A Rússia ameaçou esta sexta-feira colocar a Lituânia na mira das suas armas nucleares caso o país báltico venha a permitir a instalação de armamento nuclear da NATO no seu território.
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O aviso foi deixado pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, numa altura em que Vilnius está a avançar com uma alteração constitucional que poderá eliminar a atual proibição de armazenamento de armas nucleares no país.
“E se existirem armas nucleares nesse território apontadas contra nós, então o território desse país também ficará na mira das nossas armas nucleares”, declarou Peskov à televisão russa Channel One, segundo a agência estatal ‘RIA Novosti’, citada pelo ‘Kyiv Post’.
A declaração aumenta a tensão numa das regiões mais sensíveis da fronteira entre a Rússia e a NATO.
O que está a Lituânia a preparar?
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A Constituição lituana proíbe atualmente a presença no país de armas de destruição maciça e de bases militares estrangeiras.
Mas os principais partidos representados no Parlamento chegaram em julho a um acordo preliminar para alterar essa disposição, uma mudança justificada pela deterioração da situação de segurança na região.
A 9 de setembro, a Comissão dos Assuntos Jurídicos do Parlamento lituano aprovou a proposta por sete votos contra dois, permitindo que o processo continue.
Uma decisão definitiva é esperada em 2027.
A eliminação da proibição constitucional não significa, contudo, que armas nucleares sejam automaticamente instaladas na Lituânia. Retiraria antes um obstáculo legal que atualmente impediria Vilnius de autorizar uma eventual presença futura desse tipo de armamento no território.
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A Reuters noticiou em julho que os partidos lituanos tinham chegado a um acordo provisório para avançar com a alteração constitucional, num contexto de crescente preocupação com a ameaça representada pela Rússia.
Um país da NATO entre Kaliningrado e a Bielorrússia
A localização da Lituânia ajuda a explicar a dimensão estratégica da discussão.
O país integra a NATO desde 2004 e faz fronteira com o enclave russo de Kaliningrado, a oeste, e com a Bielorrússia, principal aliado de Moscovo na região, a sul.
Entre a Lituânia e a Polónia encontra-se ainda o chamado corredor de Suwalki, uma estreita faixa de território considerada um dos pontos mais sensíveis da defesa do flanco oriental da NATO.
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Uma eventual presença de armas nucleares aliadas na Lituânia representaria, por isso, uma alteração significativa na postura militar junto às fronteiras da Rússia e da Bielorrússia.
Foi precisamente esse cenário que levou Peskov a deixar o aviso desta sexta-feira.
Rússia já colocou armas nucleares na Bielorrússia
A ameaça de Moscovo surge, porém, depois de a própria Rússia ter avançado com o posicionamento de armas nucleares táticas na Bielorrússia.
O processo começou em 2023, quando Vladimir Putin anunciou um acordo com Minsk para instalar armamento nuclear russo no território do aliado, mantendo Moscovo o controlo sobre essas armas.
O Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, confirmou posteriormente que o país tinha começado a receber armas nucleares táticas russas.
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A Rússia reforçou entretanto a capacidade de ataque a partir do território bielorrusso.
Em dezembro de 2025, Moscovo anunciou o destacamento para a Bielorrússia do Oreshnik, um míssil balístico de alcance intermédio com capacidade para transportar ogivas convencionais ou nucleares.
O sistema tinha sido utilizado pela primeira vez em combate contra a Ucrânia em novembro de 2024.
“A situação geopolítica está a piorar”
Para Vilnius, é precisamente a transformação do ambiente de segurança desde a invasão russa da Ucrânia que torna necessária a revisão de uma regra constitucional criada num contexto muito diferente.
Quando o debate ganhou força em julho, o Presidente lituano, Gitanas Nausėda, defendeu que a legislação do país precisava de acompanhar essa nova realidade.
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“A situação geopolítica está a piorar”, afirmou, acrescentando que a Constituição tinha sido redigida quando as circunstâncias geopolíticas eram “totalmente diferentes”.
A Lituânia tem sido um dos mais firmes apoiantes europeus da Ucrânia desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022, e tem defendido um reforço substancial das capacidades militares da NATO no Báltico.
A eventual alteração constitucional acrescenta agora uma nova dimensão a essa estratégia.
Vilnius ainda não decidiu receber armas nucleares.
Mas está a preparar-se para deixar de proibir que essa decisão possa, um dia, ser tomada.