O histórico ascensor descarrilou em 03 de setembro de 2025, pelas 18h03, numa tragédia com 16 mortos e 24 feridos, sobretudo turistas estrangeiros, envolvendo um total de 15 nacionalidades.
Houve cinco portugueses entre as vítimas mortais, nomeadamente o guarda-freio André Marques, que operava uma das cabines deste equipamento gerido pela empresa municipal Carris, e quatro trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que utilizavam este transporte público.
Quanto à nacionalidade das outras vítimas mortais, três eram britânicas, duas sul-coreanas, uma canadiana, uma suíça, uma canadiana e marroquina, uma ucraniana, uma norte-americana e uma francesa.
Já entre os feridos estavam cidadãos com nacionalidades portuguesa, espanhola, israelita, brasileira, italiana, francesa, alemã, sul-coreana, suíça, cabo-verdiana, marroquina e britânica.
Em 140 anos de história, este foi o pior sinistro com o ascensor da Glória, classificado como Monumento Nacional e que liga a Praça dos Restauradores ao Jardim de São Pedro de Alcântara, num percurso de 276 metros, com um desnível acentuado.
Passado um ano, dos 40 processos de indemnização a familiares das vítimas mortais e a sobreviventes do acidente, encontram-se concluídos apenas quatro, segundo a seguradora da Carris, a Fidelidade, que adiantou que estão atualmente em negociação outros sete, enquanto "uma situação segue os respetivos trâmites judiciais, após não ter sido possível, até ao momento, alcançar acordo".
"Existe uma outra vítima mortal que está a ser regularizada exclusivamente em sede de acidentes de trabalho à qual estão a ser pagas pensões provisórias que se manterão até que esteja concluído o processo no tribunal do trabalho", indicou, referindo que, nos restantes três casos relativos a vítimas mortais, ainda não foi possível apresentar uma proposta indemnizatória definitiva por necessidade de "documentação indispensável e das especificidades legais dos países envolvidos".
Em relação aos 24 feridos, todos "permanecem sem a sua situação clínica definitivamente consolidada", informou a Fidelidade, explicando que a avaliação indemnizatória definitiva apenas poderá ser realizada quando exista estabilização clínica, para "determinar, de forma adequada, a extensão das eventuais sequelas e dos danos sofridos".
As investigações do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) e do Ministério Público às causas e responsabilidades do acidente ainda estão em curso, com ambos a estimarem ter conclusões "até ao final do primeiro trimestre de 2027".
Para assinalar um ano da tragédia, a CML vai inaugurar hoje um memorial de homenagem às vítimas, no Largo da Oliveirinha, junto à Calçada da Glória, onde ocorreu o acidente.
A composição do memorial integra uma oliveira com 150 anos rodeada por 16 blocos em calcário com "alturas diferenciadas e superfícies preparadas para gravação dos nomes das vítimas".
Também o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP) vai promover hoje uma ação de homenagem a todas as vítimas, e em particular ao guarda-freio André Marques, com a deposição de uma coroa de flores ao fundo da Calçada da Glória.
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