"Não é o tribunal que me chama, não é o Ministério Público que me chama, sou eu próprio que entendo que essa decisão tem de ser revista e, por isso, eu próprio convoquei o Tribunal de Contas, que será magnânimo como sempre", afirmou o ministro
O ministro da Administração Interna negou esta quinta-feira que vai ser julgado pelo Tribunal de Contas por alegadas infrações financeiras cometidas durante o período em que dirigiu a Polícia Judiciária.
Luís Neves disse aos jornalistas, à margem de uma iniciativa em Leiria, que foi ele próprio que fez intervir o Tribunal de Contas no processo.
“Eu não vou ser julgado, sou eu próprio que faço intervir o Tribunal de Contas. Não é o tribunal que me chama, não é o Ministério Público que me chama, sou eu próprio que entendo que essa decisão tem de ser revista e, por isso, eu próprio convoquei o Tribunal de Contas, que será magnânimo como sempre”, afirmou o ministro.
O ex-diretor nacional da PJ disse que iria contestar a ação do Ministério Público, relativa à auditoria do Tribunal de Contas às contas da PJ de 2023, “porque entendo que esse facto que aí está foi para salvar uma operação policial de grande importância, de combate ao crime organizado transnacional”.
“Tinha de ser tomada uma decisão de urgência, tinha de ser tomada uma decisão sob confidencialidade e quero dizer o seguinte: a forma como essas viagens foram adquiridas poupou dinheiro ao Estado”, acrescentou, responsabilizando a empresa que foi contratada para fornecer as viagens, que “não apresentou fatura, apesar de ter sido paga”.
“É um facto que não é imputável à PJ. O que é certo é que o Tribunal de Contas, na primeira instância, entendeu que não havia qualquer penalidade, por mínima que fosse".
Sobre a auditoria interna pedida pela ministra da Justiça aos anos em que Luís Neves liderou a PJ, o ministro diz que Rita Júdice "ordenou [a realização de uma auditoria] e ordenou bem".
"Já disse que estou absolutamente tranquilo, e ainda bem que todas essas auditorias, investigações, averiguações e audições se fazem para que, no final, a verdade de tudo venha ao de cima".