Fórmula 1 estreia-se no Madring: "Pista destruidora de carros"

O Madring faz a sua estreia na Fórmula 1 já este fim de semana (11 a 13 de setembro). Acolhe o GP de Espanha, sendo um circuito urbano na zona da IFEMA cujas características fazem temer o caos e dificuldades de ultrapassagem.

De facto, em agosto, foram vários os incidentes durante os dois dias de testes de Fórmula 3 - contabilizando-se 19 bandeiras vermelhas. É certo que as interrupções são geridas de forma diferente em testes, mas é um indicador do potencial para despistes e colisões.

O asfalto é novo e, por isso, ainda não tem altos níveis de aderência. E o desenho do circuito é muito desafiador: corretores altos em alguns pontos, inclinações, incluindo a desafiadora La Monumental - uma curva com muito ângulo que se estende por cerca de 550 metros (a mais longa do calendário). Tudo isto com os muros próximos - nuns locais, mais perto do que noutros.

Enfrentar o desconhecido

As equipas e pilotos têm de lidar com o desconhecido. O contacto que têm é em simulador e há falta de informação em mundo real acerca de um circuito totalmente novo, em que não se sabe como é que os monolugares ou os pneus se vão comportar e lidar com a pista.

Para além disso, observou o dirigente da Williams James Vowles, trata-se de um circuito complicado em que "será difícil encontrar apenas alguns segundos para falar com o piloto" durante a volta.

O britânico destacou a La Monumental inclinada como um "desafio para o carro e para os pilotos", recordou que há corretores particularmente altos em alguns pontos do circuito. E sublinhou: "Será um grande desafio garantir que maximizamos o tempo de volta, mas não danificamos o carro".

Citado pelo GrandPrix, James Vowles falou sobre o acidentado teste de Fórmula 3: "Eles são pilotos de F3, mas é uma pista destruidora de carros".

Grande Prémio acidentado? Erros podem pagar-se caro

Um dos pilotos que participou no teste de Fórmula 3 foi Tuukka Taponen, que integra a Ferrari Driver Academy. Em comunicado, deixou um aviso à navegação: "É muito exigente do ponto de vista físico em sequências de voltas longas e stints de corridas, e muito exigente porque precisas de estar sempre focado. Os muros estão muito próximos, por isso até um pequeno erro pode ter um grande custo".

Num vídeo difundido nas redes sociais, Max Verstappen admitiu que poderão existir acidentes: "Penso que vai ser muito difícil. Não é uma pista fácil, se fizeres algumas voltas consecutivas é muito difícil. E também talvez tenha a tendência de criar alguns acidentes fortes em certos pontos".

A competir literalmente em casa, na sua cidade natal, Carlos Sainz (Williams/Mercedes) também prevê desafios: "Penso que, pela forma como eles puseram as barreiras e pelo desenho da pista, vai ser um dos maiores desafios recentes da Fórmula 1. […]. Olhando para a pista e sabendo do que aconteceu no teste da F3, penso que todos estamos à espera de safety car, bandeiras vermelhas e bandeiras amarelas", disse citado pela Sky Sports F1.

Corrida com poucas ultrapassagens?

Ultrapassar num circuito urbano já não é fácil, como se vê em corridas como o Mónaco, Arábia Saudita (Jidá) ou Azerbaijão. E o Madring tem características específicas que podem tornar a tarefa ainda mais difícil.

O tetracampeão do mundo Max Verstappen falou da possível falta de possibilidades de ultrapassagem: "Muitas zonas de travagem são inclinadas, então não podes tentar ultrapassar, porque estás a travar, mas também a virar - que é o pior que podes fazer para criar oportunidades de ultrapassagem".

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Bernardo Matias | 10:58 - 09/09/2026