O preço do gasóleo em Portugal voltou a bater recordes esta semana e a subida desde o início da guerra com o Irão já ultrapassa os 50 cêntimos por litro.
O preço médio do gasóleo simples voltou a atingir um novo máximo histórico esta segunda-feira, 14 de setembro, chegando aos 2,152 euros por litro e superando os 2,145 euros registados a 9 de abril deste ano. Mas quanto aumentou, afinal, desde o início da guerra dos Estados Unidos da América contra o Irão?
Para perceber a dimensão da subida, é preciso recuar até 6 de março. Nessa altura, o preço médio do gasóleo simples em Portugal era de 1,635 euros por litro. Desde então, aumentou 51,7 cêntimos por litro, o equivalente a uma subida de 31,6%.
Os dados são da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e incluem os descontos em vigor, tanto os aplicados pelo Governo através do ISP como os praticados pelas próprias gasolineiras.

Embora o conflito com o Irão tenha começado a 28 de fevereiro, os preços dos combustíveis só começaram a refletir as alterações ocorridas no mercado na semana seguinte. Por isso, para calcular a evolução desde o início do conflito no Médio Oriente, são usados como referência o preço médio de sexta-feira, 6 de março.
E a gasolina?
Também o preço médio da gasolina simples 95 atingiu esta segunda-feira um novo máximo desde o início do conflito no Médio Oriente. Fixou-se nos 2,072 euros por litro, embora continue abaixo do máximo histórico de 2,188 euros registado a 8 de junho de 2022, na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia.
A 6 de março, o preço médio da gasolina simples era de 1,705 euros por litro. Desde então, aumentou 36,7 cêntimos por litro, o que corresponde a uma subida de 21,5%.
Ou seja, embora o aumento seja significativo nos dois combustíveis, os números mostram-nos que o gasóleo foi claramente mais penalizado desde o início do conflito, tanto em valor absoluto como em termos percentuais.
Sem o desconto extraordinário aplicado pelo Governo ao ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos) — de 9,758 cêntimos por litro no gasóleo e 6,592 cêntimos na gasolina —, os preços seriam ainda superiores: cerca de 2,25 euros por litro no gasóleo e 2,14 euros por litro na gasolina.
Esta medida acumula com o alívio fiscal introduzido em 2022, após o início do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que permanece em vigor e tem sido ajustado progressivamente em função da evolução dos mercados.
O que está em causa?
O aumento do preço dos combustíveis em Portugal e na Europa está diretamente relacionado com a escalada do conflito no Médio Oriente e as perturbações no abastecimento de petróleo, nomeadamente no Estreito de Ormuz.
Esta é uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo e a redução do tráfego na zona tem aumentado os receios sobre a oferta global. Afinal, em condições normais, pré-conflito, era por ali que passava cerca de um quinto do petróleo mundial.
O impacto também se refletiu rapidamente no mercado petrolífero. O Brent, referência para a Europa, estava a ser negociado em torno dos 72 dólares por barril antes do início do conflito, mas ultrapassou os 100 dólares assim que foram aumentando as perturbações no abastecimento.
Na segunda-feira, 14 de setembro, o Brent chegou mesmo a superar os 108 dólares por barril, antes de fechar nos 105,68 dólares.