FIFA não recua na abertura a privados e quer avançar com consulta | MAISFUTEBOL

Organismo diz que proposta está a ser prejudicada por «informações imprecisas» da comunicação social

Protestos de trabalhadores contra Mundial no Qatar chegam à sede da FIFA (Reuters)

A FIFA confirmou esta sexta-feira a intenção de manter o plano de abertura ao investimento privado, apesar da forte oposição de grande parte dos seus membros, afirmando ter ouvido as críticas, mas que irá manter as consultas «abertas e democráticas».

«O processo de consulta que tínhamos planeado foi prejudicado por informações imprecisas divulgadas pelos meios de comunicação social», defende a FIFA em comunicado, acrescentando que irá continuar o processo «para que cada federação-membro possa expressar a sua opinião».

O plano da FIFA, apresentado na terça-feira com grande surpresa, foi amplamente criticado tanto pelo seu conteúdo como pela sua forma.

A UEFA, que reúne 55 federações europeias e sete dos últimos dez campeões do Mundo, chegou a ameaçar unanimemente na quinta-feira não participar nas próximas competições da FIFA, incluindo o Mundial, caso o organismo não abandonasse o seu plano.

Lastimando que a elaboração da proposta tenha sido feita «em segredo», a UEFA lamentou que «qualquer decisão sobre o calendário internacional, o formato das competições e qualquer decisão que reformule o futuro do futebol deixe de ser tomada para servir os interesses do futebol, mas sim os dos acionistas».

A CONCACAF, que reúne 41 federações da América do Norte, América Central e Caraíbas, também rejeitou a proposta, enquanto a Confederação Africana de Futebol (CAF) foi menos crítica, apelando às suas associações-membro para que examinassem e avaliassem a proposta.

A Confederação Asiática de Futebol (AFC), com 47 membros, juntou-se às posições da UEFA e da CONCACAF, já esta sexta-feira, dizendo que «a proposta da FFE (FIFA Forward Enterprise) não pode, realisticamente, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para avançar».

A FIFA adianta que respeita o «feedback» e as preocupações que foram tornadas públicas e reafirma o compromisso de realizar uma consulta «aberta e democrática».

O plano da FIFA prevê a criação de uma empresa, a FIFA Forward Enterprise (FFE), encarregada de gerir as suas atividades comerciais (transmissão, patrocínio, venda de bilhetes, licenciamento) e eventos (Mundial, Mundial de Clubes, em masculinos e femininos).

Os investidores privados poderão deter ações, mas manter-se-ão como acionistas minoritários, prometeu a entidade máxima do futebol, que espera arrecadar até 4.200 milhões de dólares (cerca de 3.662 milhões de euros), com base numa avaliação de 20.000 milhões de dólares (17.437 ME).

Caso o projeto se concretize, cada uma das 211 federações-membro da FIFA poderá ver a sua dotação aumentar de 8 milhões de dólares (7 ME) para 20 milhões de dólares (17,4 ME) no período de 2027 a 2030.


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