Os Estados Unidos admitiram na sexta-feira que perderam a confiança de que as missões de paz da ONU, da forma como são atualmente concebidas e financiadas, produzam resultados proporcionais aos seus custos e à sua abrangência.
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Num debate do Conselho de Segurança sobre as Operações de Manutenção da Paz das Nações Unidas, o diplomata norte-americano Jeffrey Bartos defendeu avaliações rigorosas das missões, responsabilização pelos resultados definidos e metas realistas e alcançáveis, focadas em funções de segurança que apoiem um plano político.
“As Nações Unidas estão atoladas em burocracia e processos — incluindo longas revisões e declarações — quando a resolução de conflitos exige, na realidade, adaptações concretas e oportunas. As operações de manutenção da paz não são exceção”, defendeu Bartos, argumentando que a “diplomacia decisiva, apoiada por poder de influência real, é o que de facto põe fim às guerras”.
Criticou ainda o Secretariado da ONU, liderado por António Guterres, por não produzir relatórios com detalhes concretos para a transição e a desmobilização das missões.
“O Secretariado deve dizer ao Conselho o que ele precisa de saber, não o que ele quer ouvir. (…) Essa franqueza inclui recomendações específicas do Secretariado, para que o Conselho possa reconfigurar ou encerrar missões com baixo desempenho quando necessário”, advogou.
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“A boa gestão do dinheiro dos contribuintes americanos exige maior eficiência e responsabilidade na forma como o Secretariado administra os fundos destinados às operações de paz”, disse Bartos.
Na intervenção, os Estados Unidos defenderam igualmente uma aplicação rigorosa da política de tolerância zero à exploração e ao abuso sexual por parte de membros das operações de manutenção da paz.
No mesmo debate em que Guterres instou os Estados-membros a financiarem as missões paz de forma previsível e adequada, Bartos classificou essas operações como “instrumentos falhos que precisam de uma reforma fundamental”.
Portugal participou no debate, com o embaixador, Rui Vinhas, a recordar que o país “contribuiu com mais de 20.000 agentes para as missões de manutenção da paz da ONU nos últimos 65 anos”.
Vinhas também reconheceu que as operações de manutenção da paz necessitam de um maior foco e de mandatos adaptáveis, assim como de uma maior agilidade.
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“Mas a flexibilidade não deve significar desligamento. Quando uma crise eclode, devemos agir mais cedo e adaptar-nos mais rapidamente”, defendeu o diplomata português.
“Em suma, as operações de manutenção da paz devem tornar-se mais políticas, mais estratégicas, mais adaptáveis e melhor equipadas para ambientes cada vez mais complexos e desafiantes”, acrescentou.
Já António Guterres delineou cinco prioridades para operações de paz: colocar a consolidação da paz em primeiro lugar, construir parcerias mais fortes com os Estados anfitriões, adaptar os mandatos às realidades atuais, capacitar as operações de paz com recursos e tecnologia adequados e fortalecer a cooperação com as organizações regionais.