Uma investigação externa realizada para a Fundação Gates constatou que a instituição manteve relações com o criminoso sexual Jeffrey Epstein, mas não encontrou evidências de pagamentos ou participação em atividades criminosas ligadas a ele, informou a organização filantrópica nesta terça-feira (21).
A fundação vem sendo alvo de críticas devido à relação do presidente Bill Gates com Epstein. A divulgação de emails em janeiro pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos também revelou comunicações entre Epstein e a equipe da Fundação Gates.
"A investigação não encontrou evidências de que Epstein tenha sido pago pela fundação. Também não encontrou evidências de participação ou conhecimento de operações de tráfico sexual ou atividades criminosas em andamento de Epstein", afirmou a fundação em comunicado.
A fundação iniciou este ano uma apuração externa sobre seu envolvimento com Epstein. A entidade informou nesta terça que a investigação começou em março, e foi conduzida pelo escritório de advocacia WilmerHale.
A investigação confirmou que o principal envolvimento da fundação com Epstein, de 2011 a 2014, envolveu duas questões —uma proposta de fundo orientado por doadores e uma organização sem fins lucrativos chamada Instituto Internacional da Paz, segundo o comunicado.
Embora a fundação não tenha dado continuidade à primeira ideia, ela forneceu financiamento ao IPI para apoiar a erradicação da poliomielite, acrescentou o comunicado.
A WilmerHale conduziu mais de 50 entrevistas com funcionários atuais e ex-funcionários e analisou uma extensa documentação para a investigação, informou a fundação.
A revisão externa também apontou que Gates e líderes seniores da fundação beneficente receberam múltiplos alertas de funcionários sobre os riscos de trabalhar com Epstein, que já havia sido condenado por crimes sexuais contra menores anos antes das conversas com a fundação.
Cofundador da Microsoft, Bill Gates, e sua então esposa, Melinda French Gates, criaram a Fundação Gates em 2000, que se tornou uma das maiores financiadoras mundiais de iniciativas de saúde global.
Gates expressou repetidamente seu pesar por ter tido qualquer envolvimento com Epstein e negou ter passado tempo com vítimas de abuso sexual por parte do financista, afirmando que nunca testemunhou conduta criminosa por parte dele. Ele não foi acusado de nenhum crime.
"Concluir esta revisão é um passo importante para fornecer a clareza que parceiros, funcionários e beneficiários merecem, bem como fortalecer nossa supervisão com políticas adicionais daqui em diante", disse Gates. "Estamos comprometidos em garantir que a confiança e a transparência nunca sejam comprometidas."
Na semana passada, o investidor Warren Buffett, amigo de longa data de Gates, excluiu a Fundação Gates de sua doação anual de ações. Em uma entrevista separada, o presidente da Berkshire Hathaway descreveu o relacionamento de Gates com Epstein como "desagradável", mas disse que poderia "se imaginar" cometendo um erro semelhante na escolha de associados.
Entre as mudanças de governança implementadas pela Fundação Gates está a criação de um processo centralizado de avaliação para potenciais facilitadores de financiamento, membros da equipe de liderança sênior ou conselho diretor da organização relacionados a Gates. Também será criado um processo para sinalizar riscos organizacionais em projetos introduzidos por qualquer uma dessas pessoas, a serem escalados conforme necessário ao diretor-executivo.