Espanha ou Argentina: quem merece ganhar o Mundial?

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Penúltima edição do Diário do Mundial. Estamos mesmo a chegar ao fim. Eu sou o João Costa e Silva. Bom dia, Miguel Gato.

Bom dia, João.

Estamos juntos mais uma vez. É o dia da grande final. Já lá vamos antecipar essa final entre Espanha e Argentina, mas ontem ficou decidido o terceiro lugar, um jogo de loucos.

Digno de hóquei em patins.

Isso mesmo.

Estávamos a falar em off e realmente foi 6 x 4. A Inglaterra conseguiu marcar seis gols à França, o que também não é uma coisa fácil. A França ainda recuperou, ao intervalo estava 4 x 0. Imagine-se bem, a França também entrou com uma equipe mais suplente do que propriamente a Inglaterra. Muitas alterações no 11 por parte de Didier Deschamps. E realmente este foi um jogo que eu, pelo menos, não esperava que tivesse-

4 x 0 no intervalo?

10 gols, não é?

Sim, ninguém esperava.

Foi um jogo que se calhar-

Nós ontem falávamos disso, de jogos com bastantes gols. E demos aqui alguns exemplos. Agora, não estávamos à espera que fosse esse.

Sim, os jogos do terceiro lugar, nós falamos disso na edição de ontem, que de fato tiveram muitos gols e isso hoje verificou-se também, se calhar, porque as equipes estavam mais relaxadas. É um jogo que não deixa de ser importante porque dá a medalha de bronze, mas, por outro lado, estas duas equipes já estão eliminadas e, portanto, isso também permite uma gestão do plantel e também uma gestão de expectativas, naturalmente, porque já não tem a expectativa de ganhar o caneco. Neste jogo, houve mais um recorde: Kylian Mbappé é, neste momento, à hora que estamos a falar, porque Messi ainda joga hoje, o melhor marcador de sempre em Mundiais de Futebol. Tem 22 gols em 22 jogos, o que de fato é impressionante.

E tem 27 anos. Agora imagina.

Pelo menos ainda vai fazer mais um Mundial, sendo que pode fazer ainda mais do que mais um. Messi tem 21 gols, joga esta noite a grande final. Com certeza não vai querer ficar atrás de Mbappé, pelo menos enquanto ainda calça as chuteiras. Já sabemos que vai ser o último Mundial de Lionel Messi, mas Mbappé tem aqui margem para realmente ficar na história como um dos melhores de sempre em Campeonatos do Mundo. Há muita gente que considera Lionel Messi o melhor jogador de sempre em Campeonatos do Mundo. Aliás, isso foi falado também numa edição do Diário do Mundial por parte do nosso repórter que esteve nos Estados Unidos, o Miguel Cordeiro. Perguntou se já podíamos falar do Lionel Messi como o melhor jogador de sempre em Campeonatos do Mundo. Eu acho que Mbappé também vai ficar na história. É curioso, porque não tem nenhuma Bola de Ouro, ainda não foi considerado nunca o melhor jogador do mundo, mas em Mundiais ele tem um impacto que é impressionante nesta equipe da França.

E os números falam por si.

Exatamente. Do outro lado, do lado vencedor, um hat-trick de Bukayo Saka, que, como também estávamos aqui a falar antes de começar o programa, não foi opção titular por parte de Thomas Tuchel em grande parte dos jogos.

Nem saiu do banco contra a Argentina.

Exatamente.

Portanto, ele deve estar com uma raivazinha.

O Bukayo Saka?

Sim.

Acredito que sim. E Thomas Tuchel teve que engolir um sapo aqui.

Já não é o primeiro.

Não é o primeiro, até porque começou logo na convocatória, o problema de convocar os jogadores Cole Palmer, Alexander-Arnold.

Phil Foden.

Phil Foden também. Portanto, grandes nomes que ficaram fora desta convocatória de Thomas Tuchel. E Bukayo Saka também não se percebe muito como é que não foi titular na maior parte dos jogos. Começou no início, mas depois foi perdendo lugar para outros jogadores e portanto aqui a mostrar cartas o extremo do Arsenal. Foi um grande jogo e que vamos com certeza recordar. Vamos ver se hoje a final vai ter tantos gols.

Duvido. Vamos falar agora da despedida de Didier Deschamps. Ganhou outros contornos ontem, não é, Miguel?

Sim, foi uma primeira parte catastrófica. 4 x 0 ao intervalo, como já dissemos aqui. Quase ganhou contornos de pesadelo, um arranque em falso. Ao intervalo, a França perdia por 4 x 0. Acabou por substituir quatro jogadores ao intervalo para também melhorar a equipe. Entraram Dembélé, Barcola, Digne e Upamecano, Cherki e Doué foram os que saíram. E realmente a equipe também ganhou outro futebol. Se calhar, Didier Deschamps quis aqui rodar a equipe, dar oportunidade a outros jogadores.

Jogadores que não tinham tido tempo para jogar neste mundial.

Exatamente. A coisa não correu bem.

É sempre o risco deste jogo de terceiro e quarto lugar, que é as equipes chegam a esta fase e visto que não podem ganhar, se calhar também vão dar outro tempo, porque os jogadores que estão ali e foram escolhidos são certamente muito bons. Já não há essa questão de não ser um jogador menos bom. Claro, há as individualidades.

Não podem jogar todos e é uma competição tão curta que vão sempre jogar os melhores, a não ser que tenha algum problema físico.

Exato, é isso.

A Inglaterra acabou por não rodar tanto, pôs alguns jogadores que não foram habitualmente titulares, como o Ivan Toney, que jogou em vez do Harry Kane, o Eze, o próprio Rashford jogou em vez do Anthony Gordon, mas manteve, por exemplo, muitos jogadores no eixo defensivo. Também mudou o guarda-redes, mas essa gestão até correu melhor à Inglaterra do que propriamente à França. Foi então uma despedida de Didier Deschamps, que ontem disse que queria deixar uma boa imagem e dar uma prenda à França antes da despedida. Acabou por dar uma boa segunda parte, mas que não chegou. E houve já reações a esta derrota, mas despedida de Didier Deschamps. Por exemplo, Kylian Mbappé, nas redes sociais, disse que era a última dança, tu que tanto nos deste. Portanto, foi uma despedida que até foi glória. Ou seja, apesar da derrota, as grandes figuras reconhecem a importância de Didier Deschamps nesta seleção. Por exemplo, também Emmanuel Macron, o presidente francês, recorreu à rede social X para prestar homenagem ao selecionador. Disse que vira-se esta noite uma página da história do futebol francês, um treinador que foi tão importante ao longo de 14 anos, disse mesmo que era a geração Deschamps. E portanto, aqui, um treinador que deixou uma grande marca na seleção francesa. Por outro lado, Thomas Tuchel, apesar de Das críticas dos adeptos, também da imprensa inglesa, que se verificaram sobretudo por causa da segunda parte contra a Argentina, aquela gestão mais defensiva que fez, disse que isso não interessa. Foi a melhor prestação da seleção inglesa dos últimos 60 anos e, portanto, os ingleses têm de estar orgulhosos.

E fecha-se aqui uma página de Deschamps à frente da França. Segue-se Zidane, não é? Ao que parece.

Ao que parece.

Ao que parece. Vamos confirmar da mesma forma que também se falou em Jesus.

Exatamente.

Que tinha acabado de terminar o jogo de Portugal frente à Espanha.

Vai ser curioso ver Zinedine Zidane ao comando da França.

Sim, vai ser interessante. Vamos agora sim à final, terceiro lugar para a Inglaterra, quarto para a França. Falta decidir, eu não vou falar do segundo, porque eu acho que os olhos estão mesmo nesse troféu.

Ninguém quer o segundo. Vamos ver quem é que levanta o caneco, se é a Argentina que repete e se torna bicampeã, ou seja, que se ganha dois Campeonatos do Mundo seguidos, ou se é a Espanha, que não vence o mundial desde 2010. Dentro de campo, o duelo, os olhos postos vão estar no astro argentino Lionel Messi, 39 anos e que está a fazer um mundial extraordinário. Eu acho que ninguém estava à espera que Lionel Messi, com a idade que tem, fizesse o mundial que está a fazer.

Esperávamos que fosse bom, não esperávamos que fosse a este nível.

Exatamente. Por outro lado, se calhar alguns achavam que Lamine Yamal ia estar a fazer um mundial melhor, com mais gols, mais assistências.

E pelo contrário.

E pelo contrário, ele tem 19 anos? Agora não tenho aqui o número, mas acho que é 19 anos. Lamine Yamal, portanto, este duelo Messi-Yamal vai ser, sem dúvida, aquele que toda a gente vai querer ver. Também o duelo de melhor ataque, neste caso a Argentina, contra a melhor defesa, a Espanha. A Espanha tem sofrido poucos gols nesta edição.

Muito pouco.

Muito pouco, exatamente, neste mundial. Portanto, estamos todos ansiosos para ver o duelo dentro de campo, que é aquele que importa, mas fora dele vamos ter um autêntico espetáculo.

Pois é, diz-me lá o que nós vamos ter, que isto aqui é tanta coisa que uma pessoa nem consegue memorizar antes.

Vai ser antes do jogo, durante o jogo, vamos ter aqui uma verdadeira americanização do futebol. Portanto, às 18h30, estou a falar hora de Lisboa, 90 minutos antes do jogo começar, a cerimônia inicial vai ser encabeçada por Post Malone. O músico vai atuar, é o cabeça de cartaz deste espetáculo antes do jogo, mas também vai receber Jennifer Hudson para cantar uma versão especial do hino dos Estados Unidos. Isto acredito que será mesmo antes do jogo. Ainda antes do jogo, vão atuar, não sei em que moldes, mas nomes como Tom Cruise, Laura Pausini, Robbie Williams, também o influencer IShowSpeed. Não sei se vai ser aqui um espetáculo de comédia, se vão atuar juntos, se vai ser individual. Muito curioso. Depois, no intervalo, que vai ter excepcionalmente meia hora, em vez dos habituais 15 minutos.

Isto eu não concordo nada. Lá está, é a americanização do futebol.

Exatamente. Parece Super Bowl.

Super Bowl, exatamente.

É o primeiro half time show estilo americano no mundial, e quem o proclamou com muito entusiasmo foi o presidente da FIFA, o Infantino, ao lado de Donald Trump. Ora, o espetáculo musical vai durar 11 minutos e conta com nomes como Chris Martin, do Coldplay, também BTS, Justin Bieber, Madonna, Shakira e Barna Boy, estes dois para cantarem.

Do "Dai Dai".

Do "Dai Dai", exatamente. Esta atuação que vai também contar com a participação de personagens da Rua Sésamo e dos Marretas, não sei se antes ou depois, e que vai ter como intuito angariar 100 milhões de dólares para o FIFA Global Citizen Education Fund, que é uma iniciativa que pretende expandir o acesso de crianças de todo o mundo à educação de qualidade e oportunidades no futebol. Esta parte mais caridosa, acho bem, faz todo sentido. Mas vamos ter aqui um autêntico Super Bowl, um half time show.

Um festival, diria eu.

E com estes tantos nomes, é normal que os bilhetes também sejam caros. Se calhar não justificava tanto.

Para a nossa carteira, não dá.

Para a nossa carteira, não dá. Isto chega aos milhares de euros. Mas olhos postos, como nós gostamos de futebol, no jogo dentro de campo, Messi versus Yamal, Argentina versus Espanha. Vamos esperar que seja um grande jogo de futebol que termine da melhor forma este mundial de futebol.

Vai ser com certeza e vamos ter emissão especial em direto aqui na Rádio Observador para acompanhar esta final. A partir do jornal das 19h, há também relato desta final Espanha-Argentina, aqui na Rádio Observador. Miguel, um abraço.