"Devido à incapacidade em levar a cabo reformas, contrariamente aos compromissos assumidos perante os Estados Unidos, e às atividades persistentes que comprometem as perspetivas de paz, os EUA vão prolongar as sanções que proíbem a concessão de vistos a membros da OLP e a responsáveis da Autoridade Palestiniana", indicou o Departamento de Estado em comunicado.
Uma fonte não identificada confirmou à agência France-Presse que Abbas está abrangido pela medida. Já no ano passado, a administração Trump tinha tomado idêntica decisão, obrigando o dirigente palestiniano, habitual participante na Assembleia Geral, a intervir por videoconferência.
Washington acusa Abbas de ter "falhado nos compromissos em favor da paz no Médio Oriente", apontando "ações que minam" e que visam "internacionalizar o conflito israelo‑palestiniano, nomeadamente através do Tribunal Penal Internacional (TPI) e do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ)".
Os EUA criticam ainda a Autoridade Palestiniana por "procurar contornar negociações através de reconhecimento unilateral" e por continuar a pagar subsídios a "terroristas" e glorificar atos de terrorismo em declarações públicas e manuais escolares.
A posição norte‑americana contrasta com a de vários países, incluindo a França, que reconheceram no ano passado na ONU a existência de um Estado da Palestina. No total, 142 Estados membros apoiaram essa decisão, na sequência de uma conferência sobre a solução de dois Estados copresidida por França e Arábia Saudita.
A decisão surge num contexto de agravamento da violência na Cisjordânia, onde ataques de colonos israelitas contra palestinianos se multiplicaram nos últimos meses. Israel ocupa o território desde 1967 e os confrontos intensificaram‑se após o ataque do Hamas de 07 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza.
Segundo um balanço da AFP baseado em dados do Ministério da Saúde palestiniano, soldados ou colonos israelitas mataram pelo menos 1.109 palestinianos – combatentes e civis – desde 7 de outubro.
A comunidade internacional manifestou preocupação com a escalada, mas os Estados Unidos mantiveram‑se em grande parte discretos, afirmando apenas que se opõem a qualquer anexação de território palestiniano.
A sede da ONU está situada em Nova Iorque, nos Estados Unidos.
O Acordo de Sede da ONU diz que autoridades estaduais, federais ou locais não devem impor nenhum impedimento ao movimento de representantes dos Estados-membros de ou para a sede central da ONU, em Nova Iorque, independentemente das relações existentes entre as autoridades visitantes e o Governo dos Estados Unidos.
No entanto, frequentemente os Estados Unidos alegam que podem restringir esses vistos por motivos de segurança nacional.
No ano passado, o Brasil enfrentou também demora na atribuição de vistos para a Assembleia-Geral da ONU.
Já em maio deste ano, Washington foi criticado por não emitir o visto necessário para a procuradora-adjunta do Tribunal Penal Internacional (TPI) se deslocar a Nova Iorque para discursar perante o Conselho de Segurança.
Nesse mesmo mês, o embaixador russo junto da ONU denunciou a recusa dos Estados Unidos em conceder um visto ao vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia para participar num debate ministerial do Conselho de Segurança.
A Semana de Alto Nível da 81.ª Assembleia-Geral da ONU arranca a 22 de setembro em Nova Iorque, naquela que será a última sessão que António Guterres irá marcar presença enquanto secretário-geral da organização.
Entre os líderes esperados para este debate estão os Presidentes dos Estados Unidos, do Irão e da Ucrânia, bem como o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov.
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