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Primeira jornada do campeonato e com honras de abertura, Mário Cajica, muito bem-vindo a mais um relatório de jogo, o primeiro desta época. Que honra. Um abraço, Mário.
É o primeiro de muitos.
Vamos falar do jogo de estreia do Sporting neste campeonato. Primeira jornada, empate 2 em casa do Estrela da Amadora. Depois de uma pré-temporada com muitos gols marcados, poucos sofridos e totalmente consistida em uma consistência de vitórias, o Sporting acaba por abrir mão de dois pontos logo ao abrir o campeonato. Depois de uma primeira parte onde não foi muito eficaz, mas foi dominador. Chegou na segunda parte, parece que com o gás todo, fez um gol ao minuto 46 por Zalazar, depois outro ao minuto 59 por Gioanidis, mas depois desapareceu do jogo, deixou-se empatar. E aqui, questão central, a mexida de cada um dos treinadores. Rui Borges mexeu, perdeu qualidade. Pepa mexeu, ganhou ele no jogo. Mas falando primeiro da primeira parte, Mário.
Sim, já fizeste um ótimo resumo. Mas a primeira parte é do Sporting, ou seja, o Sporting foi de longe melhor equipa, criou oportunidades, mais do que oportunidades até para marcar. E a verdade é que tem ali momentos em que, de fato, se pedia um pouquinho mais ao Gioanidis, que foi se calhar o elemento que revelou-
Que menos eficaz esteve.
Sim, esteve muito perdulário, que revelou alguma dificuldade nesse momento de finalização. Muita atenção também e nota para o Leo Link, que esteve bem entre os postes na primeira parte.
É um link seguro. Para roubar o linguajar da internet.
Foi. Não há vírus. E esteve muito bem na primeira parte. A partir desse momento, e com o 0x0, ficamos sempre nessa ideia de que o Sporting precisava de mudar algo, mas a verdade é que não mudou peça nenhuma e na segunda parte, as mesmas peças ditaram uma história diferente. O Zalazar muito mais em jogo e a verdade é que com dois lances, diria que praticamente coloca ali o Sporting numa situação favorável, o primeiro no momento de finalização, o segundo na excelente-
A descobrir o Gioanidis na área para uma grande assistência e um bom movimento do avançado que só teve que encostar.
Excelente ação do Zalazar pelo corredor, exatamente, que depois o Gioanidis teve ali o papel mais fácil, que foi finalizar. Mas a verdade é que o Sporting entrou bem também na segunda parte e acho que nada o fazia prever o que depois acabou mesmo por acontecer, que foi essa enorme reação do Estrela da Amadora. E surge, diria, devido a dois contextos: a capacidade que o Estrela teve para crescer. Eu acho que a entrada do Rubinho e do Benito, do próprio Encada, acho que principalmente a do Benito e do Rubinho foram fundamentais, mas também as duas alterações que o Rui Borges fez, que eu acho que não ajudaram muito a equipa. Hoje temos de ser claros e eu estou perfeitamente à vontade, que já elogiei muito o Rui Borges. Hoje critico, porque acho que não esteve bem na forma como mexeu na equipa.
E por quê? Porque sinalizou que a equipa deveria, de alguma forma, não carregar tanto? O que sinalizaram essas...? Houve também aqui uma questão trazida pelo João Castro, que foi a questão da substituição de Soares, que pouco ou nada deu ao jogo, entrou quesilento, recebeu um cartão amarelo imediatamente, não por lance de jogo, mas por altercação com o adversário, e depois pouco ou nada deu na pressão e também muito ausente nos momentos em que foi chamado ou podia ter procurado os seus espaços. O que é certo é que João Castro acusou aqui o Rui Borges de fazer uma substituição mais pelo estatuto do que propriamente pelas necessidades técnicas da equipa. Concordas, Mário?
Eu percebo o que o João Castro diz e a questão do Nelo. Se calhar, eu até colocaria o Nelo a titular e não o Gioanidis. Agora, naquele momento em que tem o Luís Soares no banco, eu não consigo condenar assim tanto a alteração, porque para todos os efeitos, eu creio que a ideia do Rui Borges não era estar aqui um bocadinho a pensar no jogo apenas de pressão, era exatamente a ideia de ter um pouquinho mais de bola naquela fase, mas de fato correu tudo ao contrário. Eu critico um bocadinho mais até a saída do Flávio Gonçalves, que estava muito bem, e a partir daí o Sporting até perdeu muito impacto.
O Sporting, que não mencionamos aqui, começou com essas duas surpresas no 11. Por um lado, Rodrigo Dias, talvez mais surpresa do que Flávio Gonçalves, que surpreendeu pela titularidade, mas já andava a fazer das suas na pré-época. Aqui a fazer lembrar Pedro Gonçalves em alguma da criatividade, para já ainda sem esse poder de finalização, mas Rui Borges acaba por tirar esse jogador numa altura crucial do jogo.
É isso. Acho que o momento da saída é infeliz e não esteve bem o Rui Borges na substituição. Parece-me, por dois motivos: porque retirou o Doumbia do jogo, porque o Doumbia perdeu muito impacto a partir do momento em que deixou de estar ali no duplo pivô com o Altimira, que reforço, fez um jogo muito interessante também. E a verdade é que eu creio que a ideia do Rui Borges era mesmo essa, de ter ali um bocadinho mais de bola e equilibrar a equipa e acima de tudo assentar o jogo com posse e deixar o jogo correr, mas foi exatamente ao lado, porque-
O jogo partiu.
O jogo partiu, o Doumbia a procurar movimentos interiores e deixaste de ter ali praticamente corredor, porque Com todo o respeito, mas ter o Pedro Rodrigues não é ter o Maxi Araújo, que te dá esse conforto para chegar mais longe, mas ao mesmo tempo compensa a equipa defensivamente quando é necessário, e percebeu-se que havia ali uma lacuna. O Sporting desde esse momento deixou de ter bola, deixou de ter capacidade para segurar o jogo e o Estrela caiu em cima da equipa verde e branca. O Rubinho ajudou muito nesse processo também com a sua entrada e juntamente com o Zvonarek, ganhou muita presença no meio-campo. O Benito também teve uma entrada impetuosa e com capacidade para gerar desequilíbrio no corredor direito e depois foi quase a tempestade perfeita. Todas as alterações não acrescentaram aquilo que eu acho que o Rui Borges quereria. O próprio Rui Borges fez questão de deixar essa mensagem para a equipa, acho que foi bastante claro nesse processo.
Deixou alguma aqui sem avisar nomes diretamente, sem falar ninguém diretamente, mas surgiu de alguma forma que aqueles que entraram, e eles têm o nome, acabaram por não ter uma atitude à Sporting. Não foi só o resultado, nem a prestação, foi também a postura anímica dos jogadores. Isso é também sinal de que o treinador está com alguma dificuldade em fazer um balneário depois de ter perdido um balneário com muitos nomes habituados a conquistar títulos pelo Sporting.
Sim, hoje faltaram vozes de comando. E com todo o respeito, continuo a achar que perder o Morten Hjulmand, que era uma das vozes de comando, um dos líderes da equipa, se calhar naquela fase em que o Sporting precisava daquela expressão que se usa e que é tão usada no futebol, de ter a faca nos dentes e ter ali um bocadinho de matreirice, de agressividade, perdeu-se isso tudo. O Sporting deixou de ter discernimento para gerir o jogo. E a verdade é que um plantel que precisa de ser campeão, precisa também de ter alguns momentos em que quando percebe que o jogo lhe está a fugir, baixar um bocadinho o nível e a intensidade do jogo. E o Sporting não conseguiu fazer isso. O Sporting continuou a dar chama ao Estrela, continuou a dar bola ao Estrela, não cortou o jogo, não deixou que o jogo entrasse outra vez na sua órbita e era o que dizíamos. A verdade é que acabámos o jogo quase a olhar, se calhar, até para a reviravolta, porque a certa altura, quando está 2 x 2, ficou mais perto do que o terceiro.
É um bom meio para ir sentido essa pulsação de quando é que os lances são verdadeiramente perigosos e de como é que há esse crescendo. E nós fomos sentindo aqui até sonoramente, esse crescimento do Estrela, através do relato do Alexandre Luna Pais, e aqui aumentando a intensidade também, porque certamente transmitiam os jogadores do Estrela através do corpo, guardados também para aqueles minutos finais para aplicar toda a intensidade. Também uma belíssima estratégia e surpreendente. Costuma ser um pouco ao contrário, não é?
Sem dúvida. E a segunda parte do Estrela é muito boa, há que dizer, principalmente ali naquela fase final, em que o Estrela cria aqui algumas oportunidades e depois até tem aquele lance que o Rui Silva faz uma boa defesa, que podia ter dado 3 x 2. E a verdade é que há que dar muito mérito também à exibição da equipa tricolor neste encontro, com obviamente essa devida ressalva de que fato o Sporting caiu muito na fase final e entra com o pé esquerdo e acho que deve muito a si o facto de não sair deste jogo com os três pontos.
O Sporting acaba por ceder dois pontos. Achas que isto vai de alguma forma afetar a corrida pelo título do Sporting? Animicamente, o Sporting sai daqui já ferido, sobretudo se amanhã se registarem vitórias de Benfica e Foco do Porto.
Não, acho que ainda é muito cedo, honestamente. Agora, se me perguntares se o Rui Borges vai sentir aqui um bocadinho, não diria de contestação, mas se calhar de alguma insatisfação.
Já vem de alguma forma também, talvez da época passada. Dá a ideia que o treinador está um pouco na calha, sobretudo depois da derrota na final da Taça.
É, a derrota da final da Taça, já se sabia que ia sempre passar um bocadinho para esta nova época se as coisas não começassem a correr de feição.
Não se falou muito nisso, na verdade, depois da pré-época, porque teve alguns números, mas fica essa ideia de que a qualquer mau resultado ou a qualquer afetação nos planos do Sporting, tem aquela sensação de que há contestação em Rui Borges, que não há essa sensação de confiança generalizada como havia, por exemplo, em torno de Rúben Amorim.
Sim, eu acho que é isso. E foi uma derrota pesada no sentido do adversário e como foi. O Sporting podia ter tido ali um final de época terrível, estiveste quase a um mês de ver o Sporting a alinhar com o Champions.
Dependeu do Benfica para chegar à Champions.
Sim, foi a queda do Benfica com o Braga. Se não existisse esse empate do Benfica com o Braga e se o Benfica tivesse ganhado o jogo, o Sporting não tinha chegado ao segundo lugar, não estava na Champions. Estava o Benfica na Champions. Estava a fazer este percurso.
Os jogos com o Benfica têm esse efeito.
Exatamente. Mas há aqui uma coisa que pode ajudar agora um bocadinho, obviamente, o Sporting. Tem dois jogos em casa, frente ao Vitória e frente ao Alverca, portanto, teoricamente dois jogos em que o Sporting terá forçosamente de criar oportunidades, terá a obrigação de ganhar e tem esse fator. Se ganhar estes dois jogos, pode outra vez tranquilizar-se um pouco. Mas se, por outro lado, as coisas voltarem a claudicar um bocadinho, se surgir ali esta tremideira final, claro que isto não tranquiliza a equipa. Agora, questões de campeonato, acho que é muito prematuro, embora o foco do Porto na época passada nos tenha passado uma mensagem de que é possível, de facto, numa primeira volta.
Perder pontos não é comum ao foco do Porto de Varela e muito menos sofrer golos. E isso também é uma vantagem considerável. E fomos falando disso. Por um lado, para fechar, antes de irmos ao melhor ou pior, o foco do Porto tem grandes garantias na baliza. Diogo Costa é um guarda-redes que faz defesas que ganham campeonatos. Aqui o Sporting, na verdade, logo à primeira jornada, pode ter sido confrontado com uma postura do seu guarda-redes ou uma ação do seu guarda-redes que se quer exatamente o contrário, uma daquelas que faz perder campeonatos. Não temos a certeza se a bola ia ou não à baliza no gol do Benito, o que é certo é que Se não ia o Sia, muito ajudou a intervenção de Rui Silva.
Está mal na fotografia. E dizer muito bem, se tens um Foco do Porto com o Diogo Costa, não se sabe se sai ou se não, se não sair é quase um reforço de luxo para a nova época. Tens o Benfica numa fase em que nem se sabe bem quem é o guarda-redes titular e o que vai acontecer.
Se é Trubin, se é Samuel Soares, Trubin aparentemente está descontente e quer sair.
Sim, Trubin foi o que foi na época passada, cometeu muitos erros. Eu continuo a achar que grande parte dos gols sofridos pelo Benfica na época passada, o Trubin tem culpa em vários e o Rui Silva em alguns momentos vai falhando. E este foi mais um em que falhou. Depois, de fato, efetivamente faz uma grande defesa, mas já sabemos que a vida de guarda-redes de equipe que luta pelo título é ingrata e numa falha, está ali uma grande nódoa, e uma nódoa que hoje resultou um empate. E eu acho que o Rui Silva, obviamente, tal como o Eduardo Quaresma, que até estava a fazer um bom jogo, ficam aqui ambos ligados a dois momentos infelizes do Sporting.
Para fechar este primeiro relatório do jogo da época 2026/2027, que honra Mário Cajica.
É verdade.
Estrela Amadora 2, Sporting também 2. Neste encontro, o que é que foi pra ti o pior, para depois fecharmos em nota de hoje?
Ok, ao contrário.
Hoje faremos, sim. Para não terminar em aspecto negativo, não é uma boa inversão.
É bem dado. Olha, do lado do Estrela, não fiquei totalmente convencido com a exibição dos centrais. Senti o Chapo e o Luan Patrick, de quem eu gosto, gosto de ambos, mas senti-os hoje um pouquinho menos agressivos, digamos assim, em alguns momentos.
Com dificuldades físicas, sobretudo com o Ioannidis, depois tiveram a vida um pouco mais facilitada com o Soares.
Sentiu-se um pouco isso na primeira parte, principalmente, e perderam alguns duelos que noutro tipo de circunstância e com outro tipo de finalização do lado do Sporting podiam ter saído caros. Mas como dizias e muito bem, na segunda parte também melhoraram porque o impacto do Sporting também desceu. Do lado da equipe do Sporting, não vou individualizar em relação às substituições, porque acho que quase nenhum dos jogadores que veio do banco acrescentou algo. Portanto, posso falar mesmo das substituições e de Rui Borges. Dos jogadores que estiveram em campo, o Rui Silva esteve efetivamente ligado a um momento infeliz. O Ioannidis, apesar do gol, também falhou muitas oportunidades e pareceu um bocadinho longe do melhor Ioannidis. E também não fiquei totalmente convencido com o Gonçalo Inácio neste jogo. Pediu-se ao Inácio, se calhar, o sentido de liderança que eu acho que hoje não se verificou. Eduardo Quaresma, sim, está ligado ao gol sofrido.
E agora a pergunta é se Gonçalo Inácio tem essa capacidade de liderança, porque é um jovem jogador do Sporting, já o vimos muitas vezes, tem uma boa prestação, mas animicamente, dentro de campo, às vezes parece perder um pouco o controle e também não parece o melhor dos comunicadores. E será sempre importante que um capitão saiba comunicar. Não parece o tipo de jogador que entra no balneário e tenha uma postura, digamos, de capacidade de unir. Não que isso seja um defeito, tem a ver com as características da personalidade. Não parece propriamente o mais extrovertido dos capitães, digamos assim.
Sim, não dá essa ideia. Não sei como é que Inácio é no balneário, naturalmente, mas não dá essa ideia. Acho que isto depende de treinador para treinador. O Morten Hjulmand foi capitão de imediato, portanto, depende aqui um bocadinho.
Tem sempre a ver mais com o perfil.
Eu acho que sim.
Muitas coisas contarão para o perfil, tempo de casa, capacidade de liderança.
Para mim é sempre o perfil de liderança. E eu estava à espera de outro capitão no Sporting, não te nego. Até pensei, se calhar, que seria o Araujo. Foi um jogador que me veio à cabeça que poderia ser o capitão ou algum dos jogadores novos.
Mesmo Eduardo Quaresma, dentro do perfil da antiguidade e até da postura que parece ter. Parece ser um jogador, talvez, não muito disciplina, mas pelo menos mais de união.
Exato. Mas pronto, olhando para o que vi dentro de campo, hoje senti um Gonçalo Inácio longe daquilo.
Com o peso da braçadeira, também?
Isso já não sei, mas esteve um pouquinho longe daquilo que se exige e o Eduardo Quaresma, volto a dizer, está ligado, sim, ao primeiro gol, mas a verdade é que, olhando para a exibição, foi uma exibição muito mais confiante e muito mais segura do que propriamente a do Gonçalo Inácio.
E para fechar o melhor neste empate entre Estrela e Sporting a duas bolas na estreia na primeira jornada do campeonato.
Olha, do lado do Estrela, vou dar aqui uma nota muito positiva a três elementos, ao Lealinho na baliza, ao Antonetti na frente de ataque, acho que esteve muito bem, não só pelo gol, mas ganhou muita bola e algumas bolas importantes. O Abraham Marcos, que é um dos melhores hoje, esteve um pouquinho mais apagadinho, mas o Benito entrou muito bem no jogo, tal como o Rubinho, mas principalmente o Benito, foram fundamentais também na reação do Estrela da Amadora. Do lado do Sporting, tenho que deixar aqui notas positivas para o Altimira, para o Flávio Gonçalves, que foi dos melhores, para o Zalazar e também para o Rodrigo Dias. Acho que estiveram os quatro bem. O Zalazar mais na segunda parte, o Rodrigo Dias com uma exibição muito homogênea e muito certinha em grande parte dos momentos e o Flávio Gonçalves até sair esteve muito bem. O Altimira, diria que de todos os que cumpriram os 90 minutos, foi se calhar o mais certinho da equipe verde e branca.
Feito e entregue o primeiro relatório de jogo desta época 2026/2027, assinado por Mário Cajica e referente ao jogo Estrela 2, Sporting também 2. Deslize do Sporting na estreia deste campeonato. Mário Cajica, cá estamos para mais uma época. Um abraço e até à próxima.
Obrigado, um abraço.