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Quando o inverno chega, é comum ouvir notícias sobre geada, granizo e até neve – que é rara no Brasil, mas já deu as caras em alguns momentos. Você sabe dizer o que diferencia cada um desses fenômenos? Afinal, se todos envolvem gelo, por que um cai em flocos, outro aparece sobre as plantas e um terceiro despenca do céu durante tempestades?
A resposta está na forma como cada um deles se forma. Segundo o National Weather Service (NWS), a agência oficial de meteorologia dos Estados Unidos, neve, geada e granizo têm características próprias e acontecem em condições atmosféricas diferentes. Bora entender essas diferenças?
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Neve: flocos que nascem nas nuvens
A neve é uma precipitação em forma de gelo. Ela se forma quando o vapor d’água presente nas nuvens congela diretamente, dando origem aos famosos cristais de gelo, que costumam ter delicados formatos hexagonais. Esses cristais podem cair como flocos leves ou como pequenas pelotas de neve, dependendo das condições da atmosfera.
Embora muita gente associe a neve apenas a países frios, ela também pode aparecer no Brasil, ainda que seja um fenômeno raro. As maiores chances de ver flocos caindo acontecem entre junho e agosto, principalmente nas regiões de maior altitude da Serra Catarinense, em cidades como São Joaquim, Urubici, Bom Jardim da Serra e Urupema. Também há registros na Serra Gaúcha e no Paraná.
Uma curiosidade histórica envolve a suposta neve que teria caído na cidade de São Paulo em 1918. Naquele ano, uma onda de frio considerada atípica provocou grande comoção entre os paulistanos e alimentou a crença de que a cidade havia sido coberta por neve.
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No entanto, apesar de a história ter atravessado gerações, os registros meteorológicos mostram que nunca houve neve oficialmente na capital paulista. O fenômeno observado em 1918 e também em outras ocasiões, como em 1925, foi, na verdade, uma forte geada, capaz de cobrir ruas, telhados e vegetação com uma camada de gelo, criando uma paisagem que facilmente lembra um cenário nevado.
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Geada: o gelo que acorda sobre o chão
Ao contrário da neve, a geada não cai do céu. Ela se forma quando o vapor d’água presente no ar congela diretamente sobre superfícies muito frias, como folhas, gramados, carros, telhados e cercas. É por isso que, nas manhãs mais geladas, a paisagem pode amanhecer coberta por uma fina camada branca que parece “neve” espalhado pelo chão.
A geada branca é a mais comum e afeta apenas a superfície dos objetos. Já a geada negra acontece em temperaturas ainda mais baixas e pode danificar ou até matar plantações.
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No Brasil, a geada é muito mais frequente que a neve e costuma ocorrer todos os anos durante o outono e o inverno em boa parte do Centro-Sul do país. Ela é comum no interior do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, além da Serra da Mantiqueira, em cidades como Campos do Jordão e Monte Verde, e no sul de Mato Grosso do Sul.
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Granizo: pedras de gelo em meio à tempestade
O granizo também cai do céu, mas é bem diferente da neve. Ele é formado dentro de grandes nuvens de tempestade, onde fortes correntes de ar fazem pequenas gotas de água congelarem e crescerem em camadas sucessivas de gelo. Quando essas pedras ficam pesadas demais para permanecer nas nuvens, despencam junto com a chuva.
Ao contrário dos delicados flocos de neve, o granizo forma pedras de gelo irregulares, geralmente maiores que 5 milímetros, que podem causar estragos em carros, telhados, plantações e árvores.
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Esse fenômeno costuma ser mais comum na primavera, quando o calor e a alta umidade favorecem a formação de tempestades intensas. No Brasil, ocorre com frequência no oeste de Santa Catarina, no Paraná, no interior do Rio Grande do Sul e em áreas do interior de São Paulo.
Já ouviu falar em chuva congelante?
Existe ainda um fenômeno bem menos conhecido no Brasil: a chuva congelante. Ela acontece quando os flocos de neve passam por uma camada de ar mais quente, derretem e voltam a encontrar uma fina camada de ar extremamente frio pouco antes de chegar ao chão. As gotas permanecem líquidas durante a queda, mas congelam imediatamente ao tocar superfícies geladas, formando uma camada de gelo sobre ruas, árvores, carros e fios elétricos.
Embora seja rara no Brasil, a chuva congelante pode ocorrer nas áreas mais altas da Serra Catarinense e da Serra Gaúcha.
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