Marcola pediu quadro de R$ 100 mil a lobista, diz jornal - 22/08/2026 - Política - Folha

O ex-chefe de gabinete do presidente Lula Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, pediu um quadro à lobista Roberta Luchsinger, que ela disse estar avaliado em € 100 mil, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com a reportagem, Marcola perguntou a Luchsinger, num aplicativo de mensagens: "E meu quadro?? Kkk". A lobista, então, teria enviado uma foto, informando que a obra estava sendo emoldurada e seria entregue.

"Ela ainda afirma que vai preparar documentação e que o quadro estava no ‘carrossel do louvre’. Na sequência ela afirma que o quadro vale 100 mil euros", diz a Polícia Federal, ainda de acordo com o jornal.

A defesa de Marco Aurélio Ribeiro nega ter recebido a obra de arte ou outros objetos de valor. Ressalta ainda que a mensagem foi acompanhada de "kkk", o que evidenciaria "que não se trata de uma cobrança de fato".

A defesa ainda afirma que não teve acesso à íntegra dos autos e do inquérito, "que vem sendo parcialmente vazado com objetivo de distorcer o próprio teor da investigação". Os advogados ainda afirmam que "Marco Aurélio nunca intermediou negociações ou encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações públicas".

A conversa, ocorrida em dezembro de 2024, foi transcrita pela PF e citada como possível pagamento, ainda de acordo com o jornal.

Os diálogos indicariam ainda que Roberta encaminhou a Marcola uma relação de assuntos de seu interesse no governo federal e recebeu dele a orientação para tratar do tema por telefone.

A suspeita é que Marcola tenha recebido vantagens indevidas, inclusive financeiras, para auxiliar Roberta Luchsinger na sua atuação como lobista junto ao governo federal. O chefe de gabinete tinha a confiança do presidente Lula, por vezes intermediando ligações, uma vez que o presidente não tem celular.

Marcola recebeu R$ 249 mil de Luchsinger, numa operação descrita pelo ex-chefe de gabinete do presidente como um empréstimo pessoal e já quitado. Ele deixou o Planalto em junho para integrar a campanha de Lula, mas saiu da função após as revelações virem à tona.

Nesta semana, a Folha revelou que a lobista Roberta Luchsinger pagou R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, financiamento de um veículo e outras despesas para Marcola.

A crise atingiu Lula em duas frentes. Um dos seus filhos, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é amigo de Roberta Luchsinger. A PF aponta que ele seria beneficiário indireto da ação da lobista, que teria buscado contatos políticos para facilitar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao governo federal.

Ainda de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a investigação da PF cita Lulinha como "destinatário de pagamentos e benefícios" custeados pelo empresário Cléber Ribas.

Ribas buscava contratos com a Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência). De acordo com a PF, Roberta Luchsinger cobrava do empresário pagamentos que dizia serem destinados a Lulinha. O filho do presidente, por sua vez, em ao menos uma ocasião pediu a ela a emissão de uma nota fiscal e, segundo os investigadores, se beneficiava dos recursos para despesas pessoais.

Ainda de acordo com o jornal, Roberta Luchsinger teria afirmado em mensagens que Lulinha marcou uma reunião no Planalto, em maio de 2024, entre Marcola e o governador do Maranhão, Carlos Brandão. De acordo com as mensagens da lobista, Lula faria a "liberação da obra dele". O governador negou articulação de Roberta e disse que não depende de terceiros para as agendas com o presidente.

Segundo a reportagem, Roberta Luchsinger teria conversado com Lulinha sobre a agenda de Marcola e sugerido ao filho do presidente Lula: "Eu já avisei o Brandão que você conseguiu a agenda, então se quiser falar com o governador, tá confirmado às 16h, fazer uma moral, tá?".

Em junho, Lula foi ao estado e anunciou um investimento de R$ 59 milhões no Maranhão através do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O grupo de Brandão encontra dificuldades de articulação desde que rompeu com o PT, após a indicação do ministro Flávio Dino para o STF (Supremo Tribunal Federal).