Filho de um membro da Administração Trump combateu contra as tropas de Putin. Agora Rússia quer prendê-lo

A Rússia colocou Conor Kennedy, filho do secretário da Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., na lista internacional de procurados por ter combatido ao lado das forças ucranianas contra as tropas de Vladimir Putin.

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Conor Kennedy, de 32 anos e sobrinho-neto do antigo presidente John F. Kennedy, juntou-se em 2022 à Legião Internacional da Ucrânia, apesar de não ter experiência militar anterior. Na altura, manteve a identidade praticamente em segredo e chegou a afirmar que estava “disposto a morrer” pela causa ucraniana.

Quatro anos depois, um tribunal de Moscovo autorizou a sua detenção à revelia, segundo a agência estatal russa ‘TASS’, citada pelo ‘The Independent’. As autoridades russas acusam-no de ter atuado como mercenário ao serviço das forças ucranianas.

Em caso de condenação na Rússia, poderia enfrentar uma pena entre sete e dez anos de prisão. A possibilidade de Kennedy vir efetivamente a comparecer perante um tribunal russo é, contudo, remota.

Foi para a Ucrânia sem contar à família

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Conor Kennedy revelou a experiência militar numa publicação no Instagram em outubro de 2022.

“Fiquei profundamente comovido com o que vi acontecer na Ucrânia. Queria ajudar”, escreveu, explicando que, quando soube da existência da Legião Internacional, decidiu imediatamente alistar-se.

Kennedy contou que foi à embaixada no dia seguinte e procurou esconder a sua identidade durante a passagem pela Ucrânia.

“Disse a uma pessoa aqui [nos EUA] onde estava e disse a uma pessoa lá o meu nome verdadeiro. Não queria que a minha família ou os meus amigos se preocupassem e não queria ser tratado de forma diferente”, recordou.

As autoridades russas alegam agora que Kennedy terá combatido de forma incógnita na região de Kharkiv. O ‘The Independent’ ressalva, porém, que essa localização não está confirmada de forma independente.

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“Sei que tive sorte em conseguir voltar”

A passagem de Kennedy pela Ucrânia terá sido relativamente curta. A guerra começou em fevereiro de 2022 e, em outubro desse ano, já estava de regresso aos Estados Unidos.

Na publicação em que revelou a experiência, disse ter gostado mais de ser soldado do que esperava, embora reconhecesse os riscos.

“É assustador. Mas a vida é simples e as recompensas por encontrar coragem e fazer o bem são substanciais”, escreveu.

Kennedy afirmou ainda acreditar que a guerra iria “moldar o destino da democracia neste século” e apelou a outras pessoas para ajudarem a Ucrânia, fosse através do alistamento, do trabalho junto à fronteira ou do envio de material médico.

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“Sei que tive sorte em conseguir voltar, mas voltaria a correr todos os riscos que corremos”, garantiu.

Filho de um membro do Governo Trump

A decisão russa ganha agora uma dimensão política adicional devido ao papel do pai na administração dos EUA.

Robert F. Kennedy Jr. integra o Governo de Donald Trump como secretário da Saúde, pelo que a ordem de detenção contra o filho de um membro do gabinete presidencial surge num momento particularmente sensível das relações entre Washington e Moscovo.

Conor Kennedy não é, contudo, o único estrangeiro visado. Segundo a ‘TASS’, tribunais russos tomaram decisões semelhantes contra voluntários de vários países que combateram pela Ucrânia, incluindo cidadãos dos Estados Unidos, Reino Unido, Suécia, Colômbia e Geórgia.

Entre eles estará também um cidadão britânico que serviu como operador de drones.

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De Taylor Swift à guerra na Ucrânia

Antes de ganhar notoriedade pelo envolvimento no conflito, Conor Kennedy já tinha estado sob os holofotes por razões bem diferentes.

Em 2012, teve um breve relacionamento com Taylor Swift. Este ano casou-se com a cantora e compositora brasileira Giulia Be, que já era sua companheira quando revelou publicamente ter combatido na Ucrânia.

Na altura, ela descreveu-o como “o homem mais corajoso” que conhecia e recordou os meses de preocupação enquanto Kennedy se encontrava longe.

Agora, quatro anos depois de ter regressado da frente de combate, essa passagem pela Ucrânia volta a colocar o herdeiro da família Kennedy no centro das atenções — desta vez por uma ordem de detenção emitida em Moscovo.