EUA busca professor de “português brasileiro” para treinar militares

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Vaga anunciada prevê aulas e interpretação para militares e agentes do governo. Treinamento ocorrerá entre outubro e novembro, nos EUA

22/09/2026 15:22

, atualizado 22/09/2026 15:53

Markus Rauchenberger/Exército dos EUA
Militares dos EUA em treinamento na Alemanha junto a soldados do Reino Unido

A poucos dias do primeiro turno das eleições brasileiras, uma empresa que presta serviços linguísticos a militares e órgãos de inteligência dos Estados Unidos abriu uma vaga para um instrutor de “português brasileiro”. O profissional selecionado dará aulas e atividades de interpretação e tradução durante um programa voltado a militares e profissionais do governo norte-americano.

A oportunidade foi publicada pela Ascensus Global, Inc., empresa pertencente a veteranos com deficiência nos Estados Unidos. Segundo a descrição da vaga, a companhia presta serviços de treinamento em idiomas e cultura para mais de 40 clientes militares e de inteligência dos EUA, além de organizações governamentais, comerciais e sem fins lucrativos.

O Metrópoles acionou a empresa para questionar qual órgão ou agência do governo norte-americano será atendido pelo treinamento, qual é a finalidade do programa e se a contratação tem alguma relação com o Brasil ou as eleições de 2026.

Até a publicação desta reportagem, não houve resposta.

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O programa terá duração de três semanas, entre outubro e novembro de 2026. Uma das etapas será realizada de forma virtual, e outras duas ocorrerão presencialmente em Montgomery, no estado do Alabama. As datas exatas ainda não foram divulgadas.

As despesas de viagem do profissional selecionado serão custeadas pela empresa.

A vaga exige fluência nativa em português, domínio avançado do inglês e experiência profissional no ensino do idioma para militares ou funcionários do governo. Também são exigidas experiência em tradução e interpretação entre português e inglês e capacidade para desenvolver materiais didáticos.

Entre as atividades previstas estão preparação de conteúdos, aulas em português sobre temas definidos pelo programa, exercícios de interpretação, dramatizações e outras atividades destinadas à aplicação prática do idioma. O instrutor também deverá auxiliar na realização de avaliações dos participantes e no planejamento de atividades de treinamento.

Uma das qualificações consideradas desejáveis é a familiaridade com ambientes militares.

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Reprodução/Ascensus Global

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Victor Santos/Arte Metrópoles

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Andrew Harnik/Getty Images

Treinamento será em base ligada à educação militar

As duas semanas presenciais do programa serão realizadas em Montgomery, onde fica a Maxwell Air Force Base. A instalação abriga a Air University, centro de educação e desenvolvimento de lideranças da Força Aérea dos Estados Unidos.

Segundo informações oficiais da própria Força Aérea, a universidade oferece educação militar profissional para oficiais, militares de outras patentes e funcionários civis do Departamento da Força Aérea, além de integrantes de outras forças e parceiros internacionais.

A instituição também é descrita como centro de educação militar profissional da Força Aérea e da Força Espacial dos EUA.

Em 2026, a Air University afirmou que alinha seus programas de educação militar às necessidades operacionais das Forças Armadas e ao desenvolvimento de líderes capazes de atuar em ambientes estratégicos e de segurança.

O anúncio da Ascensus, no entanto, não informa qual órgão, força militar ou unidade do governo dos EUA será atendido pelo treinamento, nem estabelece qualquer relação entre a contratação e as eleições brasileiras.

Atenção de Washington sobre o Brasil

A abertura da vaga ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasil e EUA e à ampliação da atuação de Washington no Hemisfério Ocidental. Relatório reservado da Abin apontou como crítico o risco de interferência norte-americana nas eleições brasileiras de 2026 e citou uma pressão crescente sobre o país.

Nesta terça-feira (22/9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou ingerências externas em processos eleitorais e defendeu a soberania brasileira. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou o mandatário.