Finalistas da Copa do Mundo valorizam a posse de bola - 18/07/2026 - Coluna FolhaStats - Folha

A bola poucas vezes terá sido tão disputada quanto neste domingo (19). Ao longo desta Copa, Argentina e Espanha estão entre as seleções que mais completaram passes no torneio e mais tiveram posse de bola.

Mas o interessante é que, apesar dessas características semelhantes em relação a posse de bola e troca de passes, em fatores fundamentais os dois times divergem.

Começando pelo que as aproxima (dados da Opta Analyst). A Argentina lidera a Copa em passes certos por jogo, com média de 601 (91% de aproveitamento). A Espanha é a quarta, com 574 (90%). O Brasil ficou na 11ª posição nesse quesito.

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No recorte de passes no terço final do campo (ou seja, próximo à área adversária, região que efetivamente ameaça o oponente), Argentina e Espanha seguem entre as mais efetivas, ainda que não isoladas na liderança: a Espanha em terceiro lugar (176 passes certos por jogo) e a Argentina em quarto (156), atrás de Turquia e Alemanha.

Quais jogadores lideram suas equipes nesse controle todo de jogo?

O argentino Paredes é o jogador na Copa com mais passes certos por jogo (112); Rodri é o segundo colocado (94). No terço final, o pelotão muda, mas com presença de jogadores das duas finalistas: o espanhol Pedri lidera (34 passes certos), Paredes é o terceiro e o espanhol Fabián Ruiz é o quarto.

Paredes se destaca ainda como líder em conduções de bola por jogo (33,69). Pedri é o terceiro (28). Ou seja, os dois não são apenas distribuidores mas também levam a bola para dentro do campo adversário.

Duas curiosidades históricas sobre o estilo das duas equipes. Um holandês, Cruyff, foi um dos grandes responsáveis pela valorização do passe na Espanha. Ele foi jogador do Barcelona nos anos 1970 e depois técnico do time nos anos 80 e 90.

O holandês não conseguia conversar de futebol sem falar da importância do passe (ele morreu em 2016). "Se você tem a bola, o adversário não a tem", dizia. Nas comemorações dos 125 anos do Barcelona, clube-base para a seleção espanhola, não à toa o lema escolhido foi "queremos a bola".

Pelo lado da Argentina, a curiosidade vem do técnico Scaloni. Em entrevistas antes do Mundial, ele contou que chegou a pensar na sua equipe com o que se conhece de "futebol moderno", com pontas rápidos, sem necessariamente valorizar a posse de bola, privilegiando a chegada rápida ao gol adversário (mas também aumentando a chance de passe errado e entrega de bola ao adversário).

Seria um time mais com cara da França atual. Scaloni disse que teve um estalo e percebeu que seus melhores jogadores não tinham essa característica. E optou pelo atual esquema.

Mas o efeito dessa valorização da troca de passes tem efeito diferente nas duas finalistas. A Argentina conseguiu chegar à final com um ataque potente, com 2,7 gols por jogo, a terceira melhor média do torneio. Já a Espanha marcou apenas 1,9 gol por partida, a 13ª melhor marca da competição.

Por outro lado, os espanhóis têm conseguido se proteger defensivamente com o controle de bola. Levou apenas um tento nos sete jogos, ante sete dos argentinos.

Quem vai impor sua vontade neste domingo?

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