Entrevista: "Novos Volvo híbridos plug-in são uma solução de ponte"

Foram apresentados na última terça-feira (15 de setembro) os renovados Volvo XC60 e XC90. Os SUV híbridos plug-in têm uma maior ênfase na energia elétrica, com autonomias que podem atingir os 200 km e os 160 km em modo 100 por cento elétrico, respetivamente.

A propósito da apresentação do XC60 à imprensa, em Londres, o Auto ao Minuto/Notícias ao Minuto entrevistou o Product Manager da Volvo responsável, Martin Hamlet.

Na conversa, que incidiu sobre o SUV de cinco lugares, o responsável enquadrou o modelo na estratégia do fabricante e falou-nos daquilo que o destaca face à concorrência e à anterior versão.

Porque é que a Volvo desenvolveu a nova geração de híbridos de longo alcance?

Acreditamos no futuro eletrificado, mas sabemos que nem todos os nossos clientes estão totalmente preparados para um carro elétrico atualmente. Ao ter a oferta de um híbrido plug-in de longo alcance, com até 200 km [de autonomia 100 por cento elétrica], acreditamos que os clientes irão escolhê-lo como uma ponte para um veículo totalmente elétrico no futuro. Com 200 km, a maioria dos nossos clientes irá conduzir diariamente com energia eletrificada, não usando o motor de combustão exceto no caso de uma longa viagem ou como reserva. Então, esta oferta com 200 km encaixa-se perfeitamente na nossa oferta de produto neste momento, como uma solução de ponte".

É possível escolher começar todos os dias no modo elétrico.

Para alguém que faz 80 km por dia, a autonomia elétrica seria suficiente quase para uma semana inteira de condução diária. É também essa a ideia por trás destes modelos - permitir as pessoas usá-los quase como um elétrico no dia a dia e depois, num fim de semana, ir mais longe?

Exato. Criar uma solução flexível para clientes que talvez não possam fazer curtas distâncias todos os dias, ou conduzir, como disse, curtas distâncias e usá-lo para viagens de fim de semana que são mais longas. É possível misturar o comportamento de condução entre Pure [elétrico] e híbrido de forma muito agradável. Então, oferecendo uma autonomia maior, acreditamos que os clientes terão um uso mais conveniente do carro.

E agora o modo Pure é padrão…

Com memória. Então, os clientes podem escolher começar todos os dias no modo Pure.

E também há um carregamento em corrente alternada mais veloz, então é possível carregar o carro mais rapidamente em casa - se por exemplo um dia se fizer mais quilómetros e for preciso carregar para ir trabalhar…

Oferecendo carregamento de 11 kW, podemos encher a bateria em quatro horas. Então, mantemos o tempo para carregar a bateria, mas mais do que duplicámos o tamanho dela. Então, a velocidade é rápida. Pensamos que a maioria dos nossos clientes irá carregar no trabalho em casa.

Um passo no caminho para um carro elétrico?

Notícias ao Minuto Martin Hamlet© Volvo Cars  

Como é que estes modelos contribuem para a estratégia de eletrificação da Volvo e para a transição rumo a um futuro totalmente elétrico?

Oferecendo um híbrido plug-in de longo alcance com até 200 km de autonomia [elétrica], acreditamos que fechamos a distância para um carro elétrico e atraímos clientes que ainda não estão preparados para comprar um carro eletrificado - o que é importante. Ao aprender com o uso de um carro eletrificado, da próxima vez darão o passo para um totalmente elétrico. E essa é a nossa visão, que este é um produto de ponte para um veículo elétrico.

O que destaca a nova versão da anterior e também da concorrência?

Ao oferecer uma autonomia de até 200 km, estamos a liderar em autonomia. Combinamos isso com um motor de combustão muito moderno, o que cria um produto que pode ser usado como veículo elétrico, mas também como um veículo muito bom para longas viagens, flexível de todas as formas.

É um cliente que quer um carro eletrificado para o dia a dia, mas também possa planear - ou não planear - fazer uma longa viagem.

Que tipo de condutor acredita que será mais atraído por esta nova motorização? Como descreveria o o típico perfil de cliente?

Penso que é um cliente que tem uma vida ativa, que quer um carro para usar no dia a dia que seja eletrificado, mas que também possa planear - ou não planear - fazer uma longa viagem e fazê-la espontaneamente: simplesmente pegar no carro e conduzir. E ter essa flexibilidade de ter a sensação de um carro elétrico nas deslocações para o trabalho, levar e buscar as crianças às escolas, mas também levar o carro a um resort de esqui no inverno sem ter quaisquer receios ou preocupações com a autonomia.

Como avalia o potencial desta solução em mercados onde coexistem diferentes ritmos de adoção de veículos elétricos?

Vemos que os mercados são diferentes. Temos mercados que se movem muito rapidamente para carros totalmente elétricos, como a Noruega. Temos outros mercados que não estão a ter exatamente o mesmo ritmo e este produto é perfeito para estes mercados onde os clientes não estão totalmente preparados para carros 100 por cento elétricos.

Agora temos a guerra no Médio Oriente, que está a fazer disparar os preços dos combustível. É uma altura muito boa para fazer a mudança…

Sim. Tendo um híbrido plug-in de longo alcance, podemos oferecer um produto que não consome assim tanto combustível, é possível usá-lo como carro elétrico, mas ainda ter a reserva e a flexibilidade.

O que mais poderá surpreender?

Notícias ao Minuto Volvo XC60© Volvo Cars  

O que pensa que irá surpreender mais os utilizadores quando viverem estes novos modelos pela primeira vez?

Primeiro, como condutor, acredito que com o longo alcance é possível conduzir, conduzir, e não se tem esta ansiedade de autonomia - de não chegar até ao destino da viagem. Mas, para passageiros e condutores, acredito também que ficarão surpreendidos com a sensação premium que criámos com a atualização do desenho e as escolhas de materiais no carro - que este carro parece novo na execução que fizemos.

Também tenho a certeza de que ficarão surpreendidos com o Gemini, com o quão suavemente funciona, com o quão fácil é de utilizar, com a forma como irão interagir com o Google Gemini no futuro quando se acostumarem. É uma ferramenta sem a qual o cliente não irá passar no futuro, porque ajuda no uso diário - encontrar conselhos de onde estacionar, etc.. Então, é um grande apoio.

Os híbridos plug-in podem oferecer um bom misto de energia, mas um estudo recente sugere que as emissões são mais elevadas do que o esperado - não por causa dos carros, mas porque os condutores acabam por os carregar e usar o modo elétrico menos do que o esperado. A minha pergunta é: como se pode promover e ensinar um uso mais eficiente dos híbridos plug-in?

Ao oferecer esta função de memória do modo Pure [totalmente elétrico], acreditamos que os clientes irão escolhê-la e conduzir mais em modo elétrico. E, depois, o longo alcance fará os clientes escolherem o modo Pure e conduzirem mais em modo elétrico. Então, um longo alcance e uma boa funcionalidade nas configurações. E também a potência melhorada no eixo traseiro que irá fazer o carro parecer mais potente em uso elétrico.

O que o deixa mais orgulhoso com este carro?

Estou mais orgulhoso do trabalho de engenharia, para conceber e colocar a bateria no fundo do carro sem sacrificar o espaço no carro ou outras propriedades. Mantivemos tudo o que é bom no XC60, melhorando apenas a autonomia, e os clientes não irão reparar nisto de forma negativa. É disso que estou orgulhoso.

Volvo XC60 foi renovado e autonomia elétrica destaca-o da concorrência

Volvo XC60 foi renovado e autonomia elétrica destaca-o da concorrência

Foi renovado o Volvo XC60. O SUV híbrido plug-in não só tem a "cara lavada", como também um reforço na eletrificação - com uma autonomia elétrica de 200 km que o destaca em Portugal.

Bernardo Matias | 09:17 - 15/09/2026