Os resultados dos exames, que pela primeira vez foram realizados totalmente online, revelaram um aumento inesperado das classificações
A maior e mais prestigiada universidade do México decidiu obrigar cerca de 58 mil candidatos a repetir o exame de acesso ao ensino superior, depois de os resultados obtidos terem levantado fortes suspeitas de fraude em larga escala.
A Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM) vai realizar uma nova prova presencial, abandonando a experiência do exame totalmente online que marcou este ano o processo de admissão.
Ao todo, quase 160 mil estudantes participaram no exame realizado à distância, que recorreu a um sistema de vigilância com inteligência artificial, reconhecimento facial e de voz para tentar impedir irregularidades. No entanto, os resultados revelaram um aumento inesperado das classificações.
Enquanto entre 2021 e 2025 apenas 3,5% dos candidatos alcançavam 100 ou mais pontos em 120 possíveis, este ano essa percentagem subiu para 16%. Nos exames para o curso de Medicina, um dos mais concorridos, quase 30% dos candidatos ultrapassaram essa marca.
A situação, segundo o The Guardian, desencadeou uma forte polémica no país. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, admitiu mesmo que o caso poderá justificar uma investigação por parte da Procuradoria-Geral. Entretanto, centenas de candidatos manifestaram-se na Cidade do México contra a decisão de terem de repetir a prova, bloqueando importantes vias da capital.
Enquanto isso, o reitor da universidade, Leonardo Lomelí, reconheceu publicamente os problemas do processo e pediu desculpa aos estudantes que realizaram o exame de forma honesta, mas defendeu que a repetição é indispensável para garantir igualdade de oportunidades e credibilidade no acesso ao ensino superior. O responsável anunciou ainda que o início do próximo ano letivo para os novos alunos será adiado de 10 para 31 de agosto.
A UNAM já tinha anulado os resultados de 3.174 exames por irregularidades como usurpação de identidade, ajuda externa e utilização de inteligência artificial. Além disso, apresentou uma queixa-crime para investigar alegados esquemas de venda de respostas e outros serviços fraudulentos dirigidos aos candidatos e respetivas famílias.
O escândalo levou a universidade a suspender temporariamente todo o processo de admissões e a criar uma comissão técnica para reavaliar a situação, numa decisão inédita nos 115 anos da sua história moderna.