A Football Supporters Europe emitiu, esta quinta-feira, um comunicado, no qual critica duramente a FIFA, considerando que o Mundial2026 foi um falhanço enquanto "celebração do futebol", devido ao elevado preço dos bilhetes, às falhas de organização e à influência de Donald Trum. Ao mesmo tempo, a FSE pede "reformas estruturais" e considera que a "FIFA não está apta para governar o futebol mundial", deixando ainda um aviso a Portugal enquanto coorganizador do próximo Campeonato do Mundo.
"O Mundial2026 deveria ter sido uma celebração do futebol e dos adeptos que lhe dão vida. Em vez disso, tornou-se, demasiadas vezes, um exemplo de tudo aquilo que está profundamente errado no futebol atual. (...) Ao longo do último mês, assistimos a um futebol moldado aos interesses de Gianni Infantino e da administração de Donald Trump", pode ler-se no longo comunicado, que prossegue.
"A exploração desenfreada da lealdade dos adeptos através da política de preços dos bilhetes, a mercantilização evidente dos ingressos, o aumento exponencial dos custos de transporte, a flexibilização das regras e dos procedimentos, a exclusão de vastos setores da população mundial e a falta de comunicação transparente criaram um ambiente de confusão e desconfiança que prejudicou gravemente a reputação da FIFA, do Campeonato do Mundo e da própria integridade do futebol", lamenta a Football Supporters Europe.
A organização independente de adeptos, reconhecida pela UEFA, lembrou também a polémica em torno dos vistos e acusou os Estados Unidos de "abuso de poder".
"Adeptos, dirigentes, jornalistas e até familiares oriundos de vários países foram impedidos de entrar nos Estados Unidos durante o torneio devido às políticas de vistos. Muitos adeptos LGBT+ optaram igualmente por não viajar para o Mundial, por nunca terem recebido garantias de que estariam em segurança durante a competição", frisa.
Mais críticas para Infantino
As mudanças implementas pela FIFA neste Campeonato do Mundo também foram alvo de críticas, nomeadamente devido às pausas para hidratação - que permitiram aos broadcasters terem novos espaços publicitários -, bem como o caso concreto que envolveu Folarin Balogun, jogador dos EUA a quem foi anulado um jogo de castigo após Trump ter telefonado diretamente para Infantino, levando o Comité Disciplinar da FIFA a reavaliar o caso e a tomar uma decisão que tanto deu que falar.
"A polémica em torno deste Mundial, criada pela própria FIFA, passou pelo controverso "Prémio da Paz" atribuído para agradar a Donald Trump, pela distorção das próprias regras da organização até ao limite, por alterações profundas à identidade do jogo e pela interferência governamental em questões desportivas. A divisão dos jogos em quartos para introduzir intervalos publicitários disfarçados de pausas para hidratação, o abandono do tradicional intervalo de 15 minutos para dar lugar a um concerto, a proibição de entrada de cidadãos iranianos nos Estados Unidos fora dos dias de jogo e o caso Balogun constituíram alguns dos momentos mais negativos da competição".
Tudo isto leva a Football Supporters Europe a determinar que a FIFA "termina este Mundial com a sua reputação completamente destruída junto dos adeptos, ao mesmo tempo que se abre "um profundo fosso de desconfiança".
A mesma organização não tem dúvidas de que a "FIFA não está apta para governar o futebol mundial" e que o "futuro da modalidade não pode continuar nas mãos de um homem que voltou a demonstrar que coloca os interesses financeiros e políticos acima do futuro do futebol".
Recado para Portugal e Espanha
Nesse sentido, a FSE deixa um pedido expresso a Espanha e Portugal, dois dos países que vão acolher o próximo Mundial, em 2030.
"Se Espanha e Portugal quiserem organizar com sucesso o Mundial2030, terão de resolver estes problemas, bem como retirar lições das falhas registadas no Mundial2026. Ambos os países continuam bastante atrás dos atuais padrões europeus no diálogo com os adeptos e devem adotar políticas modernas que reduzam essa diferença. Os adeptos de todo o mundo esperam experiências seguras, acessíveis, acolhedoras e bem organizadas nos dias de jogo, e esses padrões não são negociáveis", conclui a FSE.
Refira-se que o Mundial2030 será organizado por Portugal, Espanha e Marrocos, mas arrancará com jogos na Argentina, no Paraguai e no Uruguai.

Trump quer que Infantino se candidate a secretário-geral da ONU
O jornal norte-americano New York Post avançou terça-feira que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderá apoiar o líder da FIFA, Gianni Infantino, como candidato a próximo secretário-geral das Nações Unidas.
Lusa | 06:05 - 22/07/2026