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O interesse de empresários brasileiros por viagens de negócios para a China atingiu patamares recordes no primeiro semestre de 2026, impulsionado por grandes eventos de comércio, como a Canton Fair. A próxima edição do evento em 2026 será dividida em três fases: de 15 a 19 de outubro, de 23 a 27 de outubro e de 31 de outubro a 4 de novembro. Maior feira multissetorial do mundo, realizada duas vezes por ano em Guangzhou, o evento atrai cerca de 320 mil compradores globais e 35 mil expositores a cada edição, consolidando-se como o principal destino das missões comerciais brasileiras na Ásia.
Levantamentos das plataformas de turismo KAYAK, Decolar e Booking apontam uma alta de 100% nas buscas pelo país asiático na comparação com o mesmo período de 2025, e de 200% em relação aos primeiros seis meses de 2024. As informações são do empresário Rodrigo Giraldelli, CEO da China Gate, consultoria especializada em comércio bilateral que há 20 anos organiza expedições de negócios e que já contabiliza cerca de dois mil executivos e comerciantes confirmados nas missões para as fases de outubro e novembro da feira.
O movimento reflete o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e Pequim, somado ao empenho de varejistas e industriais locais em cortar intermediários para recuperar margens de lucro no mercado interno. O aquecimento do fluxo corporativo vem acompanhado por facilidades diplomáticas e logísticas.
Desde julho de 2025, um acordo de isenção recíproca de vistos permite que cidadãos brasileiros e chineses entrem nos respectivos países sem visto para estadias de até 30 dias. A medida flexibilizou o planejamento de viagens corporativas de curta duração, eliminando taxas de emissão, encurtando o tempo de preparação e reduzindo custos operacionais de missões empresariais.
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Dados da Administração Nacional de Imigração da China (NIA) mostram que, no primeiro semestre deste ano, os postos migratórios do país registraram 369 milhões de entradas e saídas, reforçando o plano estratégico do governo chinês de reabrir e dinamizar a circulação de investidores globais.
“Os chineses fizeram a lição de casa. Além da isenção de visto, hoje é muito mais fácil circular pelo país, com infraestrutura moderna, aplicativos, meios de pagamento digitais e um ambiente totalmente preparado para receber empresários estrangeiros”, analisa Rodrigo Giraldelli, especialista que já realizou 33 viagens ao país asiático.
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A corrida de pequenos e médios empresários rumo à Ásia ganhou novo impulso com as recentes transformações na dinâmica do comércio eletrônico e da tributação sobre as importações no Brasil. Diante da concorrência direta das plataformas internacionais, que vendem itens de menor valor diretamente ao consumidor final, o varejista nacional tem enfrentado maior pressão sobre preços e custos operacionais. Para manter a competitividade sem exterminar as margens de lucro, a saída encontrada por muitos comerciantes tem sido negociar diretamente no chão de fábrica chinês.
“Quando você consegue negociar diretamente com o fabricante e eliminar intermediários, ganha margem para trabalhar melhor o preço final. Hoje, com a pressão dos custos e dos impostos sobre os produtos importados, conseguir o melhor preço na origem é fundamental para se manter competitivo no mercado brasileiro”, pontua Giraldelli.
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Apesar das facilidades operacionais trazidas pelos aplicativos e pela isenção de visto, especialistas ponderam que as barreiras culturais e de idioma ainda exigem planejamento cuidadoso para quem desembarca pela primeira vez na potência asiática.
“O idioma, a cultura de negociação e a própria dimensão monumental de feiras como a Canton Fair podem ser barreiras para quem está viajando pela primeira vez. A chave para fechar bons contratos é focar na validação dos fornecedores e no entendimento do processo de importação do início ao fim”, conclui o especialista.
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