Frejat manifestou "total repúdio" ao uso da música "Bete Balanço" pela campanha presidencial de Renan Santos (Missão).
Em post nas redes sociais, o cantor fala em nome de Cazuza, também autor da canção, e diz que eles não compartilham das ideias do candidato e do "uso contínuo, indevido e desautorizado de nossa música, que demonstra total falta de respeito aos direitos dos autores".
À coluna, Santos mandou um vídeo em que ironiza Frejat e afirma que seguirá cantando a paródia de "Bete Balanço' em sua campanha.
"Frejat, não seja bobo. 'Bete Balanço' é uma música deliciosa, maravilhosa. A gente tá trazendo para uma massa, para milhões de jovens no Brasil, uma música maravilhosa que você compôs. Você tinha que ficar lisonjeado, Frejá. Eu sei que teu pai era comunista, sei de tudo. Sei que o Cazuza, que era um baita de um playboy, terminou a vida dele [dizendo] 'ai a burguesia fede! A burguesia! A burguesia!'". Pô, eu sei, vocês são da zona sul do Rio. Você não sei, o Cazuza era", afirma no vídeo.
"Nós vamos usar a música ['Bete Balanço']. Você vai ter que lidar. Você é um grande compositor, você toca bem guitarra. Eu vou continuar gostando de você", prossegue o candidato.
Depois, ele cita trechos de outra música de Cazuza, "Maior Abandonado".
"Essa raspa e resto que você tá me dando aí da sua música me interessa. Só não me interessa mentira sincera, que é a mentira sincera dos políticos que você gosta. Então, tamo junto, Frejat. Beijão."
Na noite de quinta (1º), após o cancelamento do debate da Globo, Santos se uniu a apoiadores em ato em frente à sede do jornalismo da emissora, e fez críticas a Lula (PT) e a Flávio Bolsonaro (PL). Simpatizantes do candidato do Missão já se reuniam no local desde cedo, e chamaram o senador de "fujão" e "frouxo".
Eles cantaram também a paródia de "Bete Balanço", um dos maiores sucessos do Barão Vermelho.
Inicialmente, Renan não iria participar do debate. A Globo tinha convidado para o encontro apenas o presidente Lula, Flávio, Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) —este último também depois de uma decisão judicial, do ministro Kassio Nunes.
Horas antes, no entanto, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes determinou que Santos tinha o direito de participar do debate.
Na sequência, Flávio informou que não participaria do encontro. Ele atribuiu à decisão ao que chamou de censura imposta ao evento pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ele se referia também a decisão da ministra da corte Estela Aranha que determinou que a Globo não mostrasse o púlpito vazio de Lula.
com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS
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