Geólogo suíço e mineiro local raptados e mortos na RCA

Luca Maggini, de nacionalidade suíça, e o mineiro foram raptados por homens não identificados durante a noite e posteriormente mortos, segundo Frédéric Pounou, geólogo que trabalhava com Maggini na altura do rapto.

O ataque ocorreu perto da aldeia de Gbango-Carriere, a 55 quilómetros a norte de Bangui, e resultou também no rapto de um sargento do Exército centro-africano, de acordo com o comunicado do Ministério Público.

Fontes militares confirmaram também à agência espanhola EFE que o alerta foi dado na tarde de sexta-feira, após o que se deslocaram para a zona, perto da segunda residência do presidente do país, Faustin-Archange Touadéra.

Segundo o relato do sargento, os corpos foram localizados e recuperados na tarde de sábado, após um confronto com os seus raptores, um alegado grupo de bandidos locais que opera na zona.

"O suíço e o seu assistente foram mortos separadamente. Creio que os seus sequestradores, ao saberem da aproximação dos soldados, os mataram", disse à EFE um militar que participou na operação de busca, sob anonimato.

"Assim que estes acontecimentos vieram a público, o Ministério Público abriu imediatamente uma investigação judicial para determinar as circunstâncias exatas deste ato criminoso, identificar os autores e cúmplices e garantir a libertação dos reféns", refere num comunicado o Ministério Público.

"Jonas Agbembi, representante da Liga Centro-Africana para os Direitos Humanos (LCDH, na sigla em francês), confirmou também o assassinato do cidadão suíço e apelou a uma investigação minuciosa das circunstâncias da sua morte.

"A zona é muito segura, pois é residencial e fica na estrada que conduz à segunda residência do Presidente da República, onde vivem russos e ruandeses. Como é que isto pôde acontecer? (...) Os investidores não podem vir e morrer no nosso território sem que o sistema judicial esclareça as circunstâncias", afirmou.

O geólogo suíço trabalhava para a empresa de mineração de ouro ADMOG Gold, sediada nos Emirados Árabes Unidos, supervisionando e melhorando a produção em dois depósitos na região.

A República Centro-Africana (RCA) sofre de violência sistémica desde o final de 2012, quando uma coligação de grupos rebeldes predominantemente muçulmanos --- a Séléka (que significa "aliança" em sango) --- tomou Bangui e depôs o ex-presidente François Bozizé após dez anos no poder (2003-2013), desencadeando uma guerra civil. O conflito foi atenuado por um acordo de paz assinado em 2019 entre o governo e 14 grupos armados, mas seis desses grupos retiraram-se posteriormente do acordo.

Desde então, o país tem vivido conflitos internos intermitentes que resultaram em milhares de mortes e centenas de milhares de deslocados.

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