EN243 cortada desde fevereiro. Autarca critica demora "excessiva"

"Foi claramente excessivo […],até porque houve promessas que foram sendo adiadas, primeiro que a obra começaria em junho, depois em agosto e finalmente começou agora", disse à agência Lusa Rui Anastácio.

A empreitada arrancou em 11 de setembro no concelho de Alcanena, distrito de Santarém, depois de um deslizamento ter provocado o colapso de parte da estrada entre Moitas Venda e Videla, na sequência das intempéries do início do ano.

A Infraestruturas de Portugal (IP) confirmou estar em curso a reconstrução da Estrada Nacional (EN) 243 ao quilómetro 28,800, incluindo trabalhos de reconstrução da via, estabilização dos taludes, restabelecimento da drenagem, reposição das guardas de segurança e repintura das marcas rodoviárias.

No final de julho, a empresa pública indicou à Lusa que a intervenção abrangia o troço entre os quilómetros 28,704 e 31,325 e representava um investimento de cerca de 150 mil euros, permitindo a reabertura no quarto trimestre.

Rui Anastácio disse ter agora indicação de que "a reabertura ocorrerá no decorrer do mês de outubro" e considerou que, depois da elaboração do projeto, "o processo administrativo demorou, claramente, tempo a mais".

Segundo o autarca, a Câmara insistiu repetidamente junto da IP e do Governo para acelerar a solução numa via que classificou como importante nas ligações entre Alcanena e Torres Novas e a região de Leiria.

O corte obrigou ao desvio do trânsito por uma estrada municipal "que não estava preparada para este acréscimo brutal" de movimento, "principalmente de trânsito pesado", afetando sobretudo os moradores de Minde, Casais Robustos e Moitas Venda, acrescentou.

No distrito de Santarém, a IP prevê investir 18,37 milhões de euros (ME) na recuperação da rede rodoviária afetada pelas intempéries, no âmbito de um pacote nacional de cerca de 79,7 ME.

No final de julho, a empresa tinha dado como repostas 56 das 57 interrupções registadas no distrito, mantendo-se a EN243 como a única via ainda totalmente cortada ao trânsito, embora subsistam condicionamentos noutras estradas.

A conclusão da obra no lado de Alcanena não permitirá, porém, restabelecer integralmente a ligação a Porto de Mós, no distrito de Leiria, porque outro troço da EN243 permanece encerrado na zona de Alcaria, após o colapso da plataforma rodoviária.

"Há dois problemas, um está em fase de resolução e o outro, aparentemente, também. A obra [em Porto de Mós] vai iniciar dentro de poucos dias, de acordo com a informação que obtivemos", afirmou Rui Anastácio, esperando que a ligação fique "definitivamente resolvida" dentro de alguns meses.

No lado de Porto de Mós, um despacho publicado em agosto em Diário da República declarou de utilidade pública e caráter urgente as expropriações necessárias à reposição da plataforma rodoviária nos quilómetros 8,560, 9,100 e 9,200.

O presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, anunciou no início de setembro que a empreitada deveria começar até final do mês ou início de outubro, por um valor superior a dois milhões de euros.

Portugal foi atingido entre o final de janeiro e março por uma sucessão de episódios de mau tempo, incluindo as depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram vítimas mortais e danos avultados em habitações, empresas e infraestruturas, sobretudo nas regiões Centro e de Lisboa e Vale do Tejo.

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