"Há muito tempo que atacamos (…) embarcações de pequeno porte que querem atravessar e as impedimos de passar", disse o porta-voz da força, Hosein Mohebi, à televisão estatal.
"Mas os Estados Unidos não estão a responder há algum tempo", declarou Mohebi, citado pela agência espanhola EFE.
Nas últimas semanas, alguns meios de comunicação do Irão reportaram incidentes e sons de explosões perto de Ormuz.
A organização britânica que monitoriza a navegação marítima, a UKMTO, anunciou hoje que três navios foram atacados no estreito de Ormuz na terça-feira, de acordo com a agência francesa AFP.
A UKMTO disse que os navios foram atingidos por projéteis de origem desconhecida e renovou os alertas para que as embarcações transitem com o maior cuidado no estreito.
Um marinheiro indiano morreu na semana passa num ataque de origem desconhecida contra um navio mercante com bandeira de Antígua e Barbuda enquanto transitava pelo estreito de Ormuz.
O estreito de Ormuz, pelo qual transitava antes da guerra um quinto dos hidrocarbonetos mundiais, está no centro do conflito que os Estados Unidos e Israel desencadearam em 28 de fevereiro com ataques contra o Irão.
O Irão garante que tem o controlo da passagem marítima e que os navios que a queiram atravessar devem obter a sua autorização e passar por rotas estabelecidas por Teerão.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem contraposto que as forças norte-americanas mantêm o controlo de Ormuz e que têm passado pelo estreito "quantidades enormes" de petróleo.
Segundo dados da consultora marítima Kpler, os envios de petróleo através do estreito de Ormuz registaram uma média de cerca de 13,2 milhões de barris diários durante a última semana, aproximadamente 77% dos níveis anteriores à guerra.
Desde o início da guerra, o Irão mantém bloqueado o estreito de Ormuz, ao que os Estados Unidos responderam com um cerco naval a portos e navios iranianos e medidas para tentar asfixiar a economia da República Islâmica.
As perturbações na navegação no estreito causaram aumentos de preços em muitos países e originaram o receio de uma crise a nível global.
Após mais de sete meses de conflito e de impasse diplomático, as conversações indiretas entre norte-americanos e iranianos foram retomadas na semana passada, à margem da Assembleia Geral da ONU, mas o desfecho mantém-se incerto.
A porta-voz do Governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, disse hoje que o Irão recebeu uma resposta formal dos Estados Unidos à sua última proposta para pôr fim à guerra no Médio Oriente.
"Hoje, em Conselho de Ministros, a proposta da parte norte-americana foi apresentada ao Presidente Massoud Pezeshkian pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi", disse a porta-voz à agência estatal IRNA.
Não foram revelados quaisquer pormenores da resposta dos Estados Unidos.
Trump anunciou no sábado, em declarações aos jornalistas, que tinha rejeitado a proposta iraniana.
Os Estados Unidos não atacam o Irão desde 01 de setembro, embora vários navios continuem a ser visados com frequência no estreito de Ormuz.
Washington reforçou, no entanto, a guerra económica contra o Irão, aplicando sanções à totalidade das companhias aéreas iranianas e prometendo ser intransigentes em relação a empresas estrangeiras que lhes prestem assistência.
Leia Também: Chefe da diplomacia iraniana encontra-se com mediador do Qatar em Nova Iorque