Ex-PMs vão a julgamento por assassinato de advogado em Fortaleza | G1

A dupla de ex-PMs foi pronunciada (isto é, encaminhada para o júri popular) por decisão da Justiça Estadual, em maio de 2025. A defesa dos dois réus recorreu da decisão, mas desistiu do recurso. Com isso, a 1ª Vara do Júri de Fortaleza agendou a data do julgamento para 30 de julho, às 8h30.

Os acusados vão ser julgados pelo júri popular pelos crimes de homicídio qualificado e associação criminosa. Glauco Bonfim possui antecedentes criminais por posse irregular de arma de fogo; enquanto José Luciano já responde por homicídio, porte ilegal de arma de fogo e lesão corporal.

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O empresário da área da saúde Ernesto Wladimir de Oliveira Barroso, denunciado pelo Ministério Público do Ceará por "encomendar" a morte do advogado, não vai a júri popular pois a Justiça considerou que não havia provas suficientes contra ele.

Como aconteceu o crime

Di Angellis trabalhava para um portal de notícias sediado em Fortaleza. De acordo com depoimento de Ernesto, o portal publicou uma série de matérias que "questionavam a honestidade" de como ele obteve patrimônio. Mesmo assim, o empresário não foi levado a julgamento.

Segundo a denúncia do MP, o empresário teve uma reunião com o advogado e dois mediadores, na qual Di Angellis teria apresentado, inicialmente, o pedido de R$ 1,5 milhão para retirar o material do ar. Ernesto, por sua vez, teria aceitado pagar R$ 800 mil à vítima.

Depoimentos de várias testemunhas colhidos durante o processo, inclusive da esposa de Ernesto, reforçaram que o empresário teria fechado um acordo com Di Angellis.

Na denúncia, o Ministério Público do Ceará afirmou que o ex-PM Glauco Sérgio foi o responsável por organizar a execução de Di Angellis a pedido de Ernesto, e para isso se associou ao também ex-policial militar José Luciano.

Na decisão de impronúncia a favor de Ernesto, a 1ª Vara da Comarca do Júri afirmou que "a instrução processual não logrou demonstrar a presença de elementos indiciários robustos aptos a autorizar o encaminhamento do acusado Ernesto Wladimir Oliveira Barroso a julgamento pelo Tribunal do Júri".

Rastreador no escapamento do carro

De acordo com a denúncia do MP, o empresário conseguiu os dados do veículo do advogado para José Luciano e Glauco Bonfim monitorarem e prepararem uma emboscada contra a vítima.

No dia 28 de abril de 2023, Ernesto e Di Angellis se encontraram em uma padaria no município do Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza, ocasião em que o empresário teria efetuado a entrega da quantia de R$ 800 mil para o advogado.

O ex-PMs teriam aproveitado o momento para instalar o rastreador no escapamento do carro da vítima. Para o MP, o encontro foi promovido justamente para facilitar a instalação do equipamento, "ferramenta fundamental na execução do crime".

Em outro depoimento, uma testemunha que trabalhava em uma padaria afirmou que chegou a ver Ernesto e Glauco Sérgio se reunindo no local. Segundo a testemunha, Ernesto era cliente regular do estabelecimento,.

A Justiça, contudo, considerou que a investigação não conseguiu demonstrar nenhuma "conexão entre Ernesto Wladimir e os demais acusados [José Luciano e Glauco], seja por telefone, seja por mensagem ou qualquer outro meio de contato, não podendo a pronúncia [do júri] ser ancorada em presunções".

Na decisão de pronúncia dos réus, a Justiça afirmou, por exemplo, que o encontro no Eusébio entre Ernesto e o advogado no qual os ex-policiais teriam colocado o rastreador no carro, não caracterizava "um elemento concreto que evidencie os indícios de autoria delitiva em relação a Ernesto", uma vez que já tinham ocorrido outras tentativas de Glauco e José Luciano de tentar instalar o rastreador.

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