Gala FPF: Villas-Boas e Varandas ao ataque. Rui Costa ausente em protesto

O ambiente no futebol português voltou a ficar mais crispado depois do Clássico entre FC Porto e Benfica (3-1), disputado na noite de domingo. As queixas das águias, pela voz do presidente Rui Costa, acabaram por merecer uma resposta de André Villas-Boas, líder dos dragões, horas mais tarde, antes do Portugal Football Globes, gala promovida pela Federação Portuguesa de Futebol. Antes disso, foi Frederico Varandas, presidente do Sporting, quem deixou críticas, aquecendo o ambiente para uma cerimónia que não contou com a presença de Rui Costa.

De acordo com o jornal A BOLA, o presidente do Benfica decidiu não participar na iniciativa da FPF, expressando, assim, a sua insatisfação pelo estado atual da arbitragem e do futebol português. Ainda assim, o Benfica fez-se representar na Gala através dos vice-presidentes Tomás Barroso e Mónica Sabrosa.

Ao mesmo tempo, a ausência de Rui Costa também se explica, de acordo com o mesmo jornal, pela posição tomada pelo Benfica no processo de centralização dos direitos televisivo. As águias encontram-se contra o atual rumo do processo e até já criaram uma petição -  Pela suspensão e revisão do Modelo de Comercialização Centralizada dos Direitos Audiovisuais - que será discutida no Parlamento, depois de ter recolhido as 7.500 assinaturas necessárias.

O que disse Villas-Boas... 

O líder máximo dos dragões foi confrontado com as declarações de Rui Costa no Estádio do Dragão - que se queixou de "uma tremenda dualidade de critérios disciplinares" por parte do árbitro Miguel Nogueira - e decidiu apontar para o registo que coloca o FC Porto isolado no topo do campeonato. 

"Há um episódio curioso, na época passada, em Guimarães, entre o Sudakov e um jogador do Vitória. Não sei se é dessa dualidade de critérios a que se refere. Equipa que mais faltas faz e menos cartões leva? A estatística que eu conheço é que o FC Porto tem 21 pontos e sete vitórias em sete jogos. É a essa estatística que me quero agarrar", vincou Villas-Boas, dizendo ainda existir uma "paz podre" no futebol português. 

"Se houve alguém que promoveu precisamente a via de comunicação entre os três grandes fui eu, sentando à mesa. Quando percebi que aquilo era um dois contra um, rapidamente me afastei. Se há algo que é verdadeiro e bem presente é uma santa aliança entre o Benfica e o Sporting. Somos o FC Porto, queremos o bem do futebol português, mas acho curiosa a pergunta quando o Benfica enviou ontem um SMS aos sócios para votar contra a centralização. A paz podre continua, há ruído e há lutas e diferentes perspetivas entre clubes. Agora quando uma Assembleia Geral da Liga vota a centralização, um projeto determinante para o futebol português, e temos o Benfica a defender posição contrária parece que essa estabilidade jamais vai chegar", defendeu. 

...e as farpas de Varandas 

Por seu turno, Frederico Varandas foi o primeiro  a comparecer perante os jornalistas antes da Gala da FPF e elogiou Rui Borges por não falar da arbitragem, deixando uma 'farpa' aos rivais. 

"Elogio muito o meu treinador, peço-lhe para não falar de arbitragem e ele não fala. Entendemos que este é o caminho para onde o futebol português deve ir. É fácil? Não. É justo? Não", sublinhou, destacando a postura de Borges mesmo nas adversidades. 

"Era tão fácil o meu treinador nas duas últimas jornadas ir para a conferência de imprensa e agarrar-se a coisas externas do clube, como outros treinadores e outras figuras fazem com as quais não me identifico. Peço ao treinador para não fazê-lo, ele não faz. Tiro-lhe o chapéu. Não quero ter o meu treinador a fazer as figuras que outros fazem", rematou Varandas. 

"Há uma santa aliança entre Benfica e Sporting que eu não posso aceitar"

Presidente do FC Porto abordou as declarações do técnico encarnado no domingo depois da derrota do Benfica no Clássico da sétima jornada da I Liga. André Villas-Boas falou aos jornalistas à chegada ao Portugal Football Globes

Rodrigo Querido | 20:42 - 21/09/2026