França indignada com vídeo de polícia próximo de Le Pen com comentários racistas

O vídeo, revelado pelo jornal Midi Libre e amplamente divulgado hoje por outros meios e nas redes sociais, é um excerto de cinco minutos de uma gravação involuntária de cerca de seis horas feita pelo corpo de patrulha do próprio agente em novembro de 2025.

As imagens captam a atuação de uma equipa de quatro agentes e, destes, o chefe da patrulha é o autor da maior parte dos comentários de ódio, embora alguns dos seus colegas também profiram opiniões semelhantes, sobretudo racistas.

O vídeo mostra, entre outros aspetos, como os agentes utilizavam habitualmente termos depreciativos como "moritos", como se comparava migrantes a animais ou como falavam em "pôr Macron e todos os maricas na berlinda", numa referência ao presidente francês, Emmanuel Macron.

Das mulheres falam nas conversas usando termos depreciativos como "cabronas" e apoiam também teorias conspirativas como a que a primeira-dama, Brigitte Macron, é na verdade uma pessoa trans.

O Ministério Público abriu uma investigação sobre a gravação, segundo adiantou o Midi Libre.

De acordo com este meio de comunicação social, as imagens circulavam na esquadra de Carcassona, no sul de França, desde finais de 2025, e isso tinha levado o chefe de esquadra a apresentar uma denúncia por violação da sua privacidade.

Por seu lado, o ministro do Interior de França, Laurent Nuñez, anunciou que pediu à inspeção-geral da administração que efetue uma fiscalização à polícia municipal de Carcassona.

Hoje, a divulgação pública das imagens motivou muitas reações políticas, inclusive do o partido da líder da extrema-direita Le Pen, favorita nas sondagens para as eleições presidenciais de 2027, que condenou os incidentes e anunciou a exclusão do chefe de patrulha do partido, bem como a sua expulsão enquanto membro voluntário do seu serviço de segurança.

"A Rassemblement National condena com a maior firmeza estas declarações, puníveis criminalmente, que vão contra os valores que o nosso movimento defende", afirmou o bloco num comunicado.

Após a divulgação dessa mensagem, o presidente da localidade de Carcassona, Christophe Barthès (da AN), também se dirigiu à imprensa para garantir que serão tomadas "sanções à altura da gravidade dos factos", garantindo que todos os envolvidos foram suspensos e considerando que os comentários são "para vomitar".

O primeiro edil apontou a responsabilidade para equipa municipal anterior da UDF (centro-direita), já que, embora o principal envolvido no vídeo policial fosse filiado no seu partido, o bloco só governou em Carcassona após a vitória nas municipais do passado mês de março.

Anteriormente, num comunicado emitido de manhã, a Câmara Municipal tinha alegado que as gravações provinham de uma câmara furtada e que isso gerava dúvidas sobre a sua recuperação.

A ministra delegada da Igualdade, Aurore Bergé, qualificou os comentários de "absolutamente inaceitáveis" e afirmou hoje, em declarações à rádio RMC, que aquelas constituem um crime.

Por outro lado, Carole Delga, presidente socialista da região de Occitânia, onde se encontra Carcassona, disse sentir "vergonha" e pediu que se adotem sanções, porque vestir uniforme é "servir a República, não sujá-la".

"É assim que seria uma França governada pelo RN. Ódio desinibido e fomentado, mesmo onde se espera justiça e segurança", criticou também o ex-primeiro-ministro Gabriel Attal, um dos candidatos centristas a suceder Macron no Eliseu em 2027.