Gioergieva diz que FMI está pronto a ajudar Moçambique a desbloquear potencial

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está pronto para apoiar Moçambique com medidas que “desbloqueiem” o potencial económico, disse hoje a diretora-geral da instituição Kristalina Gioergieva, após reunir-se com o Presidente moçambicano, em Nova Iorque.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

Numa mensagem na rede social X, Gioergieva descreve uma “excelente reunião” com Daniel Chapo, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, precisamente quando o FMI e Moçambique discutem um novo programa de apoio.

“Reafirmei a prontidão do FMI para apoiar Moçambique no enfrentamento dos desafios macroeconómicos, na proteção dos vulneráveis e no avanço de reformas que promovam a estabilidade e desbloqueiem o considerável potencial económico do país”, disse a dirigente.

O FMI anunciou em 18 de setembro que vai continuar a negociar com Moçambique um novo programa de assistência financeira nos próximos meses, após uma missão de 10 dias, destacando o potencial de crescimento do país.

No comunicado divulgado no final da missão, o chefe da equipa do FMI para Moçambique, Pablo López Murphy, afirmou que as “discussões sobre as reformas necessárias para abrir caminho a um programa apoiado pelo Fundo continuarão nos próximos meses”, sem indicar um calendário para um eventual acordo técnico.

Continue a ler após a publicidade

Continue a ler após a publicidade

O FMI diz que a visita permitiu analisar a evolução recente da economia moçambicana e realizar “discussões construtivas sobre reformas que poderão sustentar um programa apoiado pelo Fundo”.

A instituição sublinha que, apesar da consolidação fiscal em curso e de a inflação permanecer controlada, Moçambique continua a enfrentar “desafios fiscais e externos significativos”, defendendo reformas adicionais para “restaurar a sustentabilidade da dívida, corrigir os desequilíbrios externos e apoiar um crescimento mais forte, inclusivo e resiliente”.

Acrescenta que o país continua confrontado com “desafios macroeconómicos significativos”, incluindo desequilíbrios fiscais e externos, condições de financiamento restritivas, choques climáticos adversos e perturbações relacionadas com a energia. Ainda assim, considera que “o potencial de médio prazo do país, incluindo o desenvolvimento dos seus recursos de gás natural, continua significativo”.

A missão concluiu que a atividade económica “permanece moderada, mas está a mostrar sinais de recuperação”, com a inflação a manter-se contida, ao mesmo tempo que prossegue a consolidação fiscal iniciada em 2025, baseada na contenção da despesa pública.

O FMI saudou ainda o compromisso das autoridades moçambicanas com as reformas económicas, mas advertiu que serão necessários “esforços contínuos de política económica” para enfrentar os desequilíbrios fiscais e externos e criar condições para um crescimento mais robusto.

Continue a ler após a publicidade

Horas antes, o Ministério das Finanças moçambicano tinha considerado que a missão permitiu “iniciar as discussões para um Potencial Programa de Facilidade de Crédito” e criar as bases para um futuro entendimento entre as partes.

Segundo o Governo, os encontros realizados deverão “abrir um caminho para um Possível Acordo Staff Level Agreement” e posterior apreciação pelo Conselho Executivo do FMI, etapa necessária para a aprovação de um novo programa de financiamento.

O executivo adiantou igualmente que está prevista uma nova missão em novembro para discutir “as condicionalidades, indicadores e metas do programa”, mantendo a expectativa de alcançar um entendimento formal até ao final deste ano.

A missão decorreu no âmbito das negociações para um eventual programa ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargada (ECF, na sigla inglesa), mecanismo de financiamento concessionário destinado a países de baixo rendimento.

Desde 2025 que o Governo moçambicano procura negociar um novo programa de assistência com o FMI. Em março deste ano, Moçambique liquidou antecipadamente uma dívida de 698,6 milhões de dólares (cerca de 611 milhões de euros) junto da instituição, operação apresentada pelo executivo como um sinal de gestão prudente das finanças públicas e de reforço da confiança dos mercados.

Continue a ler após a publicidade