A 2.ª fase da prova de Matemática A realizada na quarta-feira por alunos do secundário foi criticada pela Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), que disse haver uma "formulação deficiente" de uma pergunta que punha em causa o rigor matemático.
Hoje, o presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), Luís Pereira dos Santos, respondeu às acusações, começando por "lamentar a ausência" da SPM no processo de auditorias do Conselho Científico, que se realiza antes da impressão da versão final dos exames.
Sublinhando que foram feitas "diversas diligências" para contar com a participação da SPM, o presidente lamentou a ausência da SPM, que "privou o sistema do seu contributo especializado para a melhoria dos instrumentos de avaliação externa".
Em causa está a formulação de uma pergunta que pedia aos alunos que considerassem "todos os números naturais com cinco algarismos diferentes" e determinassem "quantos destes números são múltiplos de cinco e maiores do que 50.000".
Para a SPM, a formulação não era "compatível com os passos apresentados nos critérios específicos de classificação", defendendo que, conforme estava formulada, abrangia "infinitos números que satisfazem os requisitos definidos".
"A SPM lamenta esta imprecisão no enunciado que, na realidade, é um erro formal", escreve a SPM, acrescentando que "as incorreções de português são reprováveis em qualquer prova e refletem-se (...) no rigor matemático dos itens".
Em resposta divulgada hoje, o presidente do EduQA considera que "a expressão `formulação deficiente` usada pela SPM (...) peca por excessiva", defendendo que foi usada uma formulação habitualmente utilizada neste tipo de provas que "pressupõe um nível de familiaridade compatível com o percurso escolar dos alunos".
O EduQa não considera ser "inadequado que um enunciado deste tipo recorra a formulações correntes na linguagem matemática escolar", até porque "o essencial" é perceber se o aluno consegue compreender "de forma inequívoca" o que lhe é pedido e "não se é possível conceber interpretações alternativas particularmente criativas ou inesperadas".
Por isso, entende não haver fundamentos "para qualquer medida corretiva" e sublinha que, se algum aluno apresentar "uma interpretação cientificamente correta e fundamentada do enunciado", a resposta será devidamente apreciada no âmbito dos mecanismos de supervisão da classificação, garantindo-se a equidade e a justiça do processo avaliativo.
O presidente do EduQa acrescenta ainda que ter em conta respostas diferentes que sejam cientificamente corretas e estejam fundamentadas é uma "prática habitual nos processos de classificação e supervisão das provas de avaliação externa".
O exame de Matemática A foi uma das provas realizadas esta semana pelos alunos que se inscrevam para a 2.ª fase dos exames nacionais do ensino secundário, que este ano terá uma época especial em setembro, na sequência dos problemas registados no processo de classificação digital dos exames.