mês anterior. Nos contratos celebrados nos três meses anteriores, a taxa de juro cresceu para 2,910%, uma percentagem superior em 5,7 pontos base, sendo que a prestação média fixou-se em 414 euros, mais três euros do que em junho e mais 20 euros que em julho de 2025.
Em Portugal, o crédito à habitação tem continuado a acelerar e até mantém um dinamismo superior ao da Zona Euro. Em junho, o stock de empréstimos para a compra de casa subiu 10,9% em termos anuais, a taxa de crescimento mais elevada desde 2003, com a carteira dos bancos a renovar recordes, totalizando 116,8 mil milhões de euros.
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Banco do Japão aumenta juros para máximo de 31 anos (04h00)
- Porque é importante e o que esperar:
O Banco do Japão deverá aumentar as taxas de juro na próxima semana em 25 pontos base para 1,25% o nível mais alto em 31 anos. Segundo uma sondagem da Reuters, 97% dos economistas acreditam nesse resultado e 62% vêm o banco central liderado por Kazuo Ueda a avançar para os 1,75% no segundo trimestre de 2027.
O debate entre analistas está centrado precisamente em qual será o ‘terminal rate’ do Banco do Japáo, com a expectativa que Ueda poderá fornecer alguns sinais. “As taxas do mercado monetário subiram acentuadamente desde junho, aumentando o risco de uma reação negativa em relação ao iene caso o Banco do Japão não confirme um ciclo de aperto monetário mais agressivo”, realçaram os economistas do ING.
Na sondagem da Reuters, mais de 80% dos inquiridos afirmaram que a intervenção conjunta dos EUA e do Japão na compra de ienes, destinada a travar a queda da moeda para mínimos de 40 anos, e as declarações do Secretário do Tesouro, Scott Bessent, sobre a política do Banco do Japão reduziram ‘significativamente’ ou ‘em certa medida’ os obstáculos políticos ao aumento das taxas de juro, sublinhando a crescente influência de Washington sobre a política monetária japonesa e levantando questões sobre a independência do banco.
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