Em dezembro passado, a União Europeia avançou com a proposta da criação de uma nova categoria de carros elétricos acessíveis produzidos localmente - conhecida como M1E e associada a certos benefícios para clientes e fabricantes.
Agora, em França, a Federação Nacional Francesa de Veículos Elétricos (FNH) e o Instituto para a Mobilidade em Transição (IMT) juntaram esforços com a consultora C-Ways para estudar o potencial de um veículo elétrico de pequenas dimensões, feito na UE, com um preço final abaixo dos 15 mil euros.
Estima-se que possam ser vendidos 2,5 milhões de automóveis por ano na UE até 2030 a 2035, subindo para três milhões de unidades no futuro. Este é o volume que o mercado seria capaz de absorver com uma oferta ideal, e não uma previsão do número de vendas. E, cerca de 40 por cento das vendas, ocuparia o lugar dos novos automóveis do segmentos A e B, sendo que os restantes 60 por cento substituiriam a aquisição de veículos usados.
Características conservadoras
Para se chegar a um veículo de até 15 mil euros sem a aplicação de subsídios, o estudo estipulou certas características tidas como conservadoras: bateria de 15 a 22 kWh para uma autonomia real entre os 140 km e os 200 km, sem carregamento rápido. O comprimento seria de 3,6 metros e o peso não chegaria aos 800 kg. A velocidade seria limitada aos 110 km/h.
O estudo considera que 54 por cento das viaturas em circulação nas estradas francesas enquadra-se nas características dos trajetos e na lotação de quatro lugares.
Entendem os autores da análise que, mesmo com os alicerces do automóvel idealizados a serem conservadores, o veículo "atenderia a uma grande parte das necessidades reais de mobilidade", com um custo de propriedade "significativamente menor do que o de qualquer veículo elétrico novo dos segmentos A ou B, e comparável ao de um veículo elétrico usado recente do segmento B".
O preço de um automóvel com estas características ainda seria superior ao de usados de combustão mais antigos - os mais procurados por famílias com baixos rendimentos. Mas, ao fim de cinco anos, um veículo elétrico de 15 mil euros já seria mais barato do que um de combustão do segmento B com mais de 15 anos.
Substituir 14 milhões de veículos até 2035?
O relatório considera também que, tendo em conta três filtros definidos, as viaturas elétricas acessíveis "poderiam representar, por substituição, 14 milhões de veículos" na União Europeia até 2035 - ou seja, cerca de seis por cento da frota. E, a mais longo prazo, poderiam ocupar o lugar de cerca de 29 por cento do atual parque automóvel europeu.
Vantagens para o meio ambiente
Para além de ser mais acessível para as famílias, estes carros elétricos de baixo custo poderiam ter um impacto benéfico "imediato" no meio ambiente, com a divisão por 3 a 3,5 das emissões de gases com efeito de estufa relacionadas à produção e à utilização nas mesmas distâncias percorridas. O ponto de comparação é a substituição de um veículo de combustão do segmento B com dez anos.
O consumo de eletricidade do parque automóvel também seria reduzido em cerca de um por cento do consumo atual de eletricidade na União Europeia, enquanto o consumo do lítio baixaria em algo como 6.000 toneladas por ano.
Até o emprego sairia beneficiado
Segundo a FNH e o IMT em França, a produção de três milhões de veículos elétricos de 15 mil euros por ano teria um impacto na criação de emprego, com a estimativa de sete mil postos de trabalho adicionais - só no caso de os apoios ao desenvolvimento e à comercialização estarem ligados à exigência de conteúdo local.