Educação política nas escolas: Especialista comenta nova lei sancionada | CNN Brasil

Uma nova lei foi sancionada incluindo educação política e direitos da cidadania no currículo obrigatório da educação básica nacional. A medida reacende o debate sobre o papel da escola na formação de crianças e adolescentes para a vida em sociedade. Ao Agora CNN, a especialista em políticas educacionais Cláudia Costin comenta o tema.

Cláudia Costin avaliou positivamente a iniciativa. Segundo ela, os temas previstos na nova legislação já constavam na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), mas a nova lei confere maior clareza sobre o que se pretende alcançar.

Formação crítica e vida em sociedade

Costin destacou que a educação não deve se restringir à preparação para o mercado de trabalho. "A gente não educa só para preparar para o mundo do trabalho, a gente educa para preparar para a vida", afirmou.

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Para ela, compreender direitos sociais e de cidadania é fundamental para que crianças e adolescentes entendam a sociedade em que estão inseridos — e não apenas para o exercício do voto no futuro.

A especialista também traçou um paralelo com o período militar, quando vigorava a disciplina obrigatória de educação moral e cívica. "Ela era ensinada de uma maneira muito doutrinária. A gente decorava uma série de mantras e devolvia numa prova", recordou.

A abordagem atual, segundo Costin, é diferente: o tema será tratado de forma transversal, integrado a outras disciplinas, e poderá ser trabalhado desde a educação infantil.

Educação financeira ainda tramita no Congresso

Além da nova lei já sancionada, tramita no Congresso Nacional um projeto que pode incluir a educação financeira na grade curricular das escolas.

A proposta foi discutida na Câmara dos Deputados como uma disciplina adicional, mas o Senado Federal a reformulou para que o tema seja tratado de forma transversal, integrado às demais matérias. "Não adianta ter mais de 13 matérias", ponderou Costin, apoiando a decisão do Senado.

A especialista ressaltou a relevância do tema diante do alto índice de endividamento da população, inclusive em razão do excesso de apostas. "Educação financeira é muito importante para lidar com temas como endividamento, para poder lidar com seguros, para poder lidar com a gestão das suas próprias finanças", disse.

Costin também apontou que o ensino de finanças pode reforçar a aprendizagem de matemática, área considerada frágil na educação escolar brasileira.

Impacto a médio e longo prazo

Costin reconheceu que os efeitos dessas medidas se darão de forma gradual. Ela citou o exemplo de uma escola que integrou história e matemática ao ensinar sobre as diferentes moedas que o Brasil já adotou e o impacto da inflação em determinados períodos históricos.

"São ideias importantes para esses jovens que no futuro vão chefiar famílias ou vão entrar no mundo do trabalho e lidar com a vida adulta sobre como cuidar das suas finanças", avaliou.

A especialista também enfatizou a importância da educação política em um contexto de polarização social. "Educar para viver em sociedade é muito importante, especialmente numa sociedade tão polarizada, às vezes movida por ódios", afirmou.

Aprender a comunicação não agressiva, ouvir opiniões divergentes e responder sem estereotipar o outro foram apontados por ela como aprendizados essenciais para a convivência em sociedade.

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